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Lima Trindade: "Garatujas Selvagens é a confirmação de um talento que não se dobra a modas, ao velho "novo" das fórmulas e olhares comandados por apelos comerciais e "tendências"". |
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
UMA ROTA PERSONALÍSSIMA
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
POESIA DE PRIMEIRA LINHA
Por Salgado Maranhão
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Salgado Maranhão: "Garatujas Selvagens trata-se de uma poética decantada pelo esmero paciente de um poeta que a cada obra refina ainda mais o seu estilo" |
Na semana passada, tive a alegria de receber o novo livro (GARATUJAS SELVAGENS), do poeta José Inácio Vieira de Melo, que eu já conhecera nos originais, mas, vê-lo vestido com uma capa tão bela e ilustrações tão instigantes, foi uma verdadeira epifania. Trata-se de uma poética decantada pelo esmero paciente de um poeta que a cada obra refina ainda mais o seu estilo. Um estilo fruto da escolha telúrica por cantar a sua terra em sua essência de sol e pedra. Meus parabéns para esse bardo que entrega-se ao destino irrecusável da palavra iluminada.
Salgado Maranhão (Caxias, Maranhão). Poeta, jornalista, consultor cultural e compositor (letrista) brasileiro. Autor de mais de uma dezena de livros de poesia, parceiro de grandes nomes da MPB, traduzido para várias idiomas, vencedor de importantes prêmios literários, dentre eles o Jabuti, por duas vezes. Seus livros mais recentes são Avessos avulsos (7Letras, 2016), A sagração dos lobos (7Letras, 2017) e A casca mítica (7Letras, 2019). Reside na cidade do Rio de Janeiro.
sábado, 16 de outubro de 2021
ESTE LIBRO ES UNA CASA, Y TIENE ALAS
Por María Vázquez Valdez
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María Vázquez Valdez: La poética de José Inácio Vieira de Melo tiene la potencia de los elementos naturales. En su voz, la poesía es una crisálida que en el viento se va volviendo mariposa" |
La palabra poética de José Inácio Vieira de Melo tiene la potencia de los elementos naturales. En su voz, la poesía es una crisálida que en el viento se va volviendo mariposa: quienes hemos tenido la fortuna de escucharle, lo sabemos bien. Y esta cualidad se conserva en la palabra escrita, en la poesía contenida en sus libros, que es tallada con la vida misma del poeta.
Este libro – afortunadamente llevado al español con precisión – recibe su título del tercer poema: Garabatos salvajes. Ya desde aquí, en principio, atisbamos ese pulso antiguo que da forma a las cosas más allá de la conciencia, que erige los instan- tes que construyen la vida, como una mano bajo el guante: argamasa de la poesía.
En diez capítulos tenemos un recorrido, por medio de poemas breves, algunos aforísticos, por las estaciones de “Garabatos rupestres”, “Lejanías”, “Cartografía del miedo”, “Ruta infinita”, “Retratos”, “Instantáneas”, “Panorámica de las madres”, “Fresco para Inácia”, “Autorretratos” y “La ruta del ser”, surcadas por caballos, tigres, cebús, música, laberintos, belleza, y la presencia de dos seres excepcionales: Inácia – piedra y flor – y el inolvidable Humberto Ak’abal – nuestro poeta maya, sacerdote de los pájaros.
Hay en estas páginas una ruta que delinea la médula de lo onírico, y hay también una noción acerca del hilo que nos sostiene, que nos conserva unidos a un origen y a un sentido. Y también resalta la certidumbre de que todos los elementos inconmensurables, infinitos, se encuentran en el sitio minúsculo del instante, en el ser finito – pero también incalculable – que es el poeta; y lo confirmamos cuando nos dice: “Soy mi casa / y tengo alas”.
Este libro, estos poemas, enarbolan con plenitud la importancia de la poesía misma para el poeta, ADN del lenguaje y columna vertebral de quien la esculpe en un tiempo sin tiempo – como José Inácio Vieira de Melo. La poesía: camino recorrido, reflejo de la vida misma:“Biografía / de poeta / es poesía”.
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
O CANTADOR QUE É POETA
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Denise Emmer: "Com mais essa admirável obra, Garatujas Selvagens, José Inácio Vieira de Melo se consolida no time das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea." |
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
A ÂNFORA DA MUSA
Por Ana Miranda
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Ana Miranda: "Impetuoso, selvagem, com a alegria de um pássaro que voa, o poeta José Inácio Vieira de Melo cria |
Acorda cedíssimo, ouve os passarinhos, beija a Linda. Muito bonito, com seu chapéu, ele arreia o cavalo e vai pela caatinga espinhosa, tangido pelos ventos, sob os olhos dos abutres. O poeta José Inácio Vieira de Melo vai encher a cisterna de seus sonhos pelo sertão da Pedra Só, onde lavadeiras lavam almas no açude.
Descendente dos Fulni-Ô, José Inácio ama a sua terra, é arraigado, ali ele se entrega à inspiração e recolhe suas palavras - num mundo áspero, abafado, a cavar pedras, no reluzir dos minérios, no sol. Nas pedras do sertão ele esculpe seus versos, e os escreve ouvindo ecos distantes de cantadores e violas, mugidos zebuínos, nos gritos das pedras que enlouquecem. Suas palavras pulsam, passeiam, comovem, são unguentos, relâmpagos, escadas para pular muros. Suas palavras são a sua vida.
Impetuoso, selvagem, com a alegria de um pássaro que voa, o poeta José Inácio cria a sua própria cartilha, em busca da fonte secreta. Assim como os seus antepassados Fulni-Ô, que conseguiram manter viva a própria língua, José Inácio preserva uma linguagem que é sua e é do sertão nordestino. O seu vocabulário já vem de nascença, sua sina está escrita na geografia da vida: Olhos d’Água do Pai Mané, onde nasceu, no município de Dois Riachos; depois Palmeira dos Índios, Arapiraca, fazenda Cerca de Pedra... E agora, Pedra Só, onde ele passa boa parte do tempo.
E os poemas que ele escreve são de tom sertanejo, mas é um sertão que tem ecos de mitologia, de rock’n’roll, onde vaqueiros vaquejam de moto. Ele sente as transformações do sertão e as entrelaça com os sertões mais antigos, numa rota infinita que lhe veio da estirpe. Bela a sua coleção de versos amorosos, as asas de amor abertas sobre Linda; emocionantes as cantilenas para Inácia, sua agreste mãe; minuciosos os seus poemas inspirados no haikai; generosos os versos ao outro.
Afinal, ele nos oferece uma série de poemas de si mesmo, que termina com uma biografia perfeita e belíssima, a nos conduzir para a rota do ser. Esse extraordinário poeta José Inácio Vieira de Melo honra a nossa tradição sertaneja, uma das expressões mais valiosas do Brasil.
(Posfácio do livro Garatujas Selvagens (Arribaçã Editora, 2021) do poeta José Inácio Vieira de Melo).