
O poeta traz os segredos da poeira.
Em sua mão pulsa o nó do espanto:
um sorriso bêbado de eternidade:
um poema.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

Com a mala cheia de insultos, ela guardou as dores no corpo e vestiu um poema barato, herança daquilo que nunca foi. Já de costas para o mundo, sem conto, romance ou novela, percebeu: restava-lhe abrir janelas. Era certo que, em algum lugar, uma nova vida sua amanheceria.
Escândalos dentro de quartos.Sonhos antes dourados. Era melhor existir assim: apenas linhas retas, traços em retratos. E se argumentassem que fugir não era necessário, responderia: tudo que desejo é ser passado. Apreciava estar perdida entre letras e mofos. Estrangeiro é aquele que dorme por toda a vida na cama dos outros.
Sem figurino não há personagem. Ajoelhada, volta os olhos para o céu e pergunta: por que afinal me abandonaste?A partir daquele dia ganharia um corpo para que fossem colocadas dores como vestígios. E, na semana seguinte, fugiria. Usando seu melhor vestido.
Foi dura a sua viagem: bilhetes perdidos, medo de nunca fazer parte. Um corpo dolorido: a pior das bagagens. Mas sabia que haveria o momento em que se tornaria protagonista de uma história em que o tempo não fosse inimigo. Circularia livre e feliz.Pelas páginas de um livro.
Com os anos, as rezas e buscas cessaram. Passaram a falar dela como se fosse ficção, não apenas um número na estatística de desaparecidos. Mas ninguém jamais esqueceu o que no pedaço de papel ficou para sempre escrito. Não, não há sonho que morra sem deixar vestígio.
RENATA BELMONTE

Renata Belmonte é advogada e escritora. Publicou os livros de contos Femininamente (Casa de Palavras, Prêmio Braskem Arte e Cultura 2003), O que não pode ser (EPP, Prêmio Cultura e Arte Banco Capital 2006) e Vestígios da Senhorita B (PP5, Cartas 2009) e participou das antologias Outras moradas (EPP, 2007) e Antologia Sadomasoquista da Literatura Brasileira (Dix, 2008).
Para seguir viagem com Carlos Barbosa é preciso de pouca coisa. Matalotagem e outros poemas da viagem tem de quase tudo. Que rumo iremos tomar? Qual o destino? Não importa! A bússola do nosso timoneiro tem como norte magnético a poesia.
Sapiranga ConVida
Num de seus mais belos poemas, “Traduzir-se”, Ferreira Gullar nos diz “uma parte de mim é só vertigem/ outra parte linguagem”.
Mayrant Gallo (BA), Márcio Souza (AM), Guiomar de Grammont (MG), José Inácio Vieira de Melo (AL - BA), Ronaldo Correia de Brito (CE - PE) e Lima Trindade (DF - BA). Fotógrafo: Ricardo Prado (MG - BA)
José Inácio Vieira de Melo, Guiomar de Grammont e Mayrant Gallo
Márcio Souza, autor dos romances “Galvez – imperador do Acre” e “Mad Maria”; Lima Trindade, autor dos livros de contos “Todo sol mais o espírito santo” e “Corações blues e serpentinas”; José Inácio Vieira de Melo, autor dos livros de poemas “A terceira romaria” e “A infância do centauro”; Ronaldo Correia de Brito, autor do livro de contos “Faca” e do romance “Galiléia”; e Mayrant Gallo, autor do livro de contos “O inédito de Kafka” e do livro de poemas “Recordações de andar exausto”.
Em pé: Mayrant Gallo e Ronaldo Correia de Brito. Sentados: José Inácio Vieira de Melo, Lima Trindade e Márcio Souza. Fotógrafo: Ricardo Prado.
DAMÁRIO DACRUZ é Soterocachoeirano, nascido em Salvador e Cidadão da Cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano. Poeta, fotógrafo, jornalista, publicitário e produtor cultural. Graduado pela UFBA e pós-graduado pela UNIFACS em comunicação. Faz poesia há 40 anos, começou em 1968, quando recebeu o prêmio de revelação da Seliba. Liderou movimentos de cultura e arte na universidade. Lutou pela Anistia política e contra a ditadura, foi editor de vários jornais de cultura, diretor de literatura da Fundação Cultural, sindicalista, gerente, coordenador de comunicação publicitária de empresas nacionais e multinacionais. Fotógrafo com várias exposições no Brasil e no exterior Sua poesia se espalha por centenas de jornais, revistas, sites, blogs e paredes da América Latina. Muitas. Prêmios, conferências e viagens a muitos lugares distantes e por diversas vezes. Três livros e mais de 30 posters-poemas publicados. Criador e coordenador- geral do Pouso da Palavra, espaço de arte, cultura e comunicação, em Cachoeira. Pertence a geração de poetas da Bahia dos anos 70/80. Atualmente exerce o cargo de coordenador de propaganda do Governo da Bahia.
CERTO VÔO
Cada
pássaro
sabe
a rota
do retorno.
Cada
pássaro
sabe
a rota
de si.
Cada
pássaro,
na rota,
sabe-se
pássaro.
DAMÁRIO DACRUZ
17/04 - José Inácio Vieira de Melo
17/04 - Barná Cardoso, Raiça Bomfim e Gibran Sousa
17/04 - Antônio Barreto e Franklin Maxado
¹7/04 - Edgar Velame e Ivan Maia
18/04 - Leandro Tranquilino e Paraíba da Viola
19/04 - Marcus Vinicius Rodrigues, Martha Galrão e Nívia Maria Vasconcellos
21/04 - JIVM recitando entre a platéia
21/04 - Gina Alves, Ivana Karoline, Caroline Brito e Matheus Machado (Grupo Concriz - poetas, recitadores e afins, da cidade de Maracás)