quinta-feira, 25 de agosto de 2011

VERÔNICA DE VATE - IGOR FAGUNDES



IGOR FAGUNDES nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de dezembro de 1981. Poeta, jornalista, ator, ensaísta, crítico literário, professor universitário, doutorando e mestre em Poética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde lecionou Teoria Literária e Fundamentos da Cultura Literária Brasileira. Realiza interdisciplinar de poesia, arte, mito, religião e filosofia. Autor de outros cinco livros (quatro de poesia e um de ensaio): Transversais (2000), Sete mil tijolos e uma parede inacabada (2004), por uma gênese do horizonte (2006), Os poetas estão vivos – pensamento poético e poesia brasileira no século XXI (2008) e zero ponto zero (2010). Organizador e co-autor do livro de ensaios VIDA: a vocação da arte e o silêncio do pensador (2011). Participa também diversas antologias poéticas, entre elas Roteiro da poesia brasileira – Anos 2000 (2009) e de outras obras ensaísticas, como Quem conta um conto – estudos sobre contistas femininas estreantes nas décadas de 90 e 2000 (2008); Um olhar para os detalhes – Ensaio fotográfico poético sobre as formas (2010); Violência simbólica nas assimetrias de gênero. Modalidades de coação em produções literárias femininas em dois tempos (2011); e Antonio Carlos Secchin: escritos e escutas (2011). Publica com frequência em diversos periódicos de literatura. Colaborador da Academia Brasileira de Letras e Jornal Literário Rascunho. É um dos fundadores da Feira Poética da Escola de Dança da UFRJ, sob coordenação da Profa. Maria Ignez Calfa e realizado pelo Laboratório de Arte e Educação. Membro do Núcleo Interdisciplinar dos Estudos de Poética (NIEP) da UFRJ. Detentor de cerca de 60 prêmios em concursos de literatura. Seu livro por uma gênese do horizonte foi o vencedor IV Prêmio Literário Livraria Asabeça. Os poetas estão vivos – pensamento poético e poesia brasileira no século XXI recebeu o Prêmio Manuais de Literatura na categoria Ensaio de Letras. Em 2010, zero ponto zero esteve entre os livros selecionados para o Programa Mais Cultura da Biblioteca Nacional.


vidência


pelo oráculo dos búzios
iemanjá me sopra um verso
de água salgada

ainda úmida
a folha se dobra
torna-se um barco
nele embarcam
a mãe oxum das águas doces
o pai ogum de cada luta
rumo a cascatas
rios que correm
além do horizonte
a litorais
onde alguém a cavalo
há de enfrentar
novos dragões

com o atabaque
da palavra
celebro os dias
nas giras
de um mundo em metáfora



o fim da palavra


o infinito começa onde termina
a palavra, onde escapa algum sentido
que, à distância, não deixa de ser íntimo
jamais além dos corpos, estes cosmos
cujo caos em tensão lhes dá o princípio

o infinito não sabe o longe e o perto
os contém e até nós, os contornados
extraviamos a pele e nele imersos
nos perdemos em mar sem tempo e espaço
como aquele onde singra todo afeto

o infinito alcançamos pelo abraço
e por ele se encorpa em nós um gesto
e mais outro, e mais tantos, feito as águas
que do atlântico tangem cada estômago
de fluido ácido e agora em sal completo

o infinito precede a linha reta
nela inscrito, surpreende o sucessivo
– vige no antes e no entre dois pontilhos:
simultâneo ao caminho, nunca a meta
 se ele mora aqui mesmo, no interstício

o infinito termina onde começa
a palavra, e mais esta que lhe oferta
o batismo: a palavra que o limita
com seu som e sentido – o de infinito – 
apesar de infinitas todas elas

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

JIVM - GÊNESE

Ilustração: Juraci Dórea


GÊNESE


Sabe, moça da encruzilhada,
quando te encontrei foi um assombro.
Tu trazias estampada no semblante
a indagação que me acompanha.
O mais espantoso é que também
eras a resposta que sempre busquei.

Não aquela resposta exata, matemática.
A verdade que tua chegada me trouxe
foi a das abelhas zunindo no romper da aurora
em busca do mel das flores das algarobeiras,
foi a dos cavalos galopando na boca da noite
sonhando com touceiras de capim e éguas luzidias.

