terça-feira, 29 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
JIVM - TIA AURORA
Ilustração: Juraci Dórea
TIA AURORA
A
casa de tia Aurora é um lugar
dentro
do meu sentimento.
Tem
um curral, um imbuzeiro,
dois
bois vermelhos
e
um vento cheio de azuis.
Eu
lembro tanto da casa de tia Aurora.
Eu
só não lembro direito da tia Aurora.
Dizem
os mais velhos que ela
só
saía de casa de manhãzinha
e
que, apesar da cara de totem,
ela
era mesmo um mantra.
E
era só ela abrir a porta
que
o sol se espreguiçava,
os
passarinhos faziam piruetas
e
o dia sorria.
Tia
Aurora tinha esse jeito
de
começar!
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE
MELO
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
RESULTADO DO SORTEIO DO LIVRO PEDRA SÓ
O sorteio teve 47 participantes.
Os cinco contemplados foram:
Gilberto Carlos Benevides
Graça Garcia
Jarmil Sarmento Leal Junior
Nalva Nogueira
Sandra Rosa Moreira
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
SORTEIO DE CINCO EXEMPLARES DO LIVRO PEDRA SÓ
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| GANHE UM EXEMPLAR DO LIVRO PEDRA SÓ |
Caro
leitor, serão sorteados cinco exemplares do livro Pedra Só, do
poeta José Inácio Vieira de Melo.
1 - Para
participar do sorteio é preciso ser seguidor do blog Cavaleiro de Fogo.
Caso
ainda não seja um seguidor, aproveite para se tornar um (à direita, em SEGUIDORES).
2 - Em seguida, basta colocar seu nome completo e seu e-mail no espaço dos comentários desta postagem e responder a seguinte pergunta: Qual o título do texto feito pelo escritor português Gonçalo M. Tavares para a apresentação do livro Pedra Só?
COMO
SERÁ FEITO O SORTEIO:
Os
nomes dos participantes serão escritos em pequenos pedaços de papel, que serão
dobrados e depois serão colocados dentro de um copo. O copo será sacudido
várias vezes e depois serão retirados – um de cada vez – os cinco pedaços de
papel com os nomes dos sorteados.
O
resultado será divulgado aqui no blog. Após a divulgação, os vencedores deverão
mandar seus endereços para o e-mail jivmpoeta@gmail.com
***A
promoção é válida até o dia 17 de janeiro de 2013***
* Os
comentários desta postagem só serão liberados no dia 18 de janeiro *
* A
resposta para a pergunta do sorteio, você encontrará aqui no blog *
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
A ÍTACA DO SERTÃO E O DEMIURGO ENCOURADO
Por Vitor Nascimento Sá
Foto: Ricardo Prado
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| Vitor Nascimento Sá |
Num inequívoco diálogo com Gerardo Mello Mourão (Suíte do Couro), JIVM transmuta-se num centauro (ou, melhor dizendo, avigora essa conversão já presente nas obras anteriores), consolidando a união entre o vaqueiro e seu cavalo com a indumentária comum do couro, a vestimenta – “chapéu de couro, perneira e gibão” – que mescla a natureza dos dois seres num semideus, num re-criador de seu próprio universo. Mas, diferentemente do deus cristão, esse ser mitológico não molda o mundo com água, terra, barro. Constrói-o com o coice primordial com a “energia dos vastos verdes/ para os cascos velozes do centauro”, com sua “chibata de vergalhão de touro”; com as pedras e suas artes de ser “o silêncio que cresce (...) a fortaleza que derruba o gigante (...) o trono do rei e o pódio da cabra”; com as brasas da fogueira sempre em frente à casa da roça, “clareando/ a passagem dos vultos dos vaqueiros/ amontados nos ventos e aboiando”; e, principalmente, com o próprio couro que o compõe: “nas peles dos bois e dos carneiros/ os cantos do cego que inaugurou/ os sertões ocidentais”.
Paradoxalmente apolíneo (“Versos Carmesins”) e dionisíaco (“Templo”), o poeta das algarobeiras e do Roseiral, o cavalo-homem, partindo agora do couro, matéria de que forjou a si mesmo, recria o espírito, a memória, a língua, a casa, o país, a Terra, a pele morena do adolescente que foi e seu reino particular, seu paraíso, sua Troia e Ítaca: a Fazenda Pedra Só.
Vitor Nascimento Sá é poeta, gestor escolar, revisor e professor de
Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. É diretor e cofundador da Associação
Grupo Concriz: Poetas, Recitadores e Afins. Participa da antologia Sangue Novo: 21 poetas baianos do século XXI
(2011). Escapulário, seu livro de estreia, encontra-se no prelo.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
JIVM - VERSOS CARMESINS
Fotógrafo: Ricardo Prado
VERSOS CARMESINS
Cachorros
ganem dentro do desejo.
Cedo
aprendi que o céu é carmesim
e
que as mulheres debulham prazeres
tirando
as roupas como amendoins.
Vejo
tudo acontecendo daqui,
por
dentro das asas da matemática.
E
o que assusta, sob o negror da noite,
é
o corte dos dentes de tantas máquinas.
As
lembranças dos tambores da noite,
nas
quebradas dos verões carmesins,
são
açoites por dentro do esquecimento,
pedra
incrustada no meu trancelim.
Os
galos sempre souberam que o céu
tem
a grafia dos nomes que invento.
Chamo
“carmesim” e a nuvem compõe
um
cavalo alazão no pensamento.
E
a chama que queima na minha mão
e
fica rente ao rosto e vai pra dentro
do
corpo, bem dentro da tarde a dentro,
é
moldura e voz de cada momento.
No
circo da história, o destino toca,
ao
nordeste da vida, bandolim.
Debaixo
da algaroba do planeta
vou
criando meus versos carmesins.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
A SEDUÇÃO DA PEDRA SÓ
Por
Diogo Fontenelle
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| Diogo Fontenelle |
José Inácio Vieira de Melo rumina o viver tangido pela alma
que se descobre “nordestina”, em meio à agonia de ausências que resvalam em
sonhos derramados. Essa tessitura poética que captura o homem nordestino em seu
pacto com a esfera do Maravilhoso, vem lançar luzes ao milagre da vida,
feito espera/desesperança, desafio e paixão.
Pedra Só traz consigo, não apenas, um olhar sobre o viver
nordestinado, traz consigo o próprio ser nordestino desnudo em seu dialogar com
seus “eus” mais profundos. São miragens do boiadeiro solitário pelas veredas do
Além que afloram nessa poética que se faz – paradoxalmente – abissal e
estratosférica ao mesmo tempo, tal qual uma ave de arribação que sobe aos céus
para cortejar as estrelas e desce ao fundo dos mares em busca de mistérios
adormecidos.
Nesse tear de Encantamentos magnetizados por aboios e
parábolas, a Poesia afirma-se ao gritar mais alto, ancorada num verbal
universal aceso pelo radiografar do pensar, do sentir, do acreditar, e do
sonhar do homem nordestino em sua contínua comunhão com o Mais Além.
Eis, então, o poetar - feito acalanto e hino! – desse mago
alagoano/baiano que nos seduz ao mergulho pelas profundezas da alma humana em
seus abismos insondáveis. Portanto, nessa perspectiva de Transfiguração do Real
em Maravilhoso, que somente a Poesia ousa se aproximar com intimidade, cabe ao
feliz leitor abrir seu coração para a sinfonia da Pedra Só.
Diogo Fontenelle é poeta. Autor dos livros Enquanto o céu não cair (1981),
Insensório do anoitecer (1986), dentre outros.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
UM POETA EM ASCENSÃO
Por Fernando Py
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| Fernando Py: "José Inácio Vieira de Melo é um poeta em ascensão e que ainda poderá favorecer a literatura brasileira com uma obra poética de alto valor". |
Conheço
a poesia de José Inácio Vieira de Melo desde A terceira romaria (2005) e logo
me chamou a atenção o seu trabalho consciente da linguagem poética, quando já
esboçava uma expressão própria, mesmo voltado para as coisas simples do povo,
matéria essencial de seus poemas. Melhor dizendo, Vieira de Melo estava cônscio
de que o valor da linguagem expressa é fundamental para o desenvolvimento da
sua poesia. Pois em Roseiral (2010), embora continuasse a destacar o Nordeste,
o poeta, mantendo ainda o arsenal de visão telúrica e expondo suas vivências
rurais, já abre caminho para um erotismo mais livre, sem quaisquer disfarces ou
pudores. Esse erotismo está na base de sua ânsia de libertação dos padrões
arcaicos da sociedade provinciana, da revolta contra preconceitos e abusos de
todo tipo. Assim, no último livro que publicou, Pedra Só (São Paulo,
Escrituras, 2012), todas essas características estão presentes e desenvolvidas.
O volume se divide em cinco partes. A primeira é composta apenas pelos vinte e
sete textos do longo poema que dá título ao livro. ‘Pedra Só’ é um regresso às
origens do poeta, vividas no sertão. Ainda que já tenha rastreado suas
vivências mais remotas, Vieira de Melo realiza aqui uma estrutura poética mais
firme e intensa, com grande lucro poético. Ocorre o mesmo na segunda parte,
Aboio livre, onde o poeta restaura a paisagem em que viveu e agiu, em poemas
como ‘Escuta’, ‘Cordeiro de abril’, ‘Madrugada sertaneja’ e sobretudo na
obra-prima ‘Vozes secas’. Na terceira parte, Toada do tempo, Vieira de Melo
utiliza um verso mais medido e se detém nas considerações sobre a passagem do
tempo, onde avalia a sua finitude (principalmente em ‘Templo’), e no entanto se
percebe atemporal. Partituras, a quarta parte, é onde surgem as cantigas,
cânticos e os epigramas, entre os quais avulta o erotismo, ou melhor, o poema
‘Sonata das musas escarlates’, no qual se refere a algumas das mulheres que
amou. Na quinta parte, Parábolas, o poeta
acentua seu pendor ao surreal, mesclado a um certo misticismo, onde se
distinguem poemas como os que se intitulam ‘Parábolas’, ‘Mandalas’ e
‘Caligrafias’. Em resumo, José Inácio Vieira de Melo é um poeta em ascensão e
que ainda poderá favorecer a literatura brasileira com uma obra poética de alto
valor.
Fernando
Py é poeta, tradutor e crítico literário. Autor de vários livros, dentre eles Aurora
de vidro, Dezoito sextinas para mulheres de outrora, Sentimento da morte & Poemas anteriores. De suas traduções destaca-se Em busca do tempo perdido, de
Marcel Proust.
Artigo
publicado no jornal Tribuna de Petrópolis (RJ), no caderno Lazer, na página 5,
em 15 de novembro de 2012.
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