terça-feira, 17 de abril de 2018

3º SARAU NA PEDRA SÓ - 50 ANOS DO POETA JIVM - REGISTROS

III SARAU NA PEDRA SÓ - 50 ANOS DO POETA JOSÉ INACIO VIEIRA DE MELO
Fazenda Pedra Só, Iramaia, Chapada Diamantina-BA, 15/04/2018
Fotos: Ricardo Prado

PROGRAMAÇÃO
Ana Maria Rosa | Nel Velame
Edelvito Nascimento | 
Paulo Sérgio Lima
Orlando Gomes | Grupo Concriz
Glauce Souza | 
Júlio Lucas
Antonio Barreto | Jorge Café
Edmar Vieira | Vitória Almeida
Elizeu Moreira Paranaguá
Antonia Torreão Herrera
Salgado Maranhão | Thiago Amud

Fotografia: Ricardo Prado
Filmagem: Gabriel Gomes 
Coordenação: Edmar Vieira e José Inácio
Apresentação: José Inácio Vieira de Melo

Abertura do 3º Sarau na Pedra Só, com a escritora Ana Maria Rosa e o violeiro Nel Velame

Ana Maria Rosa lê trechos do seu ensaio "Pedra Só, abrigo e santuário"

Ana Maria Rosa

Nel Velame tocando "Juazeiro", clássico de Luiz Gonzaga

Linda Soglia

Niellma Lago e seu filho

Dona Ivonete e Inácio, avó e neto

Luiza (à esquerda) descobre uma nova amiga

No coração da caatinga, no reino da Pedra Só, a melhor plateia atenta à poesia

José Inácio Vieira de Melo

Edelvito Nascimento

Yander, Matheus e Carlos Moisés

Fogueira - símbolo do Sarau na Pedra Só

3º Sarau na Pedra Só - A casa dos meus quarenta anos firme aos cinquenta.

Paulo Sérgio Lima

Orlando Gomes solando maravilhas ao violão

Orlando Gomes no Sarau na Pedra Só

Sandra Maria e Gilvar Vieira de Melo

Grupo Concriz faz um passeio pela obra de JIVM (Com o microfone, Maria Luiza)

Grupo Concriz cantando e recitando poemas de José Inácio Vieira de Melo

Glauce Souza

Júlio Lucas

Antonio Barreto

Jorge Café

Edmar Vieira

José Inácio Vieira de Melo e sua afilhada Vitória Almeida 
Vitória Almeida recita "Gênese", poema emblemático de JIVM

Elizeu Moreira Paranaguá recita poema em homenagem aos 50 anos de JIVM

Antonia Torreão Herrera

Gil e Aloisio Vieira de Melo Jr.

