domingo, 15 de junho de 2008

JOSÉ ALCIDES PINTO, POETA SANTO

O poeta José Alcides Pinto era um santo lá do Ceará. Ele fazia milagres por onde passava, milagres em forma de versos que entravam no sentimento das pessoas e as curavam de suas aflições imediatas. Tive o prazer de conhecer esse vate em 2006, quando fui convidado para participar da Bienal Internacional do livro do Ceará. Já conhecia a sua obra e mantínhamos uma correspondência irregular, ou seja, quando em vez trocávamos cartas, sempre enviando livros um para o outro. Mas foi em 20 de agosto de 2006 que apareci em sua casa. Fui recebido como um príncipe pelo poeta e por sua bela filha Jamaica. Conversamos muito, o poeta deu-me alguns de seus livros, leu uns poemas meus, ficou encantado com uns poemas do poeta baiano Affonso Manta, que recitei para ele. Na hora de partir, lembro bem do conselho de José Alcides: “Poeta, seja fiel à sua lira, não deixe que nada atrapalhe o seu caminho, faça sua poesia de acordo com a sua consciência poética, mesmo quando todos disserem que está errado”. Essas palavras têm sido um estímulo grande nessa minha jornada.
José Alcides Pinto deu prova maior de sua santidade ao escrever a Trilogia da Maldição ou ainda os extraordinários Poemas para Lúcifer ou ainda Fúrias do Oráculo. Seu Relicário Pornô é uma espécie de catecismo que não pode faltar aos devotos do prazer. José Alcides Pinto nasceu em São Francisco do Estreito, em Santana do Acaraú, mas nunca vi coração tão largo, tão abrangente. José Alcides Pinto é o meu São Francisco, suas orações estão gravadas no meu imaginário de poeta, no meu sentimento mais humano. José Alcides Pinto agora está encantado, aboiando seus versos na fazenda Equinócio, espraiando sua loucura sagrada no sertão do Acaraú.
JIVM

5 comentários:

Max da Fonseca, disse...

“Poeta, seja fiel à sua lira, não deixe que nada atrapalhe o seu caminho, faça sua poesia de acordo com a sua consciência poética, mesmo quando todos disserem que está errado”.

Tamanha é sua sabedoria. Este conselho tem que ser universal.

Assis de Mello disse...

Prezado Poeta Zé Inácio,
Que surpresa boa conhecer teu blog e saber um pouco mais do José Alcides. Soares Feitosa, de quem sou amigo e admirador, me falou dele, mas ainda não pus as mãos em nenhum de seus livros. Gostei demais do que li aqui.
Estou "linkando" teu blog no meu. Apareça pra um cafezinho.
Abraço,
Chico (Assis de Mello)

Silvia disse...

Tive a felicidade de conviver com o velho JAP, cuja poesia terrível traz-me agora à memória, fragmentos de A Cabra:
" Deixai que um poeta observe a cabra magricela em toda a sua trajetória histórica/em toda a extensão de seu sofrimento.
Esta cabra semita, apátrida, berrando de fome pelos tabuleiros de Inhamuns e de Quixeramobim. Pelo Vale do Acaraú, Massapê da Linha, Uruoca. Deixai que um poeta observe o olho ciclópico desta cabra:imóvel, silencioso,cinza-azul,sem brilho, de cuja retina escapa um coágulo de luz mortiça que se desmancha na ferrugem da manhã em que agoniza..."
um abraço,

Graça disse...

Eu é que estou encantada com o poeta José Alcides Pinto - muito prazer!
Este conselho é, sem dúvida, abrangente, portanto universal!

Aliane disse...

Feliz daquele que possui esse maravilhoso poder de convencimento através da escrita e feliz do leitor que tem a oportunidade de te conhecer, "poeta dos Sertões".
Ao visitar seu blog e ler sobre José Alcides Pinto fui tomada por um interesse exacerbado em viajar por sua "Trilogia".
Um abraço.