Ah, moça, tu estás no centro da Rosa dos Ventos,
pra onde deres o passo é caminho o que há.
A gente olha pra cima e não vê limite:
é tudo um azulão que não acaba mais.
Mas basta dar meio-dia, o limite aparece,
e não é longe não: bem na boca do estômago.

Sabe, vou te dar um chapéu do tamanho do céu,
que é pra te proteger dos devaneios solares
e pra que todos te percebam e apontem para ti:
“olha lá a moça que sombreia o mundo”.
E todos vão te olhar e todos vão te aplaudir
e o arco-íris vai ficar preto-e-branco de inveja.

Aí, um passarinho, desses bem miudinhos
que trazem uma sanfona de cento e vinte no peito,
vai aparecer e assobiar uma cantiga doce:
e a gente, espiando bem dentro dos olhos,
começa a sentir um monte de estrelas pipocar.
É isso, quando te encontrei, nasci.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO



GÉNESIS


Sabes, muchacha de la encrucijada,
cuando te encontré fue un asombro.
Tu traías estampada en el semblante
la indagación que me acompaña.
Lo más espantoso es que tambien
eras la respuesta que siempre busqué.

No aquella respuesta exata, matemática.
La verdad que tu llegada me trajo
fue la de las abejas zumbando alromper de la aurora
en busca de la miel de las flores del algarrobo,
fue la de los caballos galopando en boca de la noche
soñando com matas de hierba y yeguas resplandecientes.

Ah, muchacha, tu estás en el centro de la Rosa de los Vientos,
hacia donde dieres el paso es camino lo que hay.
Miramos hacia arriba y no vemos limite:
es todo un azular que no acaba nunca.
Mas basta que llegue el medio día, el límite aparece,
y no es lejos, no: bien en la boca del estómago.

Sabes, te voy a dar un sombrero del tamaño del cielo,
que es para protegerte de los devaneos solares
y para que todos te perciban y apunten hacia ti:
“miren allá la muchacha que sombrea el mundo”.
Y todos te van a mirar y todos te van a aplaudir
y el arcoíris va a quedar en blanco y negro de envidia.

Entonces un pajarito, de esos bien menuditos
que traen un acordeón de ciento veinte en el pecho,
aparecerá silbando una dulce canción:
y espiando bien adentro de los ojos,
comenzaremos a sentir una explosión de estrellas.
Eso es, cuando te encontré, nací.


TRADUÇÃO PARA O ESPANHOL: VERÓNICA NIETO


O poema “Gênese”, da antologia 50 poemas escolhidos pelo autor, foi publicado na revista literária argentina Magda, em agosto de 2011. A tradução é da escritora Verónica Nieto. A editora da revista é Adriana Ruiz.

domingo, 7 de agosto de 2011

JIVM - AURORA

Foto: Ricardo Prado


AURORA


A liberdade do crepúsculo tremula.
Escuto o alarido dos pássaros do Sertão.

Debruço-me no ninho do Cosmo.
Minhas mãos trabalham no vazio.

Minhas mãos trabalham na imensidão.
Longa batalha em busca da beleza.

Da boca dos pássaros, os violões do Sol.
Rezo benditos e grito os nomes da Terra.

Contemplo a mansidão do silêncio que voa.
As minhas sandálias são feitas de aurora.

De meus dedos esplendem labirintos.
Meu caminho é o strip-tease da solidão.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO


Aurora é um dos três poemas inéditos que fazem parte da antologia 50 poemas escolhidos pelo autor, de José Inácio Vieira de Melo, a ser publicada pela Edições Galo Branco, com lançamento marcado para o dia 1 de setembro de 2011 (quinta-feira), no Restaurante Grande Sertão (em frente ao Parque Costa Azul), na cidade de Salvador, das 19:30 às 22 horas. Todos estão convidados!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

LANÇAMENTO DA COLETÂNEA SANGUE NOVO



SANGUE NOVO: 21 POETAS BAIANOS DO SÉCULO XXI

A Escrituras Editora tem o prazer de lançar o livro Sangue Novo: 21 Poetas Baianos do Século XXI, organizado pelo poeta José Inácio Vieira de Melo.
O lançamento vai acontecer na LDM Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, em Salvador, no dia 23 de julho (sábado), das 10 às 14 horas.
Nesta coletânea, foram selecionados 21 poetas nascidos a partir de 1980, baianos ou radicados na Bahia. Dez residem em Salvador: Alexandre Coutinho, André Guerra, Bernardo Almeida, Fabrício de Queiroz Venâncio, Gabriela Lopes, Gibran Sousa, Priscila Fernandes, Saulo Moreira, Vânia Melo e Vanny Araújo. Caio Rudá Oliveira, Georgio Rios e Ricardo Thadeu são de Riachão do Jacuípe. Clarissa Macedo e Lidiane Nunes residem em Feira de Santana. Edson Oliveira e Érica Azevedo moram em Santo Estevão. Gildeone dos Santos Oliveira é de Retirolândia. Janara Soares é de Barreiras. Vitor Nascimento Sá é de Maracás. Daniel Farias reside na cidade de São Paulo.
A coletânea conta com a apresentação do escritor e ensaísta Mayrant Gallo, que afirma “Cada poeta se aferra ao seu método de criação e à sua técnica, baseados ambos em suas escolhas pessoais, mas, em geral, o objetivo é o mesmo: acender uma luz no nevoeiro e ascender da obscuridade para a vitrine das relações com o mundo”.
Nas palavras de José Inácio “Sangue Novo muito tem do sangue poético que ora circula pela Bahia e pelos brasis, assim como do velho e bom sangue dos mestres do século XX, que deixaram uma obra que quanto mais o tempo passa, mais se pereniza”. A maior parte destes jovens poetas não tem livro publicado, divulgam seus versos em blogs. São poetas cheios de potencialidades, interessados em se organizar, em promover debates e em mostrar suas produções.
José Inácio Vieira de Melo é poeta, jornalista e produtor cultural. Tem cinco livros de poemas publicados, sendo Roseiral (Escrituras Editora, 2010) o mais recente. Já organizou outras importantes antologias, como é o caso de Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia (Aboio Livre Edições, 2004) e a agenda Retratos Poéticos do Brasil 2010 (Escrituras Editora, 2009). Coordenador e curador de vários eventos literários, como o Porto da Poesia, na VII Bienal do Livro da Bahia (2005) e a Praça de Cordel e Poesia, na 9ª Bienal do Livro da Bahia (2009).
Durante o lançamento irá acontecer um recital com poemas dos 21 poetas do Sangue Novo, recitados por alguns dos integrantes.

Livro: Sangue Novo: 21 Poetas Baianos do Século XXI
Organizador: José Inácio Vieira de Melo 
Apresentador: Mayrant Gallo
Ilustrador: Fernando Aguiar
Autores: Alexandre Coutinho, André Guerra, Bernardo Almeida, Caio Rudá Oliveira, Clarissa Macedo, Daniel Farias, Edson Oliveira, Érica Azevedo, Fabrício de Queiroz Venâncio, Gabriela Lopes, Georgio Rios, Gibran Sousa, Gildeone dos Santos Oliveira, Janara Soares, Lidiane Nunes, Priscila Fernandes, Ricardo Thadeu, Saulo Moreira, Vânia Melo, Vanny Araújo e Vitor Nascimento Sá.
Editora: Escrituras Editora
Páginas: 248
Preço: 
R$ 30,00

