terça-feira, 1 de abril de 2008

VERÔNICA DE VATE: SALGADO MARANHÃO

SALGADO MARANHÃO (José Salgado Santos) nasceu em Caxias, no Maranhão. Ainda adolescente, mudou-se com os irmãos e a mãe para Teresina. Escreveu artigos para um jornal local e conheceu Torquato Neto, que o incentivou a ir para o Rio de Janeiro, o que fez no ano de 1972. Estudou Comunicação na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Terapeuta corporal, foi professor de tai chi chuan e mestre em shiatsu. Inicialmente, teve seu nome vinculado em publicações como "Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis" (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ), coletânea que reuniu diversos poetas, como Sergio Natureza (assinando Sérgio Varela), Antônio Carlos Miguel (sob o pseudônimo de Antônio Caos), Éle Semog, Mário Atayde, Tetê Catalão, entre outros. Publicou poemas e artigos na revista "Encontro com a Civilização Brasileira" (1978). Nos anos seguintes, publicou: "Aboio" (cordel/ Ed. Corisco -Teresina - 1984), "Punhos da serpente" (poesia/ Ed. Achiamé, RJ, 1989), "Palávora" (poesia - Ed. Sette Letras, RJ, 1995), "O beijo da fera" (poesia - Ed. Sette Letras, RJ, 1996) e "Mural de ventos" (poesia - Ed. José Olympio, RJ, 1998). Em 1998, ganhou o prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro "O beijo da fera". No ano seguinte, com o livro "Mural de ventos", foi o vencedor do "Prêmio Jabuti", da Câmara Brasileira do Livro, dividido com Haroldo de Campos e Gerardo Mello Mourão. Em 2002, publicou "Sol sangüíneo". Sobre este livro, declarou Antonio Carlos Secchim "Numa dicção arraigadamente pessoal, Salgado Maranhão, em Sol Sangüíneo, atinge o (até agora) ponto máximo de sua obra, num conjunto coeso de poemas". É também letrista de música popular brasileira, tendo parcerias e gravações com Vital Farias, Ivan Lins, Paulinho da Viola, Elba Ramalho, Zizi Possi e Ney Matogrosso, entre outros.


ATEMPORAL



no fim da linha
o que sobra é a poesia:
construção sobre ruínas
plasmada em palavras
e silêncios.

quem saberá os limites
da beleza e do desespero?

a vida em sua face oculta
sobrevive de engordar serpentes.

o amor em sua loja de ourives
(relume)
a lapidar o inatingível.

no avesso do dês/haver
o que resta
é o infinito não-ser
em seu azul atemporal.


SALGADO MARANHÃO

Um comentário:

LITA PASSOS, Salvador, Bahia, Brasil disse...

Conheci a poesia de Salgado Maranhão no inicio dos anos 90 através do livro PUNHOS DA SERPENTE. Li e fiquei encantada. No meu livro FLORES DE FOGO o dediquei um poema e, para minha surpresa, esse belo poeta dedicou-me um poema no MURAL DOS VENTOS, prêmio Jabuti da Poesia. O conheci no Rio, numa oportunidade de cantoria dos malungos Elomar e Xangai. Quero revê-lo breve. Grande abraço e beijos. Lita Passos