terça-feira, 14 de junho de 2011

JIVM - FUGA



FUGA


As crianças galopam goiabeiras,
sentem o gosto da paisagem de êxtase.
As crianças são deuses, mas não trazem
o germe do sofrimento, só brilham.

Quando o homem chega dentro da criança,
o infinito cai e a casa começa
a ter entranhas, a criar paredes.
Quem mais sofre com isso são as pedras:

sem sangue, sem respiração, sem ritmo,
seus escombros preenchem toda terra;
seus sonhos – fuzilados no horizonte.

Eu ainda saio dessa ciranda,
entro no primeiro buraco negro
e vou me inventar em outra galáxia.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

terça-feira, 7 de junho de 2011

RESULTADO DO SORTEIO DO LIVRO A TERCEIRA ROMARIA

O sorteio teve 24 participantes.

Os três contemplados foram:

Antonio Carlos Ribeiro Jr.

Cynthia Lopes

Sérgio Bernardo

domingo, 5 de junho de 2011

ROSEIRAL NA JOVEM PAN



A obra Roseiral é um belo livro de poesia do poeta José Inácio Vieira de Melo, que sabe bem como lidar com as palavras. Publicado pela Editora Escrituras de São Paulo, o livro tem apresentação das poetas Astrid Cabral e Myrian Fraga.

É bom que surjam obras como esta, já que a poesia brasileira vive uma crise de credibilidade, tais as facilidades e modismos que se repetem em edições inúteis de poesia que não diz nada.

Quer saber mais sobre o poeta José Inácio Vieira de Melo? Clique no link abaixo e confira com o poeta da Jovem Pan, Álvaro Alves de Faria.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

SORTEIO DE TRÊS EXEMPLARES DO LIVRO A TERCEIRA ROMARIA (2ª EDIÇÃO)




Caro leitor, serão sorteados três exemplares do livro A terceira romaria, do poeta José Inácio Vieira de Melo.

Para participar do sorteio é preciso ser seguidor do blog Cavaleiro de Fogo.
Caso ainda não seja um seguidor, aproveite para se tornar um (à direita, em SEGUIDORES - logo após a capa do CD A casa dos meus quarenta anos).
Em seguida, basta colocar seu nome completo e seu e-mail no espaço dos comentários desta postagem e responder a seguinte pergunta: Qual o título do texto escrito pelo poeta Salgado Maranhão para a contracapa da segunda edição do livro A terceira romaria?

COMO SERÁ FEITO O SORTEIO:
Os nomes dos participantes serão escritos em pequenos pedaços de papel, que serão dobrados e depois serão colocados dentro de um copo. O copo será sacudido várias vezes e depois serão retirados – um de cada vez – os três pedaços de papel com os nomes dos sorteados.
O resultado será divulgado aqui no blog. Após a divulgação os vencedores deverão mandar seus endereços para o e-mail jivmpoeta@gmail.com

***A promoção é válida até o dia 6 de junho de 2011***

Os comentários desta postagem só serão liberados no dia 7 de junho *

A resposta para a pergunta do sorteio, você encontrará aqui no blog *

segunda-feira, 23 de maio de 2011

JIVM - MEMÓRIA

Remedios Varo

MEMÓRIA


Gosto de subir no telhado da casa
e olhar para dentro do quintal,
é lá que estão o menino e a arte.

A incompreensão vestiu o menino.
Ele se exibiu para o azul do dia
e para os olhos daquelas línguas.

O infante, dentro da sua solidão,
encontrou a estrada e caminhou
e enveredou por tantos descaminhos.

Quantas vezes dormiu ao relento?
Quantas vezes tombou e caiu?
Quantas vezes seguiu por miragens?

Ah essas cicatrizes, esses calos
pelo corpo e pela alma do menino.
Ah, esse deserto de ilusão.

Mas, assim como existe a sede,
existe a imensidão do mar,
e as coisas vão à balança.

E o que é viver cada dia
senão beber da água
e entender os merecimentos?

Ouço vozes – muitas vozes –
dentro de mim mesmo,
todas dizem que é preciso prosseguir.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO



MUISTO


Pidän talon katolle nousemisesta
ja tilalle katsomisesta
- siellä ovat poika ja taide.

