terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SANGUE NOVO - EDSON OLIVEIRA



CAPTAR O MUNDO ATRAVÉS DA PALAVRA – EDSON OLIVEIRA nasceu em Feira de Santana (BA) em 28 de julho de 1982. Vive e sempre viveu na pequena cidade de Santo Estevão, no interior da Bahia. É formado em Letras, especialista em Estudos Literários e Mestre em Literatura e Diversidade Cultural, e atualmente é professor língua espanhola e literaturas hispânicas da Universidade Estadual de Feira de Santana. Edson Oliveira é um poeta intuitivo, que embora jamais tenha publicado entende a poesia como a forma mais plena e espinhosa de existir. Indagado sobre a função da poesia, Edson acredita que seja “mexer os ponteiros de nossas vidas e desfazer à noite as verdades que construímos durante o dia”. Conheçamos um pouco mais suas idéias.

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO – Qual a importância que a poesia tem na sua vida? Por que ser poeta? Onde você pretende chegar com a sua poesia? Enfim, para que serve a poesia?

EDSON OLIVEIRA – Penso que a poesia nos conduz a outra órbita, não ordinária, incomum, mas ao mesmo tempo vulgar e cotidiana. E se é possível falar em alguma função atribuída à poesia, imagino que seja mexer os ponteiros de nossas vidas e desfazer à noite as verdades que construímos durante o dia. Há quem diga que não tem função alguma a poesia, mas talvez esteja ai sua “funcionalidade”; não servir a nada nem para nada e perturbar aquele que a põe em movimento. E nesses movimentos que vão de um ponto a outro do hemisfério, sonho com uma poesia que um dia me leve sorrateiramente a mim.

JIVM – Que tempo de sua vida você dedica à poesia? Você é um leitor assíduo de poesia? Para você, é importante ter uma leitura de poesia? E o que anda lendo, atualmente? Tem recordação do primeiro livro de poemas que leu? E quais escritores são suas principais referências?

EO – Não sou um leitor assíduo de poesia, e nem tão pouco um poeta de ofício que tem escrivaninha, caneta e papel a seu serviço. Sou poeta intuitivo, que vê, sente, rumina, pára e escreve. Não sonho com os melhores versos do mundo, nem com um Prêmio Nobel de Literatura em minha estante; quero apenas captar o mundo, o meu mundo, através desse filtro imperfeito que é a palavra. E nessa busca me são úteis todos os poemas que já foram escritos ou aqueles que passeiam pelas ruas à espera de um sopro de vida. Leio Drummond, Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Gerardo Mello Mourão, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Florbela Espanca, José Inácio Vieira de Melo, Sandro Ornellas, Lupeu Lacerda, Eliana Mara Chiossi, mas também me comove a poesia das cenas vulgares. E isso aprendi com o mestre Quintana, primeiro poeta dos meus olhos, cujos versos jamais esquecerei.

JIVM – Você é mestre em Literatura e Diversidade Cultural. Qual foi a contribuição que a academia trouxe para a sua criação? Como é que a poesia é tratada na academia? Há, realmente, poesia e prosa de ficção na Faculdade de Letras?

EO – Ainda luto contra esse título de mestre e todo o peso que sua liturgia acadêmica demanda. Meu avô está vivo há 101 anos, e este, sim, é que julgo mestre, de fato. Os outros são colecionadores de papéis e de diplomas, inclusive eu. Diante disso, embora o academicismo das letras tenha importância e materialidade para a formação de professores de literatura imagino que ele nos prive de acompanhar sem vícios o nascedouro efervescente das artes, neste caso a poesia; sem falar na blindagem que os grandes centros de pesquisa em letras apresentam quanto à chegada de nomes estranhos ao grande cânone literário.

JIVM – Qual a influência das outras linguagens artísticas – artes plásticas, cinema, música, dança, teatro, prosa, etc – na sua criação poética? Você também escreve prosa? Pratica alguma dessas manifestações artísticas citadas?

EO – Entendo que todas as artes estão conectadas. Elas dialogam entre si, se alicerçam mutuamente e ganham forma, cada qual, nos contornos de outra linguagem artística. Também é assim com a poesia, e ainda que eu não transite enquanto autor por outros campos da arte imagino que todos eles são evocados quando escrevo meus poucos versos.

JIVM – E o que anda aprontando o jovem Edson Oliveira? Quais projetos o movem? O primeiro livro já está esboçado? Algum projeto de publicação? E que mais?

EO – Não tinha maiores planos quanto à publicação de meu primeiro livro. Mas agora me chegou às mãos a oportunidade de integrar o projeto Sangue Novo - 21 poetas baianos do século XXI. Sem dúvidas, essa será uma grande vitrine, e eu espero saber aproveitá-la da melhor maneira possível. Tenho aprontado poemas pra essa coletânea (rs...).

6 comentários:

Anônimo disse...

Edson, meu caro, brilhante entrevista. Respostas precisas, carregadas, veja só, de poeticidade. Comungo cada palavra dita e vivida. Aquele abraço. T

Ricardo Thadeu disse...

GRAAAANDE Edson!!
Sabe tudo de poesia.
Bela entrevista, cara.


¡Hasta luego!

Gildeone dos Santos Oliveira disse...

Bem-vindo ao Sangue Novo Edson.
Entrevista bastante convicta e certeira cara!
Abraço

Caio Rudá de Oliveira disse...

"Bela entrevista, cara" (Souza, 2011)

ou seja lá qual seja tua assinatura científica, thadeu.

Lidi disse...

Amigo Edson, adorei a tua entrevista. De verdade. Um grande abraço.

Bernardo Almeida disse...

Colega poeta, seja bem-vindo aos "Sangue". Curti bastante tanto a entrevista quanto sua poesia. Mais um no barco. Vamos nessa! Abração