domingo, 15 de junho de 2008

VERÔNICA DE VATE: JOSÉ ALCIDES PINTO

JOSÉ ALCIDES PINTO, ficcionista e poeta, nasceu em São Francisco do Estreito, distrito de Santana do Acaraú, no Ceará. Filho de José Alexandre Pinto, capitão de tropa de cigano, e de D. Maria do Carmo Pinto, descendente dos índios Tremembés, que se fixaram na povoação de Almofala, no Acaraú, no fim do século XVII.
Diplomou-se em Jornalismo pela Faculdade Nacional de Filosofia da antiga Universidade do Brasil e em Biblioteconomia pela Biblioteca Nacional. Fez o curso de especialização em Pesquisas Bibliográficas em Tecnologia no Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e o Curso de História da Américas ela Universidade do Brasil.
Jornalista profissional, tendo ingressado na imprensa muito jovem. Colaborou nos Suplementos Literários do "Diário Carioca",' "O Jornal", "Diário de Notícias", "Correio da Manhã", revista "Leitura" e em toda a imprensa de Fortaleza Pertence à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro e Sindicato dos Jornalistas Liberais do referido Estado.
Romancista, crítico literário, teatrólogo e poeta, tem livros publicados nesses gêneros, participando de várias antologias nacionais e estrangeiras. Recebeu o Prêmio José de Alencar da Universidade Federal do Ceará referente a obras no gênero Romance e Conto (1969). Coube-lhe, ainda, o Prêmio Categoria Especial para Conto (1970), concedido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza. É o principal responsável pela introdução do Movimento Concretista no Ceará. Em 1972 foi incluído na Enciclopédia Delta Larousse.
Participou de antologias nacionais e estran­geiras. Ganhador de vários prêmios, entre eles o Prêmio Nacional da Petrobrás, na categoria conto, 1988, e o Grande Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), 1999. Foi pro­fessor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universida­de Federal do Ceará. Tem livros publicados na área do romance, novela, conto, teatro, poesia e crítica literária. É considerado um poeta de vanguarda e experimental.
José Lemos Monteiro, escri­tor e professor da UFC, escreveu um longo estudo sobre sua obra poética, intitulado O universo mí(s)tico de José Alcides Pinto publica­do pela Imprensa Universitária, em 1979, e que se constitui a pri­meira fonte importante de pesquisa de sua poesia, ao lado do livro A voz interior em José Alcides Pinto, do psiquiatra e poeta Carlos Lopes. Fortaleza. Edição do Autor, 1989; bem como um longo ensaio de Nelly Novaes Coelho – Erotismo, satanismo, loucura, na poesia de José Alcides Pinto Fortaleza, IOCE, 1984. Em 1996, o es­critor Floriano Martins organizou uma antologia crítica da obra de José Alcides Pinto - Fúrias do oráculo, editada pela Universidade Federal do Ceará. Também o professor e escritor Paulo de Tarso (Pardal), publicou um ensaio crítico intitulado O espaço alucinante de José Alcides Pinto, Edições da Universidade Federal do Ceará, 1999. A Editora GRD, Rio, editou em 1996 Cantos de Lúcifer (Poemas Reunidos), com prefácio de Cassiano Ricardo; e a Im­prensa Oficial do Ceará (IOCE), em 1984 lançou Antologia Poé­tica, organizada pelo crítico Rogaciano Leite Filho.
BREVE MEMÓRIA:
10/9/1923 - José Alcides Pinto nasce em São Francisco do Estreito, distrito de Santana do Acaraú, Ceará.
1945 - Muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como bedel de aluno. Diploma-se em Jornalismo pela Faculdade Nacional de Filosofia e em Biblioteconomia pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação.
1950 - Em parceria com Ciro Colares e Raimundo Araújo, lança o livro Antologia dos Poetas da Nova Geração.
1952 - Lança seu primeiro livro individual, Noções de Poesia e Arte.
1957 - Volta para Fortaleza, onde lança o Manifesto Concretista.
1964 - Publica seu primeiro romance, O Dragão.
1974 - Publica Os Verdes Abutres da Colina e João Pinto de Maria - Biografia de um Louco, que, junto com O Dragão, formam a chamada Trilogia da Maldição.
1977 - Desliga-se da Universidade Federal do Ceará, onde dava aulas no curso de Comunicação Social. Veste um hábito franciscano e vai morar numa fazenda no sertão cearense.
1986 - Ganha o Prêmio Nacional Petrobrás de Literatura. 2000 - Ganha o Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte.
2003 - A Editora G.R.D publica uma coletânea de poemas de José Alcides Pinto, intitulada Poemas Escolhidos.
03/06/2008 - Morre em conseqüência de um acidente de motocicleta. Estava pronto para lançar dois livros inéditos de poesia, Diário de Berenice e O Algodão dos teus Seios Morenos com o selo Jamaica Editora, nome de uma das filhas.


R É Q U I E M


Eu sou uma capela de andorinhas mortas
um altar destruído.
Eu não escrevi Os verdes abutres da colina
(mas quem o escreveria senão eu?)
Os patrupachas chegam de parte alguma
sentam-se no chão do rancho.
Acaraú é um rio uma cidade um vale uma região?
(aqui jazo)

Os galos urinam nas manhãs
são os nossos pecados.
Meu corpo, partindo em banda, daria uma canoa
um caixão mortuário, uma guitarra.
Pe. Arteiro Antônio Tomás Araken da Frota
de que luz são feitos os meus testículos?
Eu sou mais louco do que um louco?

Por essa tarde de chuva, essa tristeza imensa,
essa agonia: por Rimbaud Baudelaire Poe Artaud
Lautréamont Fernando Pessoa Augusto dos Anjos
por todos e por mim: adeus para sempre – amém!


JOSÉ ALCIDES PINTO

Um comentário:

Edelvito disse...

José Alcides Pinto é um caso triste de quem merecia receber e receberia todo o reconhecimento possível. O trágico destino é motivo de reflexão. Parabéns José Inácio por acompanhar de perto essa história e publicá-la em seu blog.