sexta-feira, 21 de agosto de 2009

NHÔ GUIMARÃES - A PEÇA

Meus caros, na semana passada assisti, no Teatro do Sesi Rio Vermelho, a peça Nhô Guimarães, com meu compadre Gabriel Gomes e sua namorada Lis. A peça é baseada no romance de um outro amigo, Aleilton Fonseca. Uma adaptação singela e singular. Fiquei muitíssimo impressionado com a performance magistral da atriz Deusi Magalhães, que traz para a cena uma mulher octogenária, uma velhinha, que mostra um pouco das suas vivências nas plagas ermas e agrestes do sertão. Tudo em dosagem certa. Nada de exageros nem de cenários entupidos de bugigangas. A casa da anciã é um retrato fiel da casa dos camponeses sertânicos. Aquela velha, na qual se transfigura a atriz Deusi, é um exemplo da fortaleza do sertão. Parabéns a Deusi e ao Edinilson pela adaptação certeira. Aos meus amigos, mais uma vez a minha recomendação. A peça é imperdível. Seus 75 minutos de duração passam em menos de meia hora. Uma beleza!

O universo do homem sertanejo é o tema de Nhô Guimarães, novo espetáculo do Núcleo Criaturas Cênicas.


Em 2008, ano em que se comemorou o centenário do escritor mineiro, João Guimarães Rosa, o Núcleo Criaturas Cênicas de Salvador/BA, realizou a adaptação do romance Nhô Guimarães (2006) para a linguagem teatral, do escritor baiano Aleilton Fonseca, escrito para homenagear os 50 anos do livro Grande Sertão: Veredas (1956) de João Guimarães Rosa. A adaptação para o teatro foi realizada por Deusi Magalhães e Edinilson Motta Pará, atriz e diretor desta montagem que teve sua pré-estréia no teatro do IRDEB em 27 de novembro de 2008.
O projeto Nhô Guimarães Pelo Sertão do Núcleo Criaturas Cênicas foi um dos vencedores do Programa BNB de Cultura/2009. Esta é a 6ª montagem deste grupo premiado em encenações como “Escoria” de Michel de Ghelderode e “A Pedra do Meio Dia ou Artur e Isadora” de Bráulio Tavares.
Cumprindo a agenda deste projeto a peça Nhô Guimarães teve sua estréia no sertão baiano percorrendo com suas apresentações, em maio de 2009, nas cidades de Senhor do Bonfim, Uauá, Canudos e participando da abertura do I Colóquio em Estudos Literários e Lingüísticos – UNEB - Campus XXII, em Euclides da Cunha. A peça segue agora para temporada de dois meses no Teatro do SESI – Rio Vermelho.
O espetáculo, em forma de monólogo, transpõe para o palco a vida, as idéias e a mítica do nosso sertão, privilegiando a linguagem falada rica em neologismos, recheadas de palavras incomuns próprias dessas regiões e tão presente nas obras do autor mineiro. Esse tratamento é mantido na encenação como forma de valorização da diversidade lingüística, existente na língua portuguesa, especialmente a encontrada no sertão brasileiro.
Essa visão é apresentada através dos causos contados por uma senhora octogenária a um visitante. Entre uma estória e outra, a velha cita a presença de um amigo do falecido marido, Nhô Guimarães, senhor de jeitos elegantes, que sempre os visitava, com "seu ouvido bom de ouvir causos e seus óculos pretos de aros redondos". Uma referência direta ao escritor mineiro João Guimarães Rosa. Enquanto relata suas lembranças, a velha desenvolve ações cotidianas, como coar um café, apertar um fumo de rolo, fazer um pirão, dar comida às galinhas etc., busca-se criar uma transposição de quem assiste para o ambiente do cotidiano interiorano.

Salvador
Local: Teatro SESI Rio Vermelho
Apresentações: de 08 de agosto a 27 de setembro/2009
Sábados e domingos, 20 horas.
Ingressos: R$14,00 inteira e R$ 7,00 meia entrada

Para mais informações:
Deusi Magalhães (071) 9137-4567 e 3011-1437 magadeusi@gmail.com
Edinilson Motta Pará (071) 8754-2769 nilsinho67@hotmail.com

3 comentários:

Paula Laranjeira disse...

Fiquei com água na boca...ai se eu pudessse pegar o busu e ir a Salvador ver a peça...obrigada por patilhar seu plhar sobre a peça, a trouxe para mim em mais um flesh....abraços

Anônimo disse...

Adorei a peça. Deusi realmente encarnou a personagem do Aleilton Fonseca. Muito obrigada pela dica.

Maria de Fátima

Caio Rudá disse...

Passo em frente ao teatro todo dia de ônibus, voltando da faculdade. O cartaz está lá, a recomendação foi feita. Falta assistir.