A PORTA NO CHÃO
há duas portas em meus olhos
do tipo corta-fogo
há uma dura mão-de-pilão
em meu coração
e minhas mãos colhem
toda manhã
o orvalho que cobre meu peito
há sempre uma porta no chão,
meu eterno tropeço
CARLOS BARBOSA
Para seguir viagem com Carlos Barbosa é preciso de pouca coisa. Matalotagem e outros poemas da viagem tem de quase tudo. Que rumo iremos tomar? Qual o destino? Não importa! A bússola do nosso timoneiro tem como norte magnético a poesia.
Sapiranga ConVida
Num de seus mais belos poemas, “Traduzir-se”, Ferreira Gullar nos diz “uma parte de mim é só vertigem/ outra parte linguagem”.
Mayrant Gallo (BA), Márcio Souza (AM), Guiomar de Grammont (MG), José Inácio Vieira de Melo (AL - BA), Ronaldo Correia de Brito (CE - PE) e Lima Trindade (DF - BA). Fotógrafo: Ricardo Prado (MG - BA)
José Inácio Vieira de Melo, Guiomar de Grammont e Mayrant Gallo
Márcio Souza, autor dos romances “Galvez – imperador do Acre” e “Mad Maria”; Lima Trindade, autor dos livros de contos “Todo sol mais o espírito santo” e “Corações blues e serpentinas”; José Inácio Vieira de Melo, autor dos livros de poemas “A terceira romaria” e “A infância do centauro”; Ronaldo Correia de Brito, autor do livro de contos “Faca” e do romance “Galiléia”; e Mayrant Gallo, autor do livro de contos “O inédito de Kafka” e do livro de poemas “Recordações de andar exausto”.
Em pé: Mayrant Gallo e Ronaldo Correia de Brito. Sentados: José Inácio Vieira de Melo, Lima Trindade e Márcio Souza. Fotógrafo: Ricardo Prado.
DAMÁRIO DACRUZ é Soterocachoeirano, nascido em Salvador e Cidadão da Cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano. Poeta, fotógrafo, jornalista, publicitário e produtor cultural. Graduado pela UFBA e pós-graduado pela UNIFACS em comunicação. Faz poesia há 40 anos, começou em 1968, quando recebeu o prêmio de revelação da Seliba. Liderou movimentos de cultura e arte na universidade. Lutou pela Anistia política e contra a ditadura, foi editor de vários jornais de cultura, diretor de literatura da Fundação Cultural, sindicalista, gerente, coordenador de comunicação publicitária de empresas nacionais e multinacionais. Fotógrafo com várias exposições no Brasil e no exterior Sua poesia se espalha por centenas de jornais, revistas, sites, blogs e paredes da América Latina. Muitas. Prêmios, conferências e viagens a muitos lugares distantes e por diversas vezes. Três livros e mais de 30 posters-poemas publicados. Criador e coordenador- geral do Pouso da Palavra, espaço de arte, cultura e comunicação, em Cachoeira. Pertence a geração de poetas da Bahia dos anos 70/80. Atualmente exerce o cargo de coordenador de propaganda do Governo da Bahia.
CERTO VÔO
Cada
pássaro
sabe
a rota
do retorno.
Cada
pássaro
sabe
a rota
de si.
Cada
pássaro,
na rota,
sabe-se
pássaro.
DAMÁRIO DACRUZ
17/04 - José Inácio Vieira de Melo
17/04 - Barná Cardoso, Raiça Bomfim e Gibran Sousa
17/04 - Antônio Barreto e Franklin Maxado
¹7/04 - Edgar Velame e Ivan Maia
18/04 - Leandro Tranquilino e Paraíba da Viola
19/04 - Marcus Vinicius Rodrigues, Martha Galrão e Nívia Maria Vasconcellos
21/04 - JIVM recitando entre a platéia
21/04 - Gina Alves, Ivana Karoline, Caroline Brito e Matheus Machado (Grupo Concriz - poetas, recitadores e afins, da cidade de Maracás)
NOITE

Antonio Calloni lendo o poema Grão de areia, de José Inácio Vieira de Melo
GRÃO DE AREIA
Para Carlos Moisés Soglia de Melo
Meu filho, vês aquele grão de areia?
É o teu pai nascendo para os mistérios.
E o que está agora a compor teus pensamentos
é a poeira cósmica dos intergalácticos sertões
pelos quais percorreu o grão de areia
até chegar aqui e nascer para este mundo.
Meu filho, aquele gigante que nos espreita?
É a sombra do grão de areia de onde vieste,
é o grito de teu pai mirando o Cosmo
e te invocando para o sacrifício da vida.
Meu filho, aquele seixo é o teu começo.
Tu o conduzirás às alturas das tuas possibilidades
em um sonho de aventuras e esperanças
que quando finda começa, e é assim mesmo.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO



"Gabriel traz os segredos da poeira em suas mãos"
" A mim ensinou-me tudo/ Ensinou-me a olhar para as coisas"
"A Criança Eterna acompanha-me sempre."


"Meu cavalo e eu - Centauro do Sertão" - JIVM
O lirismo de José Inácio Vieira de Melo atinge-nos em nosso âmago, justamente por ser uma lírica atenta ao que o homem tem de mais fundo, mais intenso. Pungente, sem deixar de ser leve; existencial, sem abandonar a alegria viva, a poesia de José Inácio é bíblica, sacra, pois revela em nosso cotidiano um pergaminho de epifanias. Com efeito, há nesse lirismo, preciso e cortante, feito apenas de palavras necessárias, aquele vislumbrar em perpétuo encanto, tão característico das crianças e dos loucos. E é por comungar com esse olhar “auroral” da infância, dos delirantes, que a sua palavra desvela o mágico, o mítico, no chão batido do cotidiano. Há versos do poeta que são verdadeiro choque elétrico e nos cativa, emociona, com a precisão dos prestidigitadores; versos lapidares, nascidos já perfeitos, pois irrompem daquele “coração selvagem” joyciano, do inconsciente coletivo a nos desvelar no eterno mesmo, no velho a se renovar infinitamente, para sempre: “Para quem está no breu/ qualquer lampejo é alumbramento”, “Somente os olhos dizem/ o que as palavras sonham”, “a despedida é a véspera do encontro”, “os mitos vestem o meu nome”. Versos que já nascem como epígrafes da própria vida.
O encantamento da linguagem, a flamejante “alquimia do verbo” de Rimbaud, seduz-nos já no título do livro (e que título belo!) e em poemas dignos de serem antologiados entre os melhores feitos em nosso atual cenário literário. Esse é o caso do poema que recebe o mesmo título do livro:
Eu venho do caos primordial.
Percorri as searas da escuridão
(caminhos que não sei).
Desse tempo sem memória
nasce a consciência dos dias
(como não sei, invento).
Fantasma de barro,
preciso de um amálgama
e que teus olhos me afirmem.
Sou um centauro escarlate
e galopar na infância
é a minha metafísica.


RUY Alberto d'Assis ESPINHEIRA FILHO nasceu em Salvador, Bahia, no dia 12 de dezembro de 1942, filho de Ruy Alberto de Assis Espinheira, advogado, e Iracema D’Andréa Espinheira, de ascendência italiana. Passou a infância em Poções e a adolescência em Jequié, cidades do Sudoeste baiano. De volta a Salvador, em 1961, estudou no Colégio Central da Bahia e, levado pelo poeta Affonso Manta, que conhecia desde Poções, ingressou no grupo boêmio capitaneado por Carlos Anísio Melhor. Ainda nos anos 60, começou a publicar na revista Serial, criada por Antonio Brasileiro, e se iniciou no jornalismo — como cronista da Tribuna da Bahia (1969-1981), onde também trabalhou como copidesque e editor (1974-1980). Colaborou ainda com o Pasquim, como correspondente na Bahia (1976-1981), e foi contratado como cronista diário do Jornal da Bahia (1983-1993). Atualmente assina artigos quinzenas em A Tarde. Graduado em Jornalismo (1973), mestre em Ciências Sociais (1978) e doutor em Letras (1999) pela Universidade Federal da Bahia, UFBA, e doutor honoris causa pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB (1999), é professor associado do Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da UFBA, membro da Academia de Letras de Jequié e da Academia de Letras da Bahia. Publicou 11 livros de poemas: Heléboro (1974), Julgado do Vento (1979), As Sombras Luminosas (1981 — Prêmio Nacional de Poesia Cruz e Sousa), Morte Secreta e Poesia Anterior (1984), A Guerra do Gato (infantil — 1987), A Canção de Beatriz e outros poemas (1990), Antologia Breve (1995), Antologia Poética (1996), Memória da Chuva (1996 — Prêmio Ribeiro Couto, da União Brasileira de Escritores), Livro de Sonetos (1998; 2. ed. revista, ampl. e il., 2000), Poesia Reunida e Inéditos (1998), A Cidade e os Sonhos (2003), Elegia de agosto e outros poemas (2005; em 2006 – Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras, Prêmio Jabuti – 2º lugar –, da Câmara Brasileira do Livro; Menção Especial do Prêmio Cassiano Ricardo, da UBE-RJ). Tem ainda publicados vários livros em prosa: Sob o Último Sol de Fevereiro (crônicas, 1975), O Vento no Tamarindeiro (contos, 1981); as novelas O Rei Artur Vai à Guerra (1987, finalista do Prêmio Nestlé), O Fantasma da Delegacia (1988), Os Quatro Mosqueteiros Eram Três (1989); os romances Ângelo Sobral Desce aos Infernos (1986 — Prêmio Rio de Literatura [2º lugar], 1985), Últimos Tempos Heróicos em Manacá da Serra (1991); Um Rio Corre na Lua (2007) e os ensaios O Nordeste e o Negro na Poesia de Jorge de Lima, dissertação de Mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia(1990), Tumulto de Amor e Outros Tumultos – Criação e Arte em Mário de Andrade, tese de Doutorado em Letras, também pela UFBA (2001), Forma e alumbramento — poética e poesia em Manuel Bandeira (2004). Lançou ainda o CD Poemas, gravado pelo próprio autor, com 48 textos extraídos de seus livros, além de alguns inéditos (2001). Contos e poemas seus foram incluídos em diversas antologias, no Brasil e no exterior (Portugal, Itália, França, Espanha e Estados Unidos).


VERA LÚCIA DE OLIVEIRA nasceu em Cândido Mota e cresceu em Assis, no Estado de São Paulo. Desde 1983, vive na Itália, onde ensina Literatura Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi di Lecce. Formou-se em Letras pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), em 1981, e em Línguas e Literaturas Estrangeiras, em 1991, pela Università degli Studi di Perugia, na Itália. Neste mesmo país, obteve o doutorado, em 1997, pela Università degili Studi di Palermo. Recebeu em 2005, o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras com o livro A Chuva nos Ruídos, publicado pela Escrituras, uma antologia que reúne poemas de cinco livros, quatro dos quais publicados em edição bilíngüe, na Itália. A autora, que escreve tanto em português como em italiano, recebeu também outros prêmios nacionais de poesia e seus poemas foram traduzidos e publicados em várias antologias no Brasil, Itália, Estados Unidos, Espanha e Portugal. Tradutora e divulgadora da literatura brasileira na Itália, organizou antologias de vários poetas, entre os quais Lêdo Ivo e Carlos Nejar.