sexta-feira, 8 de abril de 2022
XII COLETÂNEA SÉCULO XXI - HOMENAGEM AO POETA JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
quinta-feira, 3 de março de 2022
ENTRE/VISTAS - JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
Por Artur Gomes
| José Inácio Vieira de Melo: "Eu só sou quando estou na Poesia" |
Artur Gomes - Como se processa o seu estado de poesia?
José Inácio Vieira de Melo - Eu só sou quando estou na Poesia. A Poesia é o processo.
Artur Gomes - Seu poema preferido? Seu ou de um outro poeta de sua preferência.
JIVM - O poema 2 do canto I - “Fundação da ilha”, do livro Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, onde há uma quadra que diz assim: Mesmo sem naus e sem rumos,/ mesmo sem vagas e areias,/ há sempre um copo de mar/ para um homem navegar.
Artur Gomes - Qual o seu poeta de cabeceira?
JIVM - Já tive vários, em momentos distintos da vida: Patativa do Assaré, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Gerardo Mello Mourão, Herberto Helder... Porém, cada vez mais, Jorge de Lima tem se firmado como uma referência fundamental, assim como os contemporâneos Roberval Pereyr e Salgado Maranhão.
Artur Gomes - Em seu instante de criação existe alguma pedra de toque, algo que o impulsiona para escrever?
JIVM - Apenas me movimento e sigo pelos caminhos que vão surgindo a partir desse movimento. Vez por outra, sou convocado pela Deusa Poesia, e aí não tem muita explicação, a criação vem com as imagens mais insólitas e, muitas vezes, das mais delirantes esferas. E nessas horas, sou pura entrega, numa dedicação sem limites.
Artur Gomes - Livro que considera definitivo em sua vida?
JIVM - É necessário citar ao menos três: Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez; Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa; e O guardador de rebanhos, de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa.
Artur Gomes - Além da poesia em verso, já exercitou ou exercita outra forma de linguagem com poesia?
JIVM - Sim. A música. Vários compositores, grandes talentos, têm musicado meus poemas e, vez em quando, coloco letra em alguma melodia. Para mim, é uma grande alegria ter parceiros musicais em todas as regiões do Brasil. Já fiz também alguma coisinha para teatro, a pedido de Jackson Costa, ator e diretor baiano. Agora, estou sendo convocado, pelo cineasta baiano Rogério Sagui, a fazer roteiro de filme e de série de televisão, mas ainda não tive coragem de encarar essa parada. Ando muito acomodado, muito mesmo.
Artur Gomes - Qual poema escreveu quando teve uma pedra no meio do caminho?
JIVM - Pedra no meio do caminho é o que não falta. Então, vários poemas vieram das topadas. Porém o mais emblemático se chama “Exercícios crísticos”, de Decifração de abismos, meu segundo livro, publicado em 2002.
Artur Gomes - Revisitando Quintana: você acha que depois dessa crise virótica pandêmica, quem passará e quem passarinho?
JIVM - Para o inferno seguirá o verme que hoje se espoja na cadeira do presidente. O vírus também passará, como toda tempestade. Nós, que sabemos cantar e apreciar a existência, continuaremos passarinhos. Mas também passaremos, leves como folhas ao vento. Lembrar, sempre lembrar, com José de Alencar: Tudo passa sobre a terra.
| José Inácio Vieira de Melo: "Escrevo para me estender a todo ser" |
Artur Gomes – No prefácio do livro Pátria A(r)mada o poeta e jornalista Ademir Assunção, afirma que cada poeta tem a sua tribo, de onde ele trás as suas referências. Você de onde vem, qual é a sua tribo?
Artur Gomes - Nos dias atuais o que é ser um poeta, militante de poesia?