Ymmärtämättömyys puki pojan.
Hän paljasti itsensä päivän siniselle
ja noiden kielten silmille.

Poika kohtasi yksinäisyydessään
tien ja käveli
kääntyen monille harhapoluille.

Monta kertaa nukkui kasteessa?
Monta kertaa kaatui ja putosi?
Monta kertaa seurasi kangastuksia?

Voi noita heinäsirkkoja, noita känsiä 
pojan ruumiissa ja sielussa.
Voi tätä kuvitelman autiomaata.

Kuten on olemassa jano,
on meren valtavuus
ja asiat tasapainottuvat.

Ja miten elää joka päivä
juomatta vettä
ja kuulematta ylistystä?

Kuulen ääniä – monia ääniä –
sisälläni,
kaikki sanovat, että täytyy kulkea eteenpäin.


TRADUÇÃO PARA O FINLANDÊS:RITA DAHL


Cinco poemas da segunda edição de A terceira romaria foram traduzidos para o finlandês pela escritora Rita Dahl para publicação em revista de literatura de seu país.
Rita Dahl nasceu em 1971, em Vantaa, na Finlândia. Publicou os livros de poemas Kun luulet olevasi yksin (Loki-Kirjat, 2004), Aforismien aika (PoEsia, 2007), Elämää Lagoksessa (ntamo 2008), Aiheita van Goghin korvasta (Ankkuri 2009). Publicou também um livro de viagem sobre Portugal, O Encantador de Milles Escadas (Avain 2007) e mais recentemente o livro A liberdade da palavra finlandizada (Multikustannus 2009), entre outros títulos. Foi responsável pela revista de poesia Tuli & Savu, em 2001, e também pela revista cultural Neliö (www.page.to/nelio). Rita Dahl foi vice-presidente do PEN Clube da Finlândia durante 2006-2009, e lá realizou um trabalho com escritoras da Ásia Central, que resultou em um encontro internacional e duas antologias.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

PROJETO UMA PROSA SOBRE VERSOS RECEBERÁ OS POETAS ELDER OLIVEIRA E JOÃO DE MORAES FILHO




Amanhã, sexta-feira, 13 de maio, o projeto Uma Prosa Sobre Versos, da cidade de Maracás, receberá os poetas baianos Elder Oliveira e João de Moraes Filho.
O projeto já está no quarto ano, o que faz de Maracás a cidade pioneira da poesia no Vale do Jiquiriçá e uma referência no estado da Bahia e no Brasil.
Observando os resultados positivos, os municípios de Iramaia, Nova Itarana e Planaltino estão desenvolvendo projetos similares. No dia seguinte, sábado, 14 de maio, Os dois poetas participarão de um evento da mesma natureza na cidade de Iramaia, onde também serão homenageados.
Nas duas cidades os poetas serão recebidos com um recital de suas obras por dois grupos de recitadores, o Grupo Concriz, da cidade de Maracás, e o Grupo Renascer, da cidade de Planaltino. O Grupo Concriz recitará poemas de Elder Oliveira. Já o Grupo Renascer recitará poemas de João de Moraes Filho. Haverá um momento musical com Elder Oliveira, que além de ser um poeta valoroso é um violeiro de boa cepa.
Em seguida, O poeta José Inácio Vieira de Melo, curador do projeto, apresentará para o público os dois poetas convidados, com quem fará um bate papo sobre literatura e assuntos afins. Aberto às comunidades maracaense, iramaiense e cidades vizinhas.
Os dois eventos são gratuitos, e começam às 19 hs 30 min. Em Maracás, acontecerá no Auditório Municipal. Em Iramaia, na Câmara Municipal de Vereadores. Vá e leve seus amigos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

VERÔNICA DE VATE - ELDER OLIVEIRA



ELDER OLIVEIRA nasceu aos 5 de dezembro de 1968 em Poções, Bahia, cidade localizada a 444 km de Salvador. Viveu a infância em Nova Canaã, cidade banhada pelos rios Gongogi e Vigário, situada a 45 km de Poções. Publicou seus primeiros versos em livretos e tablóides impressos na Tipografia Poções Ltda, de propriedade de seu tio Eurycles Macedo, poeta e jornalista autodidata. Reside atualmente em Vitória da Conquista, cidade pólo cultural e econômico da Região Sudoeste de Bahia. Participou de diversas antologias, dentre elas Antologia e Memória do VII Festival de Inverno da Bahia (Corec – 1997); O Pescador de Sonhos (da Academia de Letras de Jequié – 1998); Grandes Escritores da Bahia Vol. III (Litteris Editora – RJ, 2001); Anuário de Escritores 2001 (Litteris Editora – RJ, 2001); Concerto Lírico a Quinze Vozes (Aboio Livre Edições – Salvador – BA, 2004). Publicou os livros Malungos e Vapores & Outros Poemas (Edições UESB – Prêmio Zélia Saldanha, categoria Poesia, 2001) e O Curumim Espião (2008). Além de poeta, Elder Oliveira é músico, com canções em parcerias com importantes nomes do cenário musical do Sudoeste da Bahia.


ÁLBUM CÓSMICO


Pessoas geografitam
No gelo espesso da inconsciência

Noites gravitam instantâneas luas
Sobre vagalumes automáticos

Pássaros desovam os incandescentes
Pigmentos da aurora
Onde

A lírica tristeza da manhã
Nos contempla com seus grandes olhos



UM POEMA RASO PARA UMA
MOCINHA LINDA LÁ DO CONDADO
SERTÃO DA PARAÍBA


De todos os lados da coisa
Brota um desejo louco
De andar descalço
De comer as frutas
Bodocar as casas
Enfrentar a onça
Lambuzar o corpo
Ver chegar o trem
Malinar no sino
Junto com Clarissa

Mesmo sabendo que sou
Menos importante que a missa

sábado, 7 de maio de 2011

VERÔNICA DE VATE - JOÃO DE MORAES FILHO



João Vanderlei de Moraes Júnior / JOÃO DE MORAES FILHO (nascido em Salvador e filho de Cachoeira, recôncavo baiano - 21/03/1977), ex-Secretário de Cultura e Turismo de Cachoeira, professor, poeta e gestor cultural, graduado em letras pelo ILUFBA e mestrando em Cultura e Sociedade/Instituto de Humanidade Artes e Ciências/Centro de Estudos Multidisciplinar em Cultura/UFBA, onde desenvolve pesquisa no campo das políticas culturais para o acesso ao livro e promoção leitura na América Latina. Fundou em 2005, na cidade de Cachoeira, a Casa de Barro Cultura Arte Educação, onde coordenou o Programa Oju Aiye de Promoção da Leitura, no qual se inseriam os projetos Caruru dos Sete Poetas: recital com gostinho de dendê, as Oficinas de Investigação e Criação Literária Poesia Ouvida, Dedinho de prosa e cadinho de memória, além das Edições Oju Aiye e o Projeto de Intercâmbio Lítero-cultural Bahia Caribe Colombiano em parceria com o Taller Siembra que realiza o Festival Internacional de Poesia de Cartagena, na Colômbia, do qual foi representante no Brasil entre os anos de 2006 a 2010.
 Publicou Pedra Retorcida: Fundação Casa de Jorge Amado /  Prêmio Braskem de Cultura e Arte  2004; Portuário: Casa de Barro Edições, 2006 e  Em nome dos raios: Expressão Editora, 2009; UNO – Tríade para encantamentos (PRELO).
 Participa das antologias Murilizai-vos: 100 anos do poeta Murilo Mendes, Edufba 2001; Concerto Lírico a Quinze Vozes, Aboio Livre 2004, e XXI poetas de hoje em diante, Letras Contemporâneas 2009.  


PROJEÇÃO CACHOEIRANA EM 16 MM

I

Por baixo dos tapetes
escorrem versos cadenciados
de rotina concreta,
enquanto o ano encerra quatro estações.

II

Lá fora, a procissão carregava um corpo nu
sem códigos de barras nem etiquetas azuis.

III

Exilado,
fujo em barquinhos de papel
jogados em dias de chuva
no filete de uma lágrima.

IV

Olhando em janelas
lembro das felicidades,
Baudelaire, Narlan,
aquele homem no bar do horizonte
com braços abertos e a felicidade do mundo,
num milagre antecipado.

V

Todos os sóis nascem pontualmente
em portos de margens estreitas
no exprimido das cidades.

VI

... fujo fingindo-te amor
para não morrer dizendo não.



VIAGEM À ORDEM DE HORIZ
Ao confrade Cleberton Santos


Uma casa esturricada
enfeita caminhos erguidos
na secura da terra, mãe
da vida quando socorrida
da sede que racha sertão
e toda pedra atirada.

Aquela casa ia sozinha,
vitoriosa; tangia-nos
vestindo o caminho do sol
arrancado de nós. Estrada,
assim ia, nas tardes, nas tardes.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO: ODORES E CORES DE SEU "ROSEIRAL"

Por Wender Montenegro

Foto: Carol Reis


A poesia está viva e ainda conserva seu cheiro de flores! Digo isso a propósito do livro Roseiral, do poeta alagoano, radicado na Bahia, José Inácio Vieira de Melo, publicado pela Escrituras Editora - SP, em 2010.
Roseiral é um grito. Um grito de brasa, um acerto de contas com um tempo passado e opressor, uma “intensa rebelião contra os valores arcaicos do mundo patriarcal que massacram o indivíduo”, conforme as palavras de Astrid Cabral na orelha do livro.
A obra está dividida em cinco seções. Na primeira delas, A idade da pedra, vemos contido um símbolo para a infância do mundo, do homem e do poeta. E já no poema de abertura, Transmutação, JIVM lança sua pedra fundamental na cabeça de Deus, tornado aqui metáfora para um patriarcalismo exacerbado; este sim, alvo exato das pedras do poeta.
Quando o autor de A terceira romaria nos leva à infância, é com mestria que o faz. Assim, os versos iniciais do poema Fuga nos dão a medida do seu manejo com as palavras. Ele diz “As crianças galopam goiabeiras, / sentem o gosto da paisagem de êxtase.”
Da seção Roseiral pode-se ver “a beleza vermelha do sangue na flor”. A rosa passa a ser, então, o símbolo desse conjunto de poemas: a rosa flor, a rosa cor, a rosa mulher, a rosa mística; embora no poema A rosa viva, que transcrevemos aqui, por seu elevado lirismo, ainda continue incrustado o símbolo da pedra:

Estas rosas que vês em mim são brasas.
Por isso, muito cuidado ao tocar
em suas pedras – pétalas sagradas.

Minhas palavras ardem a forjar
estas flores que canto por prazer
e que dão febre e fazem delirar.

Meu coração é mesmo a rosa viva.
Por isso, muito carinho ao pegar
suas pétalas – pedras tão aflitas.

Desta roseira, destacamos ainda outros sonetos e poemas de igual envergadura e valor lírico-metafórico, como é o caso de Rosa Mística, Pintura Rupestre e Dança das Rosas.
Em Odisseia, terceira parte do livro, JIVM rende bela homenagem ao nosso ilustre poeta Gerardo Mello Mourão, ao dedicar ao vate cearense o poema Invenção da Poesia. Esse poema, que parece ser o grande adeus de José Inácio a um tempo conservador que lhe impungiu feridas e golpes amargos, começa com a partida do poeta: “Pele vestida, distribuída e refeita, / Parto para o princípio do labirinto”. Ao final, temos a justificativa para essa partida/mudança, quando o eu-lírico afirma “que a peripécia não é chegar, / que o coração só tem um fim: / ao som do coro das sereias / cantar o ciclo da origem.”
Percebemos aqui, uma grande busca do poeta pela origem, mesmo sem bússola, sem timoneiro a lhe guiar. Assim é que, vemos ao longo de Odisseia, trechos como esses: “Perambulo sem ter rumo certo: / Estrangeiro, de mim tão disperso”, ou quando afirma que “Antes dos nomes das coisas, / os dedos do poeta buscam / as pistas deixadas pelo eu / na viagem feroz, brusca / e sem roteiro.” Ou ainda quando diz, no poema Fronteiras: “Perdido sem lua nem uivo, / Para mim só tem um caminho: / Riscar esporas no vazio.”
Na seção A calçada dos meus quinze anos, o poeta nos faz ouvir um grito típico de rebeldia adolescente; e aí, José Inácio pede a proteção de Walt Whitman, que lhe empresta a epígrafe: “Solto meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo”.
Esse grito de Inácio está presente no poema Soluço, em que o autor de A infância do Centauro diz: “E este soluço que saiu da casa do medo / está cheio de coragem”. Importante é perceber que mesmo ao gritar sob as queimaduras de sua realidade, a voz do poeta sai cheia de lirismo, como podemos ver no poema Vingança, onde ele afirma: “Eu vou me vestir de índio para tirar teu escalpo / e vou dançar ao redor da fogueira dos tempos, / e no caldeirão dos meus prazeres / cozinharei tua carne morena.”
Desta seção, destacamos o poema Abandono, onde o poeta mais uma vez deixa o cheiro de seu lirismo peculiar: “E mais uma vez subo ao telhado da infância / e com os passarinhos vou aprendendo / a ser o voo dentro da paisagem.”
Também merece destaque o poema Cântico dos Cânticos, em que o poeta dialoga com Salomão e seus cantares, mas reforça a dose de erotismo tão vicejante ao longo deste jardim de rosas escarlates. Assim, lemos os versos: “Das tuas nádegas tão montanhosas / o horizonte é mais macio e a minha linguagem / saboreia o mel do fel que trazes.”
Saímos do Roseiral após a leitura de sua última seção, A casa dos meus quarenta anos, cujo poema de título homônimo, nos sugere a ideia de um caminho novo trilhado a partir do momento presente.
E hoje, quando o poeta descansa/ressona à sombra das quatro décadas de sua existência, nessa casa em cujos cômodos largos “habitam uma enorme solidão / e muitas vontades de vida”, ele parece dialogar com seus fantasmas, ao som da litania dos sapos e grilos e rãs e bacuraus. Um diálogo travado nos quartos da casa/vida de José Inácio, e que só pára quando “uma multidão de ventos vem assobiar dentro dela”, penetrando-a através de suas “janelas azuis abertas para o azul”. Só então, no branco caiado do dia, quando “tudo que é bicho se cala”, o poeta pode, enfim, enterrar suas ilusões e “se lançar em outros abismos, nos caminhos que o futuro guarda”, como bem escreveu Eliana Mara Chiossi, no posfácio deste Roseiral.


Wender Montenegro é poeta e ensaísta. Publicou o livro de poemas Arestas (2008). Artigo publicado no blog Poemas de Wender Montenegro, em 14 de abril de 2011. 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

JIVM - ESTRANGEIRO


ESTRANGEIRO


 Quando chegaste por essas paragens
com tua bússola indicando o norte,
com teus espelhos pra fazer barganha,
não parei para te compreender.

Tu trazias molduras tão distantes
de tudo o que a terra me oferecia.
Foste forjando tua construção
para criar uma nova paisagem.

Tua verdade era devastadora.
Não fazias conta das minhas cores.
Agora, ao me olhar no espelho, não vejo
nem o vulto do meu rio liberto.

Perambulo sem ter rumo certo:
estrangeiro, de mim tão disperso.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

domingo, 17 de abril de 2011

ROSEIRAL DE VERTIGINOSA POESIA

Por Alexandre Bonafim


Ontem completei 43 anos. Estava no Reino da Pedra Só. Foi um dia tranquilo, frio e agradável. Passamos o dia, meus filhos e eu, andando à cavalo por dentro da caatinga. À noite, acendi uma fogueira e fiquei sentado, com Linda ao meu lado, ouvindo músicas de Raimundo Fagner, Alceu Valença, Amelinha, Geraldo Azevedo, Ednardo, Elba Ramalho, Belchior e Zé Ramalho.
Amanhã vai ser lançada, na cidade do Rio de Janeiro, a revista Poesia Viva, da editora Uapê.
Para comemorar meus 43 anos, publico, logo abaixo, o artigo que o poeta e ensaísta Alexandre Bonafim escreveu sobre o meu Roseiral e que está presente na revista Poesia Viva.

JIVM

Ilustração: Daniel Biléu

ROSEIRAL DE VERTIGINOSA POESIA
Por Alexandre Bonafim


A palavra, quando desnudada pelas mãos do poeta, faz-se destino dos astros, latejar do corpo, vertigem dos gametas em plenitude, dos pulsos em estertor. A palavra torna-se a vida inteira do cosmos, a memória das marés, dos relâmpagos. O poeta é o biógrafo da humanidade de todos os tempos, o historiador dos sonhos, o escriba dos devaneios. Em seu sangue está inscrito a força atávica dos mitos, das lendas, das paixões em estado de nascimento perpétuo. O poeta é o irmão dos alumbramentos, o pai da inocência, o filho primogênito de toda sede, de toda fome.
Nesse sentido, José Inácio Vieira de Melo é poeta em essência, em integridade, pois carrega o vigor da poesia não somente na alma, mas na pele, no ritmo das veias. O autor de Roseiral não escreve apenas poesia, ele existe na poesia, por isso a sua escrita não é mero artifício da linguagem, mas vivência plena da palavra viva, da palavra que se faz pão e milagre. José é escultor de devaneios, amante das epifanias.
Sua escrita descende da estirpe dos poetas mágicos, dos poetas visionários, tal como o foram Jorge de Lima, Gerardo Mello Mourão e José Alcides Pinto. O poeta de A infância do centauro é, para lembrar uma expressão bem ao gosto de Rimbaud, um vidente do verbo. Por isso sua escrita é sinestésica, é sensitiva, pois José Inácio, tal como o poeta de Charleville, desregra todos os sentidos na busca de uma vivência plena do estar no mundo. Nesse sentido, o escritor alagoano da Bahia move-se por “um saber erótico que ama o mundo que descreve” (MAFFESOLI, 1998, p. 14). Ele faz “sobressair a riqueza, o dinamismo e a vitalidade deste mundo-aí”. Por essa percepção ultra-sensível, o eu lírico dos poemas de José Inácio está “atento à beleza do mundo, às suas expressões específicas”; ele “participa do esforço criativo” do próprio cosmos (MAFFESOLI, 1998, p. 20-21). Tal conhecimento, de natureza intuitiva, irrompe de um “nascimento com” o sensível. Saber encarnado, pulsante, vivo, tal forma de conhecimento estabelece um encontro íntegro entre o ser do homem e o real.
Toda essa força sensitiva do corpo, da alma, energia inscrita na pele e na essência do poema, podemos novamente vislumbrar no novo livro de José Inácio, obra singelamente intitulada Roseiral. Em um belíssimo poema dessa sua nova coletânea, o poeta dá-nos a dimensão exata de tudo o que afirmamos até aqui:

FUGA


As crianças galopam goiabeiras,
sentem o gosto da paisagem de êxtase.
As crianças são deuses, mas não trazem
o germe do sofrimento, só brilham.

Quando o homem chega dentro da criança,
o infinito cai e a casa começa
a ter entranhas, a criar paredes.
Quem mais sofre com isso são as pedras:

sem sangue, sem respiração, sem ritmo,
seus escombros preenchem toda terra;
seus sonhos – fuzilados no horizonte.

Eu ainda saio dessa ciranda,
entro no primeiro buraco negro
e vou me inventar em outra galáxia.
(pag. 18)

Poema de associações lexicais raras, de grande inventividade, “Fuga” é um texto tipicamente bachelardiano, no sentido em que nele o poeta acende em si a infância imortal, o devaneio mais antigo de sua memória de criança. Bachelard, em seu livro A poética do devaneio, delineia uma “topografia” do imaginário poético, na qual memória e invenção se mesclam, transfigurando os eventos do passado. De acordo com o filósofo francês, há em todo homem um “núcleo” de infância, verdadeiro arquétipo, graças ao qual o sonho e o devaneio adquirem importante atuação na existência humana. Assim, conforme explicita Bachelard, o homem só pode alcançar a sua liberdade através da imaginação. É o devaneio, portanto, que liberta o homem da fatalidade do real, permitindo-lhe uma existência nuançada pelo onirismo. Dessa forma, o passado ultrapassa o estritamente factual e objetivo, ele torna-se uma criação, uma obra de arte:

[...] o devaneio voltado para o nosso passado, o devaneio que busca a infância parece devolver vida a vidas que não aconteceram, vidas que foram imaginadas. O devaneio é uma mnemotécnica da imaginação. No devaneio retomamos contato com possibilidades que o destino não soube utilizar. Um grande paradoxo está associado aos nossos devaneios voltados para a infância: esse passado morto tem em nós um futuro, o futuro de suas imagens vivas, o futuro do devaneio que se abre diante de toda imagem redescoberta. (BACEHLARD, 1996, p.107)

Tudo isso pode ser confirmado no poema “Fuga”. Nesse texto, portanto, José Inácio teatraliza a memória, busca no próprio passado o que há de universal em sua seiva, de cósmico em sua vida. Nas belas metáforas desse seu poema, antevemos a liberdade da infância, liberdade despida inclusive de morada, de paredes, de pedras (a casa só se erige com a chegada da idade adulta). Por isso o poeta conclama o existir no buraco negro, nos braços do universo, porque nesse recanto mágico sua vida guarda o gosto de tudo o que é inaugural, de tudo o que se enraíza na infância.
Tal como nas diretrizes de T. S. Eliot, José reinventa a palavra poética a partir da tradição. Essa é a sabedoria dos criadores maduros, dos que amam a poesia verdadeiramente, pois não podemos nos esquecer que o grande lirismo é Homero, é Dante, é Camões. A poesia, para ser madura, tem de nascer do que é vivido até o âmago, do que nasce do húmus mais fecundo da tradição. Por isso José Inácio é um inventor, porque sabe escrever a partir da sábia e humilde aprendizagem com os mestres. Por isso, inclusive, o poeta desvela-se grande sonetista em sua mais recente obra. Soa, nos belos sonetos do livro, o lastro vivo de Jorge de Lima, outro grande inventor, de nossa língua, nesse gênero:

ROSA MÍSTICA


Além do sino de bronze, navego
os enlevos internos do poeta,
viajo entre jardins de algarobeiras
e de mandacarus, buscando a Rosa

Mística. Codifico meus silêncios,
aparição de vozes e de luzes,
como paixões centrípetas e avulsas
que arremessam suas bocas à vida.

Porém, ao longo surgem as tormentas.
E a voz segura do poeta rompe
a cera dos ouvidos, leva o mel

ou a pimenta às vísceras abertas
do sentimento. E vejo a Rosa Mística:
origem, infinita criação.
(pag. 33)

A rosa do poeta congrega aquele lastro típico da lírica sacra, em que erotismo e religiosidade se comunicam num entrecruzamento de energias vivas, pulsantes. Aliás, o sagrado e o erótico nascem do cerne selvagem do existir, daquele ponto obscuro do ser pelo qual nos comunicamos com a nossa essência incognoscível: o inconsciente, a morte, a eternidade, o mistério da existência. Essa conjugação redunda em uma manifestação especial: o poema. A palavra torna-se a via de acesso ao âmago do corpo feminino, ao corpo em sua sagração plena e orgiástica. Verbo e corpo são o pólen dessa rosa germinada pelo alumbramento de um eu lírico encantado pelo tato, pelo sabor, pela visão, pela audição:

DANÇA DAS ROSAS


Rege a rosa impensada a duração
e, do ventre do espinho, nasce a forma
terrena da eternidade que passa.
Ah dolorosa dor que me perpassa.

Sozinha, no ar, minha vulva pensa
– rosa impensada a reger duração –
e digo aos tornozelos e aos jambos
esses incomparáveis sons que sinto.

Da régua restam passos a dançar,
os artelhos, as carnes, o infinito,
resta o canto que busca a alegria.

Com a geometria dos meus pés,
pisar na grande terra masculina
e guardar os segredos da roseira.
(pag. 37)

As rosas, metáfora do cerne do prazer, espocam em encantado erotismo: dulcíssima lascívia feminina com seus saborosos enredos de tornozelos, de braços, de âmagos sumarentos, plenos, abertos ao êxtase e ao infinito. O poeta torna-se artesão do tato, escultor de formas ondulantes, entreabertas pela acuidade visual, sensível, da palavra. O poema, como uma luneta mágica, permite-nos vislumbrar essa epifania dos corpos em arabesco, em movimento caleidoscópico, como a própria corola da rosa em festa.
Com grande sensibilidade, essa consubstanciação entre corpo e cosmos motiva poemas em que o erotismo surge como força vital, força motriz do próprio poema. Eros irrompe, na lírica de José Inácio, como energia telúrica, arrebatamento místico, resgate da sacralidade do amor. Em sua obra, através de imagens de grande beleza, o corpo baila enamorado, movido pelos fascínios do outro. Um intenso desejo manifesta-se no mundo e pelo mundo. Trata-se de um desejo cósmico, um desejo que se reflete no universo, configurando a beleza total. O erotismo transforma-se na encarnação da própria poesia, poema que se faz corpo e sangue, poema que se concretizou em carne e desejo. Octavio Paz reflete sobre a íntima relação entre o erotismo e a poesia: “A relação entre erotismo e poesia é tal que se pode dizer, sem afetação, que o primeiro é uma poética corporal e a segunda uma erótica verbal” (PAZ, 2001, p.12).
José Inácio, pelas suas rosas, desvelou-nos um livro inventivo, de versos bem construídos e lapidados, em imagens poéticas de grande plasticidade e beleza. Como na poesia dos portugueses Herberto Helder e António Ramos Rosa, as combinações lexicais têm grande efeito de surpresa e suscitam um forte sentimento extasiante. Poesia a caminhar por paragens de rara sintaxe, de surpreendente conjugação de imagens, Roseiral nos surpreende por ser justamente elaborado pela palavra sensitiva, intuitiva, nascida, enfim, daquele “selvagem coração da vida”, tal como podemos vislumbrar em James Joyce e Clarice Lispector.
Por serem gestadas por palavras inaugurais, brindemos o carmim dessas rosas, pois delas ressuscitamos em êxtase!


Alexandre Bonafim é poeta, ficcionista e crítico literário. Mestre em estudos literários e doutorando em literatura portuguesa pela Universidade de São Paulo.


BIBLIOGRAFIA:
BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
MAFFESOLI, Michel. Elogio da razão sensível. Petrópolis: Vozes, 1998.
MELO, José Inácio Vieira de. Roseiral. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.
PAZ, Octavio. A dupla chama. São Paulo: Siciliano, 2001.

terça-feira, 12 de abril de 2011

JIVM - POSSE

Ilustração: Daniel Biléu

 POSSE


Encravo o meu punhal na tua pequenina porta,
encravo-o com todo gás, com toda força,
e ao realizar essa completa invasão
descubro que a tua pequenina porta
guardava e resguardava um imenso salão.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

quarta-feira, 6 de abril de 2011

QUINTA POÉTICA (35ª EDIÇÃO) - REGISTROS

Casa das Rosas - São Paulo - 31/03/2011

Com Cláudio Portella, José Inácio Vieira de Melo, Mariana Ianelli e Raimundo Gadelha

Participação Especial: Percutindo Mundos

Coordenação: José Geraldo Neres

Foto: Carmen Barreto O poeta Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas, faz abertura do projeto Quinta Poética 2011

Foto: Carmen Barreto O poeta José Geraldo Neres, coordenador e curador do Quinta Poética, apresenta os poetas convidados da 35ª edição

Foto: Alice Santos Grupo Percutindo Mundos

Foto: Alice Santos Cláudio Portella

Foto: Carmen Barreto José Inácio Vieira de Melo

Foto: Carmen Barreto Mariana Ianelli

Foto: Alice Santos Raimundo Gