terça-feira, 20 de outubro de 2009

RETRATOS POÉTICOS DO BRASIL 2010


Organizei, recentemente, para a Escrituras Editora, de São Paulo, a agenda Retratos Poéticos do Brasil 2010, cuja temática é a poesia da Bahia. Para tanto, selecionei 46 poetas da Bahia, desde Gregório de Mattos e Castro Alves, passando por Myriam Fraga e Florisvaldo Mattos, até os jovens Cleberton Santos e Nívia Maria Vasconcellos. Para mim foi uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma maior satisfação. A agenda ficou muito bonita. É um belo presente de fim de ano. Está disponível nas livrarias, nos sites e portais. Logo abaixo está o texto que fiz para a apresentação da agenda.


A POESIA PRIMORDIAL DA BAHIA

A poesia da Bahia está ligada às raízes da poesia brasileira. No século XVII, quando ainda vigorava o Barroco na Europa, surgem os primeiros poetas brasileiros, os baianos Manuel Botelho de Oliveira, primeiro brasileiro a editar um livro em versos, e Gregório de Matos e Guerra, com sua poesia lírico-satírico-religiosa. Gregório era um espírito irrequieto que a todos fustigava. Sua verve satírica e sua língua afiada conferiram-lhe a alcunha de O Boca do Inferno.
Não menos importante para o universo poético brasileiro foi Castro Alves, jovem poeta de versos fulgurantes que até hoje são recitados nas praças de Salvador e arrebatam multidões. Situado historicamente no Romantismo, no século XIX, Castro Alves dá nova dimensão a esse estilo de época ao enfatizar a poesia de temática social. Por conta do combate que empreendeu contra a escravidão, ficou conhecido como Poeta dos Escravos.
Do final do século XIX à primeira metade do século XX, simbolistas e parnasianos fizeram a feição poética da província. O Modernismo chegou à Bahia ao menos uma década depois do rebuliço de 1922, tendo em Godofredo Filho um dos seus precursores.
Ultrapassada a primeira metade do século XX, a poesia baiana passou a respirar novos ares com a Geração Mapa, da qual fazem parte poetas como Adelmo Oliveira, Affonso Manta, Fernando da Rocha Peres, Florisvaldo Mattos, João Carlos Teixeira Gomes e Myriam Fraga, sob a liderança do cineasta Glauber Rocha. A Geração Mapa foi englobada pela Geração 60, que até hoje exerce uma influência sobre a produção artística baiana. A segunda leva de poetas da Geração 60 traz nomes como Antonio Brasileiro, Ildásio Tavares, Maria da Conceição Paranhos e Ruy Espinheira Filho.
Em seguida, configura-se a Geração 80, a partir da Coleção dos Novos, que revelou autores como Aleilton Fonseca e Roberval Pereyr. Simultaneamente, surge o movimento Poetas na Praça, que cultivava a tradição da oralidade. Seus representantes recitavam pelas praças e becos da velha São Salvador, entre os quais se destacaram Antonio Short, Douglas de Almeida, Geraldo Maia e Walter César.
A década de 1990 trouxe para o cenário outras vozes: Elizeu Moreira Paranaguá, do Círculo de Estudo Pensamento e Ação (CEPA); Goulart Gomes, do Grupo Pórtico e do Movimento Poetrix; assim como Luís Antonio Cajazeira Ramos e Mayrant Gallo que traçaram, cada qual à sua maneira, um caminho poético bem particular.
E a poesia que se faz hoje na Bahia? É a mais diversificada possível e busca alcançar vários espaços. Está presente nas praças, com os continuadores do movimento Poetas na Praça; nos grupos que saíram das universidades, como o Grupo Hera, de Feira de Santana; está presente nos prêmios da Fundação Casa de Jorge Amado e da Academia de Letras da Bahia; no Concurso Público de Poesia Falada da Câmara Municipal de Salvador – Troféu Castro Alves; nas páginas das revistas Iararana e Hera; está no Pouso da Palavra, em Cachoeira, no Recôncavo; nos projetos que se espraiam por todo o Estado – nas bibliotecas, auditórios e bares – como Com a Palavra o Escritor e Poesia na Boca da Noite, em Salvador; Uma Prosa Sobre Versos, em Maracás, no Vale do Jiquiriçá; ou ainda no Travessia das Palavras, em Jequié.
A poesia contemporânea da Bahia é pulsante e vivaz. Surge em cada rincão que compõe sua geografia e busca levar sua voz primordial, que conjuga tradição e vanguarda, para todas as partes.

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
Poeta, jornalista e produtor cultural

6 comentários:

Maria Muadiê disse...

Beleza pura!

O Colégio Estadual Edivaldo Boaventura disse...

Também recomendo a agenda como presente de natal. Já vi. Belo trabalho.

Vitor Nascimento Sá disse...

Inácio,

Parabéns pela excelente seleção e pelo texto de apresentação. Gostei muito.

Cândida Montenegro disse...

Parabéns, Zé Inácio. Mais uma grande realização. Você é mesmo incansável. Nós que amamos a poesia, agradeçemos. Beijinhos.

Anônimo disse...

Um belíssimo trabalho. Dá conta da diversidade da poesia baiana e mostra ao Brasil e ao mundo o que há de mais novo na produção poética da Bahia. Meus parabéns, meu caro poeta.

Maurício Bastos Almeida

Anônimo disse...

Eis,aqui,a Bahia,terra de grandes poetas e escritores,novamente representada por um de seus filhos,José Inácio Vieira de Melo,que,tão bem,apresenta ao mundo,o Uni-Verso das letras,que transformadas em poesias e poemas,podem ser apreciadas,aos quatro cantos do planeta,por este livro universal,que se chama "Blog"!Excelente trabalho,que recomendo e irei digerir culturalmente,linha após linha!Caro poeta,meus parabéns!