JIVM - "O poeta tira tua maquiagem/ e escancara tua lepra/ e mostra o quanto és fedorento.// O poeta te desavessa/ te mostra por dentro/ e revela o quanto és perebento.// Por isso que na entrada/ da tua casa, da tua alma/ essa placa bem transparente:// não há espaço para poetas/ e essa coisa de poesia/ é uma praga de gente vadia.// Mal sabes tu, que a poesia/ é o unguento.// Muitas vezes abre feridas,/ mas é só para extirpar,/ de vez o veneno.// A poesia é o bálsamo/ que atravessa todos os tempos". Como pode ver, a resposta veio em forma de verso. O nome deste poema é “Unguento”. Ele faz parte do meu livro inédito Garatujas Selvagens, a ser publicado ainda este ano.
Artur Gomes - Que pergunta não fiz que você gostaria de responder?
JIVM - Faltou nada não. Está tudo certo (E nada está certo).
Entrevista feita pelo escritor Artur Gomes. Foi publicada no blog entre/vistas (https://arturgumes.blogspot.com/) em 9 de fevereiro de 2021.
Fotos: Ricardo Prado.
domingo, 27 de fevereiro de 2022
PASSAGEM
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
LETRA LÚDICA | A POESIA DE GARATUJAS SELVAGENS
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
OUVIR IMAGENS
Por Sérgio de Castro Pinto
| Sérgio de Castro Pinto: "Que o leitor atente no jogo imagético, na originalidade dos versos, no dizer enviesado de José Inácio Vieira de Melo". |
José Inácio Vieira de Melo já tem uma fortuna crítica considerável, fruto de sua pertinácia, de sua perseverança, no trato da linguagem poética. Garatujas Selvagens, livro recém-publicado sob a chancela da Editora Arribaçã (Cajazeiras, Paraíba, 2021), confirma os depoimentos elogiosos sobre a sua poesia, dentre eles os de Denise Emmer, Ana Miranda, María Vázquez Váldez, Fernando Py, Thiago de Mello e outros.
Poeta receptivo a muitos temas, José Inácio Vieira de Melo evita a cristalização da linguagem para cumprir uma trajetória que não quer chegar a lugar algum, mas, tão somente, ocupar todos os lugares e empregar a linguagem reivindicada no momento mesmo em que as musas o provocam. Fora disso, creio que a linguagem soa para ele como excrescência, como carta fora do baralho, como mero ornamento, na medida em que carece de emoção. Ou seja, a linguagem puramente experimental passa ao largo de sua poesia, que prefere se impregnar da vida que lateja fora do estéril virtuosismo verbal, do gratuito jogo de palavra-puxa-palavra.
Os poemas de Garatujas Selvagens mantêm praticamente o mesmo nível qualitativo, embora eu destaque entre eles os que compõem a seção Cartografia do medo, que utiliza como epígrafe dois versos de uma canção de Antonio Carlos Belchior: “Eu tenho medo de abrir a porta / que dá pro sertão da minha solidão”. Que o leitor atente no jogo imagético, na originalidade dos versos, no dizer enviesado de José Inácio Vieira de Melo.
Sérgio de Castro Pinto nasceu em João Pessoa, Paraíba, no ano de 1947. É poeta, jornalista profissional e professor titular aposentado do Curso de Letras da Universidade Federal da Paraíba, onde defendeu dissertação de mestrado e tese de doutoramente sobre Manuel Bandeira e Mario Quintana, respectivamente. Ao longo de cinqüenta anos de vida literária, conquistou vários prêmios, o primeiro deles no Concurso de Contos Seráphico da Nóbrega, promovido pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, em 1968, no qual obteve a primeira colocação. Em 2005, Zoo imaginário (poesia), além de conquistar o prêmio Guilherme de Almeida, promovido pela União Brasileira de Escritores, Seção do Rio de Janeiro, foi adotado nas escolas públicas de São Paulo, através do programa “Lendo e Aprendendo”, da Secretaria de Educação daquele estado. Em 2009, por iniciativa do Ministério da Educação, teve uma tiragem de 25 mil exemplares, passando a integrar o acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola. No mesmo ano, a Prefeitura Municipal de João Pessoa instituiu o Ano Cultural Sérgio de Castro Pinto, adotando Zoo imaginário em todos os colégios públicos da capital paraibana. Mais recentemente, A Flor do gol (poesia) foi semifinalista do Concurso Oceanos, antigo Itaú, e Folha corrida (poesia), um dos dez finalistas do Prêmio Rio de Literatura, promovido pelo Centro Cultural Cesngranrio. Em 2020, publicou pela Arribaçã Editora O leitor que escreve, obra que reúne textos seus sobre literatura, livros e autores e autoras.
