sexta-feira, 8 de março de 2013

13ª SEMANA DE POESIA DO MORRO DE SÃO PAULO


13ª Semana de Poesia do Morro de São Paulo
(De 8 a 14 de março de 2013, na Praça do Artesanato)
Coordenação: Ângela Toledo
                             
PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
08/03 – SEXTA-FEIRA : Dia Internacional da Mulher
14:00Hs - Oficina de  reciclagem para confecção de Máscaras
18:00Hs - Ciranda da Mulher-Menina/Entrega de certificados às Mulheres de Honra
20:00Hs - Prosa com o Poeta, convidada: Celeste Martinez (Valença)
21:00Hs – Sarau/palco  livre.         
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09/03 – SÁBADO
14:00Hs – Oficina de Cordel  com Antonio Carlos de Oliveira Barreto
18:00Hs – Apresentação dos trabalhos da biblioteca comunitária (Neli)
20:00Hs – Prosa com o Poeta, convidados: Antônio Barreto e Elizeu Moreira Paranaguá
20:40Hs – Recital: “O cordel de Barreto e a metafísica de Elizeu”
21:10Hs – Sarau/palco livre.
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 10/03 – DOMINGO
14:00Hs – Oficina de reciclagem para confecção de instrumentos musicais.
18:00Hs – Ciranda de Leitura para crianças com Rosemar
20:00Hs – Prosa com o Poeta , convidado: José Inácio Vieira de Melo
20:30Hs  - Recital “Os aboios e as parábolas da Pedra Só”, com JIVM
20: 50Hs – Lançamento do livro “Pedra Só” de José Inácio V. de Melo
21:10Hs – Sarau/palco livre
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11/03 – SEGUNDA-FEIRA
14:00Hs – Oficina de poesia com o poeta José Inácio Vieira de Melo
18:00Hs – Ciranda de leitura para crianças (Biblioteca, COM Neli e Rosemar)
20:00s – Prosa com o Poeta convidada: Amália Grimaldi
21:00Hs – Sarau/Palco livre
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12/03 – TERÇA-FEIRA
14:00Hs – Oficina de Reciclagem com o “Ateliê Mãos de Luz”
18:00Hs – Colégio Nossa Senhora da Luz, com Edson Mendes
20:00Hs – Prosa com o Poeta, convidada: Núbia Paiva.
21:00Hs – Sarau/Palco livre
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13/03 – QUARTA-FEIRA
14:00Hs – Oficina de poesia com Núbia Paiva
18:00Hs – Biblioteca Comunitária e Ciranda de leitura para crianças.
20:00Hs – Prosa com o Poeta,convidada: Ângela Toledo e Lázaro Lopez.
21:00Hs – Sarau/palco livre.
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14/03 – QUINTA-FEIRA (Aniversário do Poeta Castro Alves de Dia Nacional da Poesia)
14:00Hs – Oficina Geral Resgate da Mémoria Popular (Cirandas ,cânticos,ditos)
18:00Hs – Apresentação do Grupo Kilombolas “Os Versos da Capoeira”, Mestre Carlito Santos.
20:00Hs – Recital de poemas de Antônio Frederico de Castro Alves,com BillY Well.
21:00Hs – sarau/palco livre – Fechamento da 13ª Semana de Poesia com entrega de certificado aos Cavalheiros de Honra de M.S.P.
  
Obs.: As oficinas serão realizadas no salão da Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz e as apresentações na praça principal. Itens sujeitos a alterações.


sábado, 2 de março de 2013

A FOLHA E O ESPINHO NA POESIA DE JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO


Por Ronaldo Correia de Brito

 Ilustração: Juraci Dórea
"O espinho e a folha como símbolos da poesia de José Inácio: lirismo e sobrevivência, beleza e alimento " 

José Inácio Vieira de Melo me deu seu livro Pedra Só com duas lembranças da fazenda onde ele se esconde: um espinho de mandacaru e uma folha de algarobeira. Servindo de marcadores entre as páginas e os poemas, interpretei o espinho e a folha como símbolos da poesia de José Inácio: lirismo e sobrevivência, beleza e alimento.
Uma vez por ano, na paisagem nordestina, o mandacaru se cobre de flores brancas, que exalam perfume embriagador e duram apenas uma noite. Abrem quando o sol se põe e mal o dia começa a clarear elas murcham. Parece a representação do fugaz. As longas pétalas e sépalas expõem a sexualidade floral do androceu e gineceu, celebram núpcias de algumas horas e depois se fecham e morrem. Uma floração passageira, diferente do mandacaru que teima em sobreviver ao estio, por anos e anos.
O cardeiro plantado na fazenda Pedra Só lembra a poesia de José Inácio. Mas os versos se espraiam bem além das antíteses entre espinho e flor, acutilada e afago, devassidão e ascese.

“Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado”.

Zé Inácio não traçou meu roteiro de leitura. O livro abundante em memórias de gregos não possui um fio de Ariadne. O poeta não me revelou nada além da poesia e seus signos, de um espinho e uma folha, plantados como enigmas em meio às páginas. 
Ao acaso descubro na página 21 a folha da árvore mágica sertaneja, a algarobeira, “sempre verde ao chão vermelho, floreando mel sobre o voo das abelhas, poleiro das galinhas e das estrelas, maná de vagens amarelas, santa, santa, santa...”.  Zé Inácio compôs para a árvore santificada uma litania de ecos, sons nutrizes como os frutos da algaroba, poesia alimento, concreta, antítese do efêmero representado pela flor do cardeiro.
À sombra da árvore onde descansam cavalos, e cabras mitigam a fome, e agrônomos se queixam das raízes que chupam a água do solo e o empobrecem, e professores distribuem rações de sementes como se fossem chocolates aos alunos, e cães cochilam esquecidos, ali, resguardado à sombra, o poeta pensa em mulheres e sexo.

“Incrustadas por brasas aflitas
as fêmeas se enlaçam aos machos
e afloram gerações e gerações
           para desfolhar as pedras de Deus”.

E chegam para visitá-lo os poetas que o acompanham no exercício de sentir o mundo, a corporação de ofício de que fazem parte Ruy Espinheira Filho, Francisco Carvalho, Gerardo Mello Mourão, Florisvaldo Mattos, Mariana Ianelli, Bob Dylan e tantos outros danados, porque Zé Inácio nunca fica sozinho, o exercício da poesia é para ele o encontro com pessoas e música, para ouvi-las e pedir que escutem seus aboios. Também chegam os filhos Carlos Moisés e Gabriel Inácio, os compadres Gabriel Gomes e Ricardo Prado, o pai mandando por fogo na mata, o vento da Ribeira do Traipu e a madrugada sertaneja, vozes secas, aboio livre, outono e chuva de Páscoa. Chegam excitados e solenes e sentam enquanto esperam o banquete de poesia que será servido nas páginas de Pedra Só.

“Só tua boca pode receber este mel
e conhecer as liturgias das areias
e saborear o sangue das origens
           no cálice que transborda nesta mesa”. 

Ronaldo Correia de Brito é dramaturgo, contista, romancista, documentarista, médico e psicanalista. É autor dos livros de contos Faca, Livro dos homens e Retratos imorais, além dos romances Galileia e Estive lá fora.

Artigo publicado no Jornal A Tarde, no Caderno +2, na página 3, em Salvador-BA, em 2/3/2013