sexta-feira, 15 de julho de 2011

PROJETO UMA PROSA SOBRE VERSOS RECEBERÁ O POETA MINEIRO ALEXANDRE BONAFIM




Hoje tem poesia na cidade de Maracás. O projeto Uma Prosa Sobre Versos vai receber o poeta mineiro Alexandre Bonafim, para uma integração com a comunidade maracaense.
O projeto já está no quarto ano, o que faz de Maracás a cidade pioneira da poesia no Vale do Jiquiriçá e uma referência no estado da Bahia e no Brasil.
Observando os resultados positivos, os municípios de Iramaia, Nova Itarana e Planaltino estão desenvolvendo projetos similares. No dia seguinte, sábado, 16 de julho, o poeta Bonafim participará de um evento da mesma natureza na cidade de Nova Itarana, onde também será homenageado.
Mais uma vez o poeta convidado e todos os que se fizerem presentes ouvirão um recitais do Grupo Concriz, da cidade de Maracás, e do Grupo Renascer, da cidade de Planaltino. O Grupo Concriz recitará poemas do livro Arqueologia dos acasos. Já o Grupo Renascer preferiu selecionar poemas de vários livros de Alexandre Bonafim. O poeta que se prepare para sentir a força dos seus próprios versos. Haverá um momento musical com o grupo Versão Beta.
Em seguida, O poeta José Inácio Vieira de Melo, curador do projeto, fará um bate papo sobre literatura e assuntos afins com Alexandre Bonafim, que também responderá perguntas da plateia. Aberto às comunidades de Maracás, de Nova Itarana e cidades vizinhas, os dois eventos são gratuitos, e começam às 19 hs 30 min. Em Maracás, acontecerá no Auditório Municipal. Em Nova Itarana, na Câmara Municipal de Vereadores. Vá e leve seus amigos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

VERÔNICA DE VATE - ALEXANDRE BONAFIM




ALEXANDRE BONAFIM nasceu em Belo Horizonte em 1976. Viveu na capital mineira até os 8 anos de idade. Em seguida, passou a residir em Franca, interior de São Paulo. Morou também em Assis, Alemanha e, agora, reside em Goiânia. É poeta, ficcionista e crítico literário. Publicou os seguintes livros de poesia: Biografia do deserto (2006), A outra margem do tempo (2008), Sagração das despedidas (2009), Sob o silêncio do anjo (2009), Arqueologia dos acasos (2010) e Arquipélago do silêncio (2011). Teve seu conto "O cavalo azul" publicado na antologia portuguesa "Um rio de contos", livro no qual autores de Portugal e Brasil foram reunidos, em importante antologia. Participa da antologia Roteiro da poesia brasileira, da editora Global, organizada por Marco Lucchesi. É mestre em Estudos literários pela UNESP, defendendo a seguinte dissertação: A graça poética do instante: poesia e Memória em Rubem Braga. Tal trabalho foi publicado em livro com o mesmo título. Atualmente é doutorando em Literatura Portuguesa pela USP, desenvolvendo pesquisa sobre a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen.


Eu sempre fui o pastor do teu riso,
a infância de tua morte,
a eternidade de tua voz.
Eu sempre fui o grito de tua nudez,
as vestes de teu pensamento,
a música de tua carne.
Em ti dissolvi o mar,
as constelações,
as mais ásperas paisagens.
Em ti respirei os abismos,
as interditas palavras,
as horas mais efêmeras.

Fomos dois punhais surdos
a cortarem o silêncio das pedras.



XVII

Para enfrentar a tua beleza,
era necessário amparar-me
na luz dos relâmpagos,
no frêmito dos rios profundos,
na queda dos pássaros;
era preciso agarrar-me
a tudo o que era frágil,
a tudo o que se findava
num leve palpitar de asas.
Não poderia estar só
ante a tua beleza...
Para fitá-la necessitaria
estar de mãos dadas
com todos os desastres,
com todas as febres.
Se livremente olhasse
o teu semblante,
sem me iniciar no rito
de tua delicadeza,
a carne dos meus olhos secaria,
meus ossos como vidro quebrariam,
toda sede e toda fome
devastariam meus dias.
Porque tua beleza
é toda simplicidade,
toda leveza, toda dádiva;
é a sombra de um vôo
que passou pela minha vida
e fez ninho onde nunca existirei.

domingo, 26 de junho de 2011

DOIS POETAS

Por Fernando Py

Roseiral: o mundo encarnado pela seiva das rosas escarlates, de José Inácio Vieira de Melo (São Paulo: Escrituras Editora, 2010; prefácio de Astrid Cabral e posfácio de Eliana Mara Chiossi). Roseiral é o quinto livro do poeta, alagoano radicado na Bahia. Compõe-se de 42 poemas divididos em cinco partes. Em sua poesia, o Nordeste sempre desempenhou papel fundamental, e o mesmo sucede neste livro. Porém, aqui o poeta resolve dar uma guinada em relação aos livros anteriores. O Nordeste continua a ser visto e revivido. No entanto, de maneira mais amadurecida, com todo o seu arsenal de visão telúrica e de suas vivências rurais do sertão, e ainda que mantenha a sua fidelidade às raízes primordiais da nossa terra, José Inácio mostra um erotismo desataviado, sem quaisquer disfarces. Seu erotismo está na base de sua ânsia de libertação dos padrões arcaicos da sociedade provinciana, da revolta contra preconceitos e abusos que perseguem e destroem o ser humano. Assim, em muitos poemas do livro, como “Vingança” (p. 62) e “Canibal” (p. 66) p. ex., nos defrontamos com a violência da linguagem que, de certo modo, indica uma nova atitude dentro de seu lirismo costumeiro. Por outro lado, o poeta se engrandece neste livro, com certeza o mais bem articulado em todas as suas partes e elaborado com toda a consciência da técnica do verso e da expressão da linguagem. É certo que, agora na casa dos quarenta anos, José Inácio Vieira de Melo alcança aqui o seu momento mais significativo, onde se ressaltam os poemas (sobretudos os sonetos brancos) das séries ‘A idade da pedra’ e ‘Roseiral’. Vale a pena uma leitura cuidadosa.

Verso para outro sentido, de Felipe Stefani (São Paulo: Escrituras Editora, 2010). Até agora, desconhecíamos inteiramente o poeta. Mas este livro nos chamou a atenção para o seu nome, principalmente pela inesperada floração de imagens naturalmente poéticas. É como se o poeta tratasse a sua linguagem, o seu vocabulário de modo a oferecer ao leitor um conjunto de termos de um simbolismo expressivo e vibrante (como acentua Nélson de Oliveira nas “orelhas” do volume). E esse simbolismo, se paga seu tributo a poetas como os franceses Corbière e Laforgue, ou o nosso Murilo Mendes, p. ex., nem por isso deixa de exibir notável cunho pessoal. Felipe Stefani poderá vir a ser um dos grandes poetas brasileiros dos anos 2020.

Texto publicado na Tribuna de Petrópolis, em 17 de junho de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SANGUE NOVO - 21 POETAS BAIANOS DO SÉCULO XXI - EM BREVE!


A coletânea Sangue novo – 21 poetas baianos do século XXI, publicada pela Escrituras Editora, de São Paulo, terá lançamento em Salvador, no dia 23 de julho de 2011, das 10 às 14 horas, na livraria LDM Multicampi, na Rua Direita da Piedade. Sangue novo conta com organização do poeta José Inácio Vieira de Melo e com apresentação do escritor Mayrant Gallo. A ilustração da capa é de Fernando Aguiar, artista plástico e poeta português.

Relação dos 21 poetas:

Alexandre Coutinho
André Guerra
Bernardo Almeida
Caio Rudá de Oliveira
Clarissa Macedo
Daniel Farias
Edson Oliveira
Érica Azevedo
Fabrício de Queiroz
Gabriela Lopes
Georgio Rios
Gibran Sousa
Gildeone dos Santos Oliveira
Janara Soares
Lidiane Nunes
Priscila Fernandes
Ricardo Thadeu
Saulo Moreira
Vânia Melo
Vanny Araújo
Vitor Nascimento Sá 

terça-feira, 14 de junho de 2011

JIVM - FUGA



FUGA


As crianças galopam goiabeiras,
sentem o gosto da paisagem de êxtase.
As crianças são deuses, mas não trazem
o germe do sofrimento, só brilham.

Quando o homem chega dentro da criança,
o infinito cai e a casa começa
a ter entranhas, a criar paredes.
Quem mais sofre com isso são as pedras:

sem sangue, sem respiração, sem ritmo,
seus escombros preenchem toda terra;
seus sonhos – fuzilados no horizonte.

Eu ainda saio dessa ciranda,
entro no primeiro buraco negro
e vou me inventar em outra galáxia.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

terça-feira, 7 de junho de 2011

RESULTADO DO SORTEIO DO LIVRO A TERCEIRA ROMARIA

O sorteio teve 24 participantes.