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
UMA ROTA PERSONALÍSSIMA
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| Lima Trindade: "Garatujas Selvagens é a confirmação de um talento que não se dobra a modas, ao velho "novo" das fórmulas e olhares comandados por apelos comerciais e "tendências"". |
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
POESIA DE PRIMEIRA LINHA
Por Salgado Maranhão
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| Salgado Maranhão: "Garatujas Selvagens trata-se de uma poética decantada pelo esmero paciente de um poeta que a cada obra refina ainda mais o seu estilo" |
Na semana passada, tive a alegria de receber o novo livro (GARATUJAS SELVAGENS), do poeta José Inácio Vieira de Melo, que eu já conhecera nos originais, mas, vê-lo vestido com uma capa tão bela e ilustrações tão instigantes, foi uma verdadeira epifania. Trata-se de uma poética decantada pelo esmero paciente de um poeta que a cada obra refina ainda mais o seu estilo. Um estilo fruto da escolha telúrica por cantar a sua terra em sua essência de sol e pedra. Meus parabéns para esse bardo que entrega-se ao destino irrecusável da palavra iluminada.
Salgado Maranhão (Caxias, Maranhão). Poeta, jornalista, consultor cultural e compositor (letrista) brasileiro. Autor de mais de uma dezena de livros de poesia, parceiro de grandes nomes da MPB, traduzido para várias idiomas, vencedor de importantes prêmios literários, dentre eles o Jabuti, por duas vezes. Seus livros mais recentes são Avessos avulsos (7Letras, 2016), A sagração dos lobos (7Letras, 2017) e A casca mítica (7Letras, 2019). Reside na cidade do Rio de Janeiro.
sábado, 16 de outubro de 2021
ESTE LIBRO ES UNA CASA, Y TIENE ALAS
Por María Vázquez Valdez
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| María Vázquez Valdez: La poética de José Inácio Vieira de Melo tiene la potencia de los elementos naturales. En su voz, la poesía es una crisálida que en el viento se va volviendo mariposa" |
La palabra poética de José Inácio Vieira de Melo tiene la potencia de los elementos naturales. En su voz, la poesía es una crisálida que en el viento se va volviendo mariposa: quienes hemos tenido la fortuna de escucharle, lo sabemos bien. Y esta cualidad se conserva en la palabra escrita, en la poesía contenida en sus libros, que es tallada con la vida misma del poeta.
Este libro – afortunadamente llevado al español con precisión – recibe su título del tercer poema: Garabatos salvajes. Ya desde aquí, en principio, atisbamos ese pulso antiguo que da forma a las cosas más allá de la conciencia, que erige los instan- tes que construyen la vida, como una mano bajo el guante: argamasa de la poesía.
En diez capítulos tenemos un recorrido, por medio de poemas breves, algunos aforísticos, por las estaciones de “Garabatos rupestres”, “Lejanías”, “Cartografía del miedo”, “Ruta infinita”, “Retratos”, “Instantáneas”, “Panorámica de las madres”, “Fresco para Inácia”, “Autorretratos” y “La ruta del ser”, surcadas por caballos, tigres, cebús, música, laberintos, belleza, y la presencia de dos seres excepcionales: Inácia – piedra y flor – y el inolvidable Humberto Ak’abal – nuestro poeta maya, sacerdote de los pájaros.
Hay en estas páginas una ruta que delinea la médula de lo onírico, y hay también una noción acerca del hilo que nos sostiene, que nos conserva unidos a un origen y a un sentido. Y también resalta la certidumbre de que todos los elementos inconmensurables, infinitos, se encuentran en el sitio minúsculo del instante, en el ser finito – pero también incalculable – que es el poeta; y lo confirmamos cuando nos dice: “Soy mi casa / y tengo alas”.
Este libro, estos poemas, enarbolan con plenitud la importancia de la poesía misma para el poeta, ADN del lenguaje y columna vertebral de quien la esculpe en un tiempo sin tiempo – como José Inácio Vieira de Melo. La poesía: camino recorrido, reflejo de la vida misma:“Biografía / de poeta / es poesía”.
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
O CANTADOR QUE É POETA
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| Denise Emmer: "Com mais essa admirável obra, Garatujas Selvagens, José Inácio Vieira de Melo se consolida no time das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea." |
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
A ÂNFORA DA MUSA
Por Ana Miranda
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Ana Miranda: "Impetuoso, selvagem, com a alegria de um pássaro que voa, o poeta José Inácio Vieira de Melo cria |
Acorda cedíssimo, ouve os passarinhos, beija a Linda. Muito bonito, com seu chapéu, ele arreia o cavalo e vai pela caatinga espinhosa, tangido pelos ventos, sob os olhos dos abutres. O poeta José Inácio Vieira de Melo vai encher a cisterna de seus sonhos pelo sertão da Pedra Só, onde lavadeiras lavam almas no açude.
Descendente dos Fulni-Ô, José Inácio ama a sua terra, é arraigado, ali ele se entrega à inspiração e recolhe suas palavras - num mundo áspero, abafado, a cavar pedras, no reluzir dos minérios, no sol. Nas pedras do sertão ele esculpe seus versos, e os escreve ouvindo ecos distantes de cantadores e violas, mugidos zebuínos, nos gritos das pedras que enlouquecem. Suas palavras pulsam, passeiam, comovem, são unguentos, relâmpagos, escadas para pular muros. Suas palavras são a sua vida.
Impetuoso, selvagem, com a alegria de um pássaro que voa, o poeta José Inácio cria a sua própria cartilha, em busca da fonte secreta. Assim como os seus antepassados Fulni-Ô, que conseguiram manter viva a própria língua, José Inácio preserva uma linguagem que é sua e é do sertão nordestino. O seu vocabulário já vem de nascença, sua sina está escrita na geografia da vida: Olhos d’Água do Pai Mané, onde nasceu, no município de Dois Riachos; depois Palmeira dos Índios, Arapiraca, fazenda Cerca de Pedra... E agora, Pedra Só, onde ele passa boa parte do tempo.
E os poemas que ele escreve são de tom sertanejo, mas é um sertão que tem ecos de mitologia, de rock’n’roll, onde vaqueiros vaquejam de moto. Ele sente as transformações do sertão e as entrelaça com os sertões mais antigos, numa rota infinita que lhe veio da estirpe. Bela a sua coleção de versos amorosos, as asas de amor abertas sobre Linda; emocionantes as cantilenas para Inácia, sua agreste mãe; minuciosos os seus poemas inspirados no haikai; generosos os versos ao outro.
Afinal, ele nos oferece uma série de poemas de si mesmo, que termina com uma biografia perfeita e belíssima, a nos conduzir para a rota do ser. Esse extraordinário poeta José Inácio Vieira de Melo honra a nossa tradição sertaneja, uma das expressões mais valiosas do Brasil.
(Posfácio do livro Garatujas Selvagens (Arribaçã Editora, 2021) do poeta José Inácio Vieira de Melo).
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
O POETA JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO BRILHA NO MÉXICO
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| José Inácio Vieira de Melo contagia uma platéia de 2.000 pessoas no VIII Festival de Poesia As Línguas da América Carlos Montemayor, na Sala de Concertos Nezahualcoyotl, na Cidade do México |
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| José del Val: A figura do poeta José Inácio no palco estava cheia de vigor e intensidade, com sua palavra precisa e com sua voz poderosa teve como resultado uma fusão sem igual. |
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| José Inácio Vieira de Melo nas Pirâmides de Teotihuacan |
Texto publicado originalmente na Revista Muito Mais, Edição Nº 15, Página 110, Dezembro de 2018