Gil, Sandra, Aloísio Jr., Gilvar e José Inácio

José Inácio Vieira de Melo e Antonia Torreão Herrera

José Inácio Vieira de Melo entre a estrada e a estrela

Irves Daniel, sua amiga, Xayane Galvão e Samyli Xavier - Grupo Concriz

José Inácio Vieira de Melo e Salgado Maranhão

Salgado Maranhão

Felipe Carvalho - Grupo Concriz

José Inácio Vieira de Melo na esteira do Infinito

José Inácio Vieira de Melo & Linda Soglia

José Inácio Vieira de Melo soltando um aboio - Gabriel Gomes captando a imagem

José Inácio, Linda, Moisés, Gabriel, Gil, Aloísio Jr., Sandra e Gilvar

José Inácio, Linda Soglia, Carlos Moisés e Gabriel Inácio

Luciano Duarte e José Inácio Vieira de Melo

Thiago Amud e José Inácio Vieira de Melo

Thiago Amud na noite da caatinga

Thiago Amud apresentando sua música singular no reino da Pedra Só

Lislane Gomes

Gabriel Gomes, Edmar Vieira e José Inácio - Compadres

Sarau na Pedra Só - 50 anos do poeta José Inácio Vieira de Melo

Amanhecer na fazenda Pedra Só

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A ESTRADA E A ESTRELA

Por Fernando Py

Fernando Py: "O novo livro de poesia de José Inácio Vieira de Melo, "Entre a estrada e a estrela" (Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2017), é uma novidade surpreendente. Composto de apenas dois poemas longos e complementares, 'O mundo foi feito pra gente andar' e 'Na esteira do infinito', revela um poeta que alcança seu máximo poético até hoje, podendo ombrear-se aos que já atingiram patamar semelhante, como Joaquim Cardozo, Gerardo Mello Mourão, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, etc. E isto devido a um trabalho cuidadoso de linguagem e expressão."

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

VERÔNICA DE VATE - FERNANDO MAROJA



Fernando Maroja Silveira nasceu em outubro de 1981, em Belém do Pará, Brasil e, em 2015, estreou nas letras com o livro de poemas Cinzas. Em 2016, participou da XX Feira Pan-Amazônica do Livro, bem como da antologia Impossível não te ofertar, com poemas de diversos autores em homenagem ao falecido poeta brasileiro Max Martins.
Em 2017, publicou o livro O escravo do vazio, pela editora Penalux, no qual perquire “dois desertos, dois extremos”, que têm como núcleos a areia e a estrela, que ao final são complementares de uma unidade cósmica. Sua poética eleva-se no canto da areia e seu objetivo é tornar-se a própria areia e ser “o escravo do vazio”, “a estrela no ventre da mãe, que o vento ainda não levantou da terra”. Neste poemário, os versos de Maroja são cavalos que galopam sobre ampulhetas e jogam areia no vazio.


TRÊS POEMAS DO LIVRO O ESCRAVO DO VAZIO, 
DE FERNANDO MAROJA SILVEIRA


O CANTO DA AREIA

Elevar-se,
mas não pela teia que prende as estrelas
na masmorra do céu.
Não pela escadaria do trovão,
desmantelada no galopar da chuva,
quando as gotas saltam como os cavalos,
para derrubar o homem
no tabuleiro de xadrez.

Elevar-se,
pelo canto da areia
e chegar ao topo da pirâmide,
onde apenas o extremo do vazio se equilibra:
ventania, bailarina.

Elevar-se
pelo canto da areia
e chegar ao deserto,
o único lugar fora do tabuleiro de xadrez.


O LIVRO FECHADO

Ao contrário do homem, o vento nada ignora. Para ele, o mais solitário grão de areia, na fronteira entre o visível e o invisível, é a estrela mais brilhante no céu.

Se o vento é invisível, ele é a prova invisível da limitação que nos aflige.

Sentimos a pele do vento e o amor nos seus dedos femininos, mas fechamos a janela para tudo que é invisível. Não sabemos amar sem ver o rosto da pessoa amada.

Ouvimos o barulho da sua voz, mas jamais compreenderemos a palavra. Ela se desfaz assim que é falada, esfarela-se no instante em que buscamos captá-la.

O vento parece um livro aberto, tocando-nos a pele com a ponta das páginas. Mas para o homem, ele é, e sempre será, o livro fechado.


A BAILARINA DA ESPERANÇA

Cafeína para estrelas é a noite, estrada para estrelas
 é a noite,
a flor se deitará em meus braços
na hora da morte,
quando a sepultura me suturar para sempre,
na teia da areia, no reino da areia.

A flor se deitará sobre o leito, abrindo as pétalas
para o beijo,
onde os laços unirão os lábios separados nos lados
opostos da folha de papel: vida
e morte.

Ímã de estrela é a noite, coquetel de estrelas
é a noite,
a sepultura enterrará o homem, mas a beleza florescerá,
na ponta dos pés contra o revés da morte,
equilibrando-se na teia da areia à esperança.

A flor é a bailarina da esperança
sobre a ruína humana,
como se a dança libertasse das pétalas as flechas,
na direção do céu.