Os três contemplados foram:

Antonio Carlos Ribeiro Jr.

Cynthia Lopes

Sérgio Bernardo

domingo, 5 de junho de 2011

ROSEIRAL NA JOVEM PAN



A obra Roseiral é um belo livro de poesia do poeta José Inácio Vieira de Melo, que sabe bem como lidar com as palavras. Publicado pela Editora Escrituras de São Paulo, o livro tem apresentação das poetas Astrid Cabral e Myrian Fraga.

É bom que surjam obras como esta, já que a poesia brasileira vive uma crise de credibilidade, tais as facilidades e modismos que se repetem em edições inúteis de poesia que não diz nada.

Quer saber mais sobre o poeta José Inácio Vieira de Melo? Clique no link abaixo e confira com o poeta da Jovem Pan, Álvaro Alves de Faria.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

SORTEIO DE TRÊS EXEMPLARES DO LIVRO A TERCEIRA ROMARIA (2ª EDIÇÃO)




Caro leitor, serão sorteados três exemplares do livro A terceira romaria, do poeta José Inácio Vieira de Melo.

Para participar do sorteio é preciso ser seguidor do blog Cavaleiro de Fogo.
Caso ainda não seja um seguidor, aproveite para se tornar um (à direita, em SEGUIDORES - logo após a capa do CD A casa dos meus quarenta anos).
Em seguida, basta colocar seu nome completo e seu e-mail no espaço dos comentários desta postagem e responder a seguinte pergunta: Qual o título do texto escrito pelo poeta Salgado Maranhão para a contracapa da segunda edição do livro A terceira romaria?

COMO SERÁ FEITO O SORTEIO:
Os nomes dos participantes serão escritos em pequenos pedaços de papel, que serão dobrados e depois serão colocados dentro de um copo. O copo será sacudido várias vezes e depois serão retirados – um de cada vez – os três pedaços de papel com os nomes dos sorteados.
O resultado será divulgado aqui no blog. Após a divulgação os vencedores deverão mandar seus endereços para o e-mail jivmpoeta@gmail.com

***A promoção é válida até o dia 6 de junho de 2011***

Os comentários desta postagem só serão liberados no dia 7 de junho *

A resposta para a pergunta do sorteio, você encontrará aqui no blog *

segunda-feira, 23 de maio de 2011

JIVM - MEMÓRIA

Remedios Varo

MEMÓRIA


Gosto de subir no telhado da casa
e olhar para dentro do quintal,
é lá que estão o menino e a arte.

A incompreensão vestiu o menino.
Ele se exibiu para o azul do dia
e para os olhos daquelas línguas.

O infante, dentro da sua solidão,
encontrou a estrada e caminhou
e enveredou por tantos descaminhos.

Quantas vezes dormiu ao relento?
Quantas vezes tombou e caiu?
Quantas vezes seguiu por miragens?

Ah essas cicatrizes, esses calos
pelo corpo e pela alma do menino.
Ah, esse deserto de ilusão.

Mas, assim como existe a sede,
existe a imensidão do mar,
e as coisas vão à balança.

E o que é viver cada dia
senão beber da água
e entender os merecimentos?

Ouço vozes – muitas vozes –
dentro de mim mesmo,
todas dizem que é preciso prosseguir.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO



MUISTO


Pidän talon katolle nousemisesta
ja tilalle katsomisesta
- siellä ovat poika ja taide.

Ymmärtämättömyys puki pojan.
Hän paljasti itsensä päivän siniselle
ja noiden kielten silmille.

Poika kohtasi yksinäisyydessään
tien ja käveli
kääntyen monille harhapoluille.

Monta kertaa nukkui kasteessa?
Monta kertaa kaatui ja putosi?
Monta kertaa seurasi kangastuksia?

Voi noita heinäsirkkoja, noita känsiä 
pojan ruumiissa ja sielussa.
Voi tätä kuvitelman autiomaata.

Kuten on olemassa jano,
on meren valtavuus
ja asiat tasapainottuvat.

Ja miten elää joka päivä
juomatta vettä
ja kuulematta ylistystä?

Kuulen ääniä – monia ääniä –
sisälläni,
kaikki sanovat, että täytyy kulkea eteenpäin.


TRADUÇÃO PARA O FINLANDÊS:RITA DAHL


Cinco poemas da segunda edição de A terceira romaria foram traduzidos para o finlandês pela escritora Rita Dahl para publicação em revista de literatura de seu país.
Rita Dahl nasceu em 1971, em Vantaa, na Finlândia. Publicou os livros de poemas Kun luulet olevasi yksin (Loki-Kirjat, 2004), Aforismien aika (PoEsia, 2007), Elämää Lagoksessa (ntamo 2008), Aiheita van Goghin korvasta (Ankkuri 2009). Publicou também um livro de viagem sobre Portugal, O Encantador de Milles Escadas (Avain 2007) e mais recentemente o livro A liberdade da palavra finlandizada (Multikustannus 2009), entre outros títulos. Foi responsável pela revista de poesia Tuli & Savu, em 2001, e também pela revista cultural Neliö (www.page.to/nelio). Rita Dahl foi vice-presidente do PEN Clube da Finlândia durante 2006-2009, e lá realizou um trabalho com escritoras da Ásia Central, que resultou em um encontro internacional e duas antologias.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

PROJETO UMA PROSA SOBRE VERSOS RECEBERÁ OS POETAS ELDER OLIVEIRA E JOÃO DE MORAES FILHO




Amanhã, sexta-feira, 13 de maio, o projeto Uma Prosa Sobre Versos, da cidade de Maracás, receberá os poetas baianos Elder Oliveira e João de Moraes Filho.
O projeto já está no quarto ano, o que faz de Maracás a cidade pioneira da poesia no Vale do Jiquiriçá e uma referência no estado da Bahia e no Brasil.
Observando os resultados positivos, os municípios de Iramaia, Nova Itarana e Planaltino estão desenvolvendo projetos similares. No dia seguinte, sábado, 14 de maio, Os dois poetas participarão de um evento da mesma natureza na cidade de Iramaia, onde também serão homenageados.
Nas duas cidades os poetas serão recebidos com um recital de suas obras por dois grupos de recitadores, o Grupo Concriz, da cidade de Maracás, e o Grupo Renascer, da cidade de Planaltino. O Grupo Concriz recitará poemas de Elder Oliveira. Já o Grupo Renascer recitará poemas de João de Moraes Filho. Haverá um momento musical com Elder Oliveira, que além de ser um poeta valoroso é um violeiro de boa cepa.
Em seguida, O poeta José Inácio Vieira de Melo, curador do projeto, apresentará para o público os dois poetas convidados, com quem fará um bate papo sobre literatura e assuntos afins. Aberto às comunidades maracaense, iramaiense e cidades vizinhas.
Os dois eventos são gratuitos, e começam às 19 hs 30 min. Em Maracás, acontecerá no Auditório Municipal. Em Iramaia, na Câmara Municipal de Vereadores. Vá e leve seus amigos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

VERÔNICA DE VATE - ELDER OLIVEIRA



ELDER OLIVEIRA nasceu aos 5 de dezembro de 1968 em Poções, Bahia, cidade localizada a 444 km de Salvador. Viveu a infância em Nova Canaã, cidade banhada pelos rios Gongogi e Vigário, situada a 45 km de Poções. Publicou seus primeiros versos em livretos e tablóides impressos na Tipografia Poções Ltda, de propriedade de seu tio Eurycles Macedo, poeta e jornalista autodidata. Reside atualmente em Vitória da Conquista, cidade pólo cultural e econômico da Região Sudoeste de Bahia. Participou de diversas antologias, dentre elas Antologia e Memória do VII Festival de Inverno da Bahia (Corec – 1997); O Pescador de Sonhos (da Academia de Letras de Jequié – 1998); Grandes Escritores da Bahia Vol. III (Litteris Editora – RJ, 2001); Anuário de Escritores 2001 (Litteris Editora – RJ, 2001); Concerto Lírico a Quinze Vozes (Aboio Livre Edições – Salvador – BA, 2004). Publicou os livros Malungos e Vapores & Outros Poemas (Edições UESB – Prêmio Zélia Saldanha, categoria Poesia, 2001) e O Curumim Espião (2008). Além de poeta, Elder Oliveira é músico, com canções em parcerias com importantes nomes do cenário musical do Sudoeste da Bahia.


ÁLBUM CÓSMICO


Pessoas geografitam
No gelo espesso da inconsciência

Noites gravitam instantâneas luas
Sobre vagalumes automáticos

Pássaros desovam os incandescentes
Pigmentos da aurora
Onde

A lírica tristeza da manhã
Nos contempla com seus grandes olhos



UM POEMA RASO PARA UMA
MOCINHA LINDA LÁ DO CONDADO
SERTÃO DA PARAÍBA


De todos os lados da coisa
Brota um desejo louco
De andar descalço
De comer as frutas
Bodocar as casas
Enfrentar a onça
Lambuzar o corpo
Ver chegar o trem
Malinar no sino
Junto com Clarissa

Mesmo sabendo que sou
Menos importante que a missa

sábado, 7 de maio de 2011

VERÔNICA DE VATE - JOÃO DE MORAES FILHO



João Vanderlei de Moraes Júnior / JOÃO DE MORAES FILHO (nascido em Salvador e filho de Cachoeira, recôncavo baiano - 21/03/1977), ex-Secretário de Cultura e Turismo de Cachoeira, professor, poeta e gestor cultural, graduado em letras pelo ILUFBA e mestrando em Cultura e Sociedade/Instituto de Humanidade Artes e Ciências/Centro de Estudos Multidisciplinar em Cultura/UFBA, onde desenvolve pesquisa no campo das políticas culturais para o acesso ao livro e promoção leitura na América Latina. Fundou em 2005, na cidade de Cachoeira, a Casa de Barro Cultura Arte Educação, onde coordenou o Programa Oju Aiye de Promoção da Leitura, no qual se inseriam os projetos Caruru dos Sete Poetas: recital com gostinho de dendê, as Oficinas de Investigação e Criação Literária Poesia Ouvida, Dedinho de prosa e cadinho de memória, além das Edições Oju Aiye e o Projeto de Intercâmbio Lítero-cultural Bahia Caribe Colombiano em parceria com o Taller Siembra que realiza o Festival Internacional de Poesia de Cartagena, na Colômbia, do qual foi representante no Brasil entre os anos de 2006 a 2010.
 Publicou Pedra Retorcida: Fundação Casa de Jorge Amado /  Prêmio Braskem de Cultura e Arte  2004; Portuário: Casa de Barro Edições, 2006 e  Em nome dos raios: Expressão Editora, 2009; UNO – Tríade para encantamentos (PRELO).
 Participa das antologias Murilizai-vos: 100 anos do poeta Murilo Mendes, Edufba 2001; Concerto Lírico a Quinze Vozes, Aboio Livre 2004, e XXI poetas de hoje em diante, Letras Contemporâneas 2009.  


PROJEÇÃO CACHOEIRANA EM 16 MM

I

Por baixo dos tapetes
escorrem versos cadenciados
de rotina concreta,
enquanto o ano encerra quatro estações.

II

Lá fora, a procissão carregava um corpo nu
sem códigos de barras nem etiquetas azuis.

III

Exilado,
fujo em barquinhos de papel
jogados em dias de chuva
no filete de uma lágrima.

IV

Olhando em janelas
lembro das felicidades,
Baudelaire, Narlan,
aquele homem no bar do horizonte
com braços abertos e a felicidade do mundo,
num milagre antecipado.

V

Todos os sóis nascem pontualmente
em portos de margens estreitas
no exprimido das cidades.

VI

... fujo fingindo-te amor
para não morrer dizendo não.



VIAGEM À ORDEM DE HORIZ
Ao confrade Cleberton Santos


Uma casa esturricada
enfeita caminhos erguidos
na secura da terra, mãe
da vida quando socorrida
da sede que racha sertão
e toda pedra atirada.

Aquela casa ia sozinha,
vitoriosa; tangia-nos
vestindo o caminho do sol
arrancado de nós. Estrada,
assim ia, nas tardes, nas tardes.