terça-feira, 1 de maio de 2012

JURACI DÓREA E JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO: TRADUTORES DE POÉTICAS E SERTÕES

Por Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva

Juraci Dórea e José Inácio Vieira de Melo

Dórea e JIVM¹ constroem um modo de comunicação que não se limita apenas à tradução imagética e de versos: seja quando o poeta tenta ilustrar com palavras o que a tela expressa, no trabalho de compor vídeopoemas; seja quando o artista plástico esboça em tinta o que a imagem-palavra talvez queira dizer, no trabalho de ilustrar obras literárias. 
No YouTube, desde outubro de 2009 que Inácio possui Canal denominado JIVMROSEIRAL², espaço a partir do qual disponibiliza poemas declamados, organizados em pequenos vídeos, em que som/voz/imagens formam uma tríade de signos que se ultrapassam a si próprios e são capazes de ir além de cânones e limites literários ainda vigentes. 
Por esse entrelace, outros elementos são agregados ao texto poético, como entonação, gestualidade, expressões faciais e corporais etc., além dos recursos midiáticos e tecnológicos aos quais é preciso lançar mão quando da montagem dos vídeos. Hoje as narrativas que não são feitas única e exclusivamente com as marcas da escritura, como os vídeopoemas, desenham os contornos de uma espécie de gênero que vem dinamizando o cenário das letras em meio à era do virtual³. Neste sentido, o professor Luciano Rodrigues Lima nos faz refletir tanto sobre novas estéticas quanto sobre política e economia culturais/editoriais, ao informar que: 
o videopoeta recriará seu texto com os recursos digitais do computador e será seu próprio editor e distribuidor (desempenhando os papeis de editora e distribuidora/livraria) pois lançará o seu trabalho na rede, o qual será exposto em uma grande livraria/vitrine eletrônica (LIMA, 2008, p. 5). 
As imagens de sertão que Dórea e JIVM compartilham ultrapassam o registro das feições físicas e ideológicas fortemente propagadas pelos meios de comunicação de massa (e não só) há muito tempo e que continuam a “moldar” determinadas identidades locais: do conformismo que não encontra forças para nada, além de cruzar os braços diante das adversidades (como a seca), até chegar ao extremo da representação do sertão estereotipado, como um retrato desfocado e que se molda de fora pra dentro. Vejam-se abaixo imagens e texto dos dois artistas, respectivamente: 

 (JURACI DÓREA, 2010) 

 (JURACI DÓREA, 2010) 

JARDIM DOS MANDACARUS

Em verdade conheço o sol desse lugar,
uma agreste paragem de chão rachado – solo sagrado
De noite, o vento corre pelo jardim trazendo algum frescor
somente um olor-semente exala dessa flor,
vida da pouca vida, mas forte mais.

Além da sombra da cumeeira donde estou e sou,
assunto o que sobrou: uma ode à própria vida.
E nos tortos caminhos desse jardim de mandacarus
espicharei os secos sentimentos para apurar as emoções... (...)

(JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO, 2007, p. 84) 

Pelo azul-branco-preto matizado nas imagens de Dórea se (entre)vê um sertão de pássaros e peixes, de flor e gado, luminosidade de lua e noite, de sol e candeeiro, das moradias que se formam em torno de igrejas (herança ancestral), da alegria das festas juninas, signos que figuram ao lado de tradições religiosas (cristão/pagãs) e culturais, de um povo que reza e faz promessas (ex-votos), que cultua o misticismo do boi/vaca estrela ou os poderes da cachaça feita com raízes e cobras, sem esquecer das lutas do cangaço, que tanto afastou quanto uniu os sertanejos. Na primeira imagem cabe também a morte/seca (esqueleto de boi) e a aspereza do mandacaru, em registro de outras lógicas. Na segunda imagem, além do sertão amoroso (corações), farto em cajus e plantas resistentes, há espaço ainda para o amor a Feira de Santana/BA, o que Juraci confirma em entrevista, ao dizer que: 
Retomo os temas de Feira de Santana: vaqueiros, Festa de Santana, vaqueiros no asfalto, esta canção cruzando o urbano com o rural, lendas de Feira de Santana... Este trabalho está mais definido do ponto de vista formal, já é um estilo e o tema bem consolidado, que é o tema de Feira de Santana. Essa fase vem, em 1974/1975 (...) (TODERO, 2004, p. 7). 
Já pelos versos de JIVM supracitados, a seca encontra registro no jardim possível do sertão –, um reduto de mandacarus que geram brisa junto à noite, vida em flor (apesar de frágil/rarefeita, ainda assim forte) e que ajudam a “espichar sentimentos e apurar emoções” (2007, p. 84). 
Por essas tintas/palavras há exemplos do que se pode fazer para sobreviver no sertão: de “chão rachado” a “solo sagrado”, equivalência despropositada que faz pensar na fé e esperança sertanejas. 
A mesma equivalência se observa entre “Jardim dos mandacarus” (título do poema de JIVM, imagem/símbolo de sertão que guarda beleza apesar dos espinhos) e os povos dos sertões, que aprenderam a conviver com todo tipo de escassez e que precisam ainda das armaduras feitas de couro (como os vaqueiros) para enfrentar as lides diárias. 
Vladimir Queiroz, como Juraci Dórea (e suas esculturas de couro e madeira – Projeto Terra), também investe nesta imagem da pele dos animais sendo usada para proteger os sertanejos (Apokálupsis, 2006). 
Por baixo das mil vestes de proteção a singeleza desses povos se revela: lucidez para compreender a vida avara e ainda assim continuar cultivando jardins possíveis no sertão, nem que seja com mandacarus que também dão flor. 
Eis a inversão proporcionada pelos dois artistas, ao nos dar a ver outras faces pouco conhecidas desse cenário/sertão pintado quase sempre de cores secas, arte que pinta o comum já visto com tons reveladoramente incomuns. 
Tanto JIVM –, o poeta da palavra, quanto Dórea –, o artista polivalente em muitas poéticas, oferecem exemplos distintos e ao mesmo tempo confluentes de artes que se dedicam a ouvir/registrar a voz local/ancestral para, mais uma vez, fazê-la reverberar em outras vozes/memórias dos sertões. Cid Seixas nos proporciona refletir sobre o assunto, ao tratar do poema “Rural” (In: A terceira romaria, 2005, p. 38) e afirmar que: 
Ora, o verso do catingueiro Inácio insiste: “Eu vou pra roça, lá o documento é a palavra.” Se na cidade são os documentos que valem em lugar do homem, os debêntures, as letras de câmbio, os títulos legais; no campo, podemos viver esquecidos de toda esta parafernália infernal. Na roça o homem é a sua palavra (2010, online). 
Nota-se, aqui, sobretudo na última frase de Seixas, que os versos de JIVM remetem à memória de um tempo passado, quando a palavra representava valores que foram sendo perdidos à medida que as técnicas de escrita evoluíram e se sofisticaram. 
Ir para a roça e viver esse privilégio raro de (re)ver a voz ainda valer como documento, mostra-se como um oásis, mas não em tom passadista ou de nostalgia. Talvez os versos de Melo estejam nos mostrando que ainda existem espaços assim no mundo, com outras lógicas, outros costumes e não menos importantes que quaisquer outros, onde a palavra, a voz e suas tradições valem tanto quanto qualquer outro documento. 


NOTAS:
1 - JIVM – abreviação para José Inácio Vieira de Melo. 
2 - Há também entrevistas nesse espaço virtual. 
3 - Como são exemplos áudio livros e livroclip, respectivamente nesses links: 
http://www.universidadefalada.com.br/audiolivro.html 
e http://www.livroclip.com.br/ 


Capítulo do ensaio Imagens do Sertão: diálogo entre as artes de Juraci Dórea e as literaturas de José Inácio Vieira de Melo, Adriano Eysen e Vladimir Queiroz, de Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva, Professora Doutora da área de Letras/Literaturas (de Graduação e Especialização) – UNEB, Campi XXII e XIV, apresentado no III EBECULT – III Encontro Baiano de Estudos em Cultura, em abril de 2012.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

JIVM - 44 - CORDEIRO DE ABRIL

Foto: Ricardo Prado


CORDEIRO DE ABRIL
  

Eu sou filho de Abril,
um deus do calendário
que traz no semblante
trinta sóis a contemplar
meus quarenta rubis.

Nasci no seio de Abril,
por isso esta cor rubra,
esta atitude vermelha,
este desejo encarnado.

Circulo nos veios de Abril,
faço parte da claridade,
da brisa que atravessa
o sertão das palavras.

Eu sou filho de Abril
e apascento as roseiras
no verdor das horas.

Sou o cordeiro e o signo
tangendo a si próprio
como quem tange
para bem longe
o pensamento.

O cordeiro de Abril,
que vivencia pecados
e inventa mundos
por onde passear
de tardezinha.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

terça-feira, 10 de abril de 2012

VERÔNICA DE VATE - JOTACÊ FREITAS

Jotacê Freitas é pseudônimo de José Carlos de Freitas, natural de Senhor do Bonfim, Bahia, nascido a 06 de março de 1964. Seu interesse pela literatura surgiu aos 15 anos, tendo conhecido o Cordel através da mãe, Dona Izabel, que comprava folhetos sobre Padre Cícero, Lampião e Bocage. Iniciou sua obra com versos livres e publicou seis livros em que experimenta desde o concretismo ao hai-kai e recebeu prêmios da ACLASB – Academia de Ciências, Letras e Artes de Senhor do Bonfim. Dirigiu e escreveu espetáculos teatrais recebendo prêmios por atuação e direção no Grupo Teatral Nós-Nas-Tripas. Tem mais de 100 folhetos publicados e venceu o Prêmio Nacional de Literatura de Cordel - 2005 da Fundação Cultural do Estado da Bahia, com Panvermina e Zabelê nas quebradas do Sertão; e o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré, promovido pelo MINC, com o romance O Rei Cego e os Filhos Maus. Também foi repórter nos jornais O Lapa-pau, Nossa Gente, Correio dos Sertões e Jornal de Juazeiro. Fez graduação em Pedagogia na UNEB; iniciou o curso de Letras na UFBa e foi pesquisador do PEPLP – Programa de Estudos e Pesquisas da Literatura Popular e Diretor da Comissão Baiana de Folclore. É especialista em Artes na Educação pela FAAC-ES. Atualmente exerce a função de professor Arte-educador na Rede Municipal de Salvador.

Jotacê Freitas e Luiz Natividade abrirão a quinta temporada do projeto Uma Prosa Sobre Versos, na cidade de Maracás, no Vale do Jiquiriçá. O evento acontecerá no dia 13 de abril, às 19 h 30 min, no Auditório Municipal de Maracás, com entrada gratuita. Os dois cordelistas serão homenageados pelos grupos Concriz, da cidade de Maracás, e Flor de Mandacaru, da cidade de Planaltino, que recitarão seus cordéis. O evento será aberto pelo Grupo Luzeiro, liderado pelo violeiro Nel velame. Após os recitais, Jotacê e Natividae baterão um papo com José Inácio Vieira de Melo e responderão as perguntas da plateia.

No dia seguinte, 14 de abril, os dois cordelistas participarão do projeto Palavra de Poeta, na cidade de Planaltino, onde serão recebidos pelos grupos de recitadores da cidade: Grupo Renascer e Flor de Mandacaru. E muito mais. Eventos imperdíveis!



OUVIDO VIROU PENICO NAS CIDADES DA BAHIA!


Meu ouvido penico
Diz o dito popular
Quando alguém muito irritado
Resolve enfim se queixar
Do barulho promovido
Por outro em qualquer lugar.

A Bahia em geral
Tem produzido barulho
E nossa Lei do Silêncio
Não dá conta do embrulho
Que a Poluição Sonora
Tá virando um entulho.

Começa com as buzinas
Nas vias e cruzamentos
Por pura infantilidade
Buzinam a todo momento
Com pressa ou necessidade
De vender o equipamento.

Outro dia aconteceu
De um barbeiro reclamar
Da buzina em sua porta
Que estava a incomodar
Perguntou se estava à venda
Pois ele iria comprar.

Retado com a pergunta
O dono ameaçou
Ir em casa buscar arma
E em seguida voltou
Entrou na barbearia
E o barbeiro matou.

A barbárie está de volta
As pessoas estressadas
Trabalho engarrafamento
As ruas esburacadas
A gentileza não existe
Até a Paz anda armada.

Vizinhos não se respeitam
Cada qual faz o que quer
O som alto o futebol
A briga com a mulher
Cães latindo papagaios
E demonstrações de fé.

A educação de berço
Algo que antes se tinha
Nas famílias regulares
É coisa que se definha
O bom senso já morreu
A ignorância é rainha.

Sua liberdade finda
Aonde a minha começa
Você quer ouvir som alto
Mas a minha não é essa
Seja em casa ou na rua
Licença por favor peça.

Sabe-se que é ilegal
Mas isso virou mania
Entre jovens e coroas
Aqui em nossa Bahia
O importante é estar
Ouvindo pornofonia.
                            
Isto em todo o estado
Leste Oeste Norte e Sul
Senhor do Bonfim Juazeiro
Alagoinhas Gandu
Barreiras e Itabuna
Em Lençóis e Camamu.

Nos incomodam nos ônibus
Ouvindo no celular
Música no viva-voz
Estridente de lascar
Obrigando a todo mundo
O seu barulho escutar.

Não se pode cochilar
Relaxar o pensamento
Durante toda a viagem
É um verdadeiro tormento
E às vezes há disputas
Entre os filhos de jumento.

Vivem no tempo antigo
Do rádio consola-corno
Pois o fone-de-ouvido
É pra evitar transtorno
Você ouve a sua música
Sem incomodar o entorno.

Mas baiano como dizem
Gosta de aparecer
Quer mostrar o aparelho
Ligado pro outro ver
A potência que ele tem
E o som que lhe dá prazer.

Funk pagode e axé
Até gospel evangélico
Rap exalta marginais
Arrocha e forró elétrico
Jornalistas locutores
São muito maquiavélicos.

‘Empurram’ diariamente
Merda nos alto-falantes
Deixando o povão ‘ligado’
No baixo nível gritante
‘Ou tão mal intencionados
Ou são muito ignorantes’.

A Bahia só isso
Outros sons por aqui tem
MPB rock’n roll
Samba-de-roda também
Pé-de-serra e instrumental
Mas só tocam o que convém.

Mandam aumentar o som
Ouvir a todo volume
Com violência sonora
Pra escorrer o chorume
Se não gostar de barulho
Você que se acostume.

É carro de cafezinho
Propaganda em bicicleta
O camelô dos CDs
A putaria decreta
A rádio comunitária
Toca música indigesta.

Por isso os motoristas
Instalam um som potente
E como os donos do mundo
Abrem o fundo bem em frente
À casa de qualquer um
Que seja honrado e decente.

E a rua vira um brega
Não importa o horário
Dia noite ou madrugada
Se juntam os voluntários
Periguetes e putões
Nos fazendo de otários.

Ninguém pode reclamar
Pois tem medo de morrer
Com pessoa ignorante
É melhor não se meter
E esperar que a Prefeitura
Possa uma atitude ter.

As leis até que existem
Mas ninguém as faz cumprir
A SUCOM trabalha pouco
Com a equipe pra agir
A Polícia não se mete
O Detran nem tá aí.

E o carnaval continua
Durante todo o ano
Os carros fazem barulho
E os motoristas insanos
Enchem a cara de cervejas
Pra atropelar fulano.

Os psicólogos falam
Que esta exibição
É para ocultar problema
Que eles têm com a ereção
E mostram a sua potência
No carro com o sonzão.

Em frente à minha casa
Um carro desses parou
Pedi pra baixar o som
E o miserável não baixou
Me acocorei no carro
Fiz cocô no seu capô.

Ele se incomodou
Com a atitude que eu tomei
Quis brigar no meio da rua
E eu me justifiquei
Ele caga em meu ouvido
No carro dele eu caguei.

Aqui eu faço um apelo
Não transforme o meu ouvido
Em penico auricular
Não me deixe coagido
Aceite a evolução
Use o fone-de-ouvido.


JOTACÊ FREITAS

segunda-feira, 9 de abril de 2012

VERÔNICA DE VATE - LUIZ NATIVIDADE

Luiz Natividade é natural  de Junqueiro, Alagoas, nasceu em  07 de maio 1961, filho de Benicio Natividade Costa e Maria Edite Costa. Veio para a Bahia para estudar e por aqui ficou. Foi batizado e registrado como JOSE LUIZ COSTA, depois entrou na justiça para ratificação de documentos, solicitando o sobrenome da família, NATIVIDADE, que seu pai, por falta de instrução, não o colocou na sua certidão de nascimento. Teve uma infância feliz no Sítio Vazia de Cima, onde morou até os 6 anos de idade, vendo as festas populares, como Guerreiro, Diana, Chegança e Reisado. Depois seu pai transferiu a família para a cidade de Junqueiro, Alagoas,  em 1966. Aprendeu com o tio, a fazer suas primeiras cordas de palha de coqueiro e colher da pau. Passava suas tardes na carpintaria do mestre Manoel Marques, homem de inteligência brilhante, Mestre de obras, Carpinteiro, incentivador da cultura popular na Cidade. Cresceu vendo sua Mãe riscando, desenhando, costurando e bordando  roupinhas de bebê. Isso contribuiu para sua formação de desenhista. Iniciou seus estudos na Cidade de Junqueiro.   ABC na escola RURAL; depois no  Padre Aurélio Góis;  e a seguir no  Ginásio Nossa Senhora  Divina Pastora. Em 1980 muda-se para Salvador, onde completou seus estudos. Formado em Artes Plásticas, pela  UFBA  (Universidade Federal da Bahia), Escola de Belas Artes, em 1993. Realizou mais de 50 exposições nos seus 30 anos de arte. Sua primeira foi na cidade de Castro Alves, BA, em 1985  a convite do artista plástico Balbino Azevedo; a segunda, na sua cidade Natal, Junqueiro, AL, em 1985. Idealizador do projeto Natividade de Xilogravura, levando essa arte milenar aos quatro canto do Brasil, fazendo cursos, oficinas e palestras de xilogravuras. Tornou-se empreendedor individual em 2010 com literatura e cordel, trazendo a Mini Literatura de Cordel e o manual de xilogravura. Poeta, desenhista,  pintor, xilogravador e escritor, já escreveu os cordéis Marieta que eu vi viver, O homem da mesa, Manual de Xilogravura - uma idéia feita a mão, O orgulhoso que tropeçou na sorte, O Mendigo que virou Senador, Junqueiro minha vida  e vários outros. Mantém o blog www.natividadexilo.blogspot.com, onde divulga seus trabalhos. 

Luiz Natividade e Jotacê Freitas abrirão o quinto ano do projeto Uma Prosa Sobre Versos, na cidade de Maracás, no Vale do Jiquiriçá. O evento acontecerá no dia 13 de abril, às 19 h 30 min, no Auditório Municipal de Maracás, com entrada gratuita. Os dois cordelistas serão homenageados pelos grupos Concriz, da cidade de Maracás, e Flor de Mandacaru, da cidade de Planaltino, que recitarão seus cordéis. O evento será aberto pelo Grupo Luzeiro, liderado pelo violeiro Nel velame. Após os recitais, Natividade e Jotacê baterão um papo com José Inácio Vieira de Melo e responderão as perguntas do público.

No dia seguinte, 14 de abril, os dois cordelistas participarão do projeto Palavra de Poeta, na cidade de Planaltino, onde serão recebidos pelos grupos de recitadores da cidade: Grupo Renascer e Flor de Mandacaru. E muito mais. Eventos imperdíveis!

LUIZ NATIVIDADE EM ATIVIDADE:





segunda-feira, 2 de abril de 2012

PROJETO UMA PROSA SOBRE VERSOS 2012 - ANO V




PROJETO UMA PROSA SOBRE VERSOS 2012 – ANO V
Coordenador: Edmar Vieira
Curador: José Inácio Vieira de Melo

13 de abril – Jotacê Freitas (BA) e Luiz Natividade (AL/BA)

11 de maio – Martha Galrão (BA) e Raimundo Gadelha (PB/SP)

8 de junho – Iolanda Costa (BA) e Júlio Lucas (BA)

3 de agosto – José Geraldo Neres (SP) e Lívia Natália (BA)

14 de setembro – Iracema Macedo (RN/RJ) e José Inácio Vieira de Melo (AL/BA)

sexta-feira, 30 de março de 2012

12ª SEMANA DE POESIA DO MORRO DE SÃO PAULO - REGISTROS

Morro de São Paulo – BA, 8 a 14 de março de 2012
Fotógrafo: Pierre L'eplattenier


Ângela Toledo anunciando a noite de poesia - 10/03/2012

Ângela Toledo - Bobo do Morro - 10/03/2012

Ângela Toledo e José Inácio Vieira de Melo - 10/03/2012

Gabriel Inácio a ouvir seu pai recitar - 10/03/2012

José Inácio Vieira de Melo - 10/03/2012

JIVM e Carlos Moisés - 10/03/2012

Carlos Moisés - 10/03/2012

Ângela Toledo e José Inácio Vieira de Melo - 10/03/2012

José Inácio Vieira de Melo - 11/03/2012

JIVM - 11/03/2012

Ângela Toledo - Poeta do Morro - 11/03/2012

José Inácio Vieira de Melo, Castro Alves e Ângela Toledo - 11/03/2012

Gente - 11/03/2012

Ricardo Vidal - 12/03/2012

Adriano Pereira - 12/03/2012

Ricardo Vidal, Ângela Toledo e Adriano Pereira - 12/03/2012

Ângela Toledo - Dama do Morro - 13/03/2012

Ângela Toledo - Rainha do Morro - 14/03/2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

EL PEINE QUE TE PEINA O LA GRAMATICA DE LOS COLORES

Por Jesús Gómez Morán

Comentario a “En la otra orilla del silencio”

Que la figura de Fernando Pessoa (junto con la de Mário de Sá-Carneiro) eclipsa todo el panorama de la poesía en lengua portuguesa perteneciente al siglo XX es tan evidente que su sombra ha caído incluso sobre otros autores lusitanos de este mismo periodo. Y la respuesta a tal hecho, de este lado del Atlántico, ha sido doble. Por un lado la tradición poética brasileña ha legado nombres de la talla de Manuel Bandeira, Mário y Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade y Cecília Meireles quienes constituyen una generación áurea a la que posteriormente habrán de unirse João Cabral do Melo Neto, Lêdo Ivo y Haroldo de Campos: es decir, lo que en Portugal se presentó con dos nombres que acapararon la atención del llamado “Modernismo” (que correspondería al movimiento de vanguardia tanto lusitano como brasileño), en Brasil arrojó una pléyade de poetas colosales.
Por otro lado, habría que considerar que en el entorno de la cultura popular la tradición lírica brasileña ha aportado un amplio listado de auténticos trovadores de la talla de Vinícius de Morães, Milton Nascimento, Chico Buarque de Holanda (quien además es novelista), Caetano Veloso y un largo etcétera que sería prolijo enumerar aquí. Sin embargo la mención permite destacar un par de cualidades de esa gramática de colores que de por sí detenta la tradición poética de Brasil: la cadencia y la sonoridad. Y esto se constata con este libro que la curiosidad intelectual, pero sobre todo la empática afición de Fernando Reis (juntando el nombre y el apellido de uno de los heterónimos de Fernando Pessoa) como editor y con su propio trabajo como traductor ha entregado. Pongo un ejemplo del poema “Sete irmãs” de José Inácio Vieira de Melo:

Essas sete musas mal-assombradas
de cabeleiras ruivas, encardinadas,
são santas de bocetas encarnadas
trazem entre as mãos minhas sete vidas.

As cabeleiras ruivas dessas musas
são trepadeiras místicas en rito,
um anelo claro como um oráculo
a escalar as formas breves do mito.

São sete noites vividas por Borges,
são sete fadas da ilha de Lesbos,
são sete acordes de Joaquin Rodrigo,
são sete facas de Aderaldo, o Cego.

El caso es que, como se dice popularmente, en esta obra compilada por José Geraldo Neres se juntaron el hambre con las ganas de comer. En el trabajo de todos los colegas se conjuntó la autenticidad y la acuciosa dedicación para intentar que las cualidades señaladas de este tipo de poesía se mantuvieran al ser vertidas al español. En cuanto a mi participación, tengo que agradecer a Fernando hacerme cómplice en esta aventura que me llevó a refrescar mis clases de portugués en el CELE. Sintiéndome contento, aunque no satisfecho del todo con el resultado, tengo que reafirmar esa idea de que todo poema es revelación y misterio, y de los poemas de los excelentes autores que son Beatriz Bajo y Marco Vasques, puedo decir que al traducirlos se reveló, para mí antes que para nadie, parte de la belleza y de las implicaciones simbólicas que contienen, pero que aún quedan varios detalles cubiertos bajo un atrayente halo de misterio.
Ahora bien, conociendo a Fernando desde tiempo atrás cuando compartimos numerosas veladas escuchando a Gal Costa o a Elis Regina cantando “Aquarela do Brasil”, la pregunta nació de modo inevitable: ¿cómo es eso del “Brasil brasileiro”, “coqueiro que da coco” o el “pente que te penteia”? En ese momento la única conjetura plausible consistía en hacer énfasis en la acción, aunque reconozco que la explicación para nuestra extrañeza cultural y lingüística era pobre. No sé si ahora estemos en condiciones de despejar semejante enigma, pero sí creo que en esos días se fraguó en él la necesidad de impregnarse del ambiente que produjeron tales expresiones literarias. Para explicarlo necesito hacer un paréntesis. Estoy convencido de que hay dos formas de salir del patio de vecindad en que uno viva. Una es leyendo; la otra es viajando (y ahora que lo pienso, la aventura de traducir es un compendio de ambas). Creo que Fernando Reyes obtuvo la autorización para llevar a cabo esta empresa en gran medida debido a su espíritu viajero: Cuba, Canadá, Francia, Europa del Este son parte de los sellos que tiene su pasaporte, tanto el oficial como el intelectual. Esta referencia nos sitúa de golpe en uno de los propósitos de esta obra, si no es que el más importante: trasladarnos a otras latitudes. Consideremos por ejemplo el mensaje plástico de la portada, esa ilustración propia de de la geografía bahiana (de São Salvador do Bahia, pues) en la que se empiezan a encender algunas luces, mujeres y hombres aparecen terminando sus faenas diarias y la serenidad del anochecer inunda el panorama.
Toda traducción es un puente y constituye una ligazón. Por ese espíritu festivo, por lo elaborado de su gastronomía, por la pasión futbolera, México y Brasil tienen vínculos estrechos que se aproximan aún más con el puente establecido a raíz de la publicación de En la otra orilla del silencio. Antología de poetas brasileños contemporáneos. Si el lector al repasar sus páginas, más que sentirse trasladado, se siente ubicado como si fuera parte de ese ámbito que les dio origen, creo que todos los que tuvimos participación para hacerla posible tendríamos que sentirnos bastante congratulados.

Jesús Gómez Morán
Instituto de Investigaciones Filológicas. Universidad Nacional Autónoma de México.

segunda-feira, 19 de março de 2012

JIVM - PAVÃO MYSTERIOZO

Ilustração: Gustavo Athayde


PAVÃO MYSTERIOZO


A juventude abriga a zoada,
bebe o vinho da aridez
e sente o gozo do oásis.

Em seu canto cabe
o voo imenso do Condor
para dentro de alguma paisagem.

Minha angústia pretende esse voo:
Ícaro partindo para o Sol:
maior de todas as transcendências.

E de repente voar diante dos homens,
Pavão Mysteriozo, pássaro formoso,
mesmo sob essa longa indiferença.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO


“Pavão Mysteriozo” é um dos cinco poemas inéditos de JIVM que foram publicados na revista eletrônica Musa Rara. Os poemas fazem parte do livro PEDRA SÓ, a ser lançado em setembro deste ano, pela Escrituras Editora.
Para conferir os cinco poemas e as ilustrações de Gustavo Athayde – Gustha! – basta clicar no link abaixo – e deixem seus comentários no site da Musa Rara:

quarta-feira, 14 de março de 2012

JIVM - ENCRUZILHADA


ENCRUZILHADA


Algo me aflige e não sei o que é.
Sinto relampejos de minhas existências
e não sei o que fazer nem para onde ir.

Vivo a buscar o signo que me presentifique,
que, uma vez enunciado, seja por si.
Estou exausto de ser uma representação.

Tem um bicho dentro de mim que quer
pular para fora de tudo e ser a aurora.

Ah se eu fosse o sol não arderia tanto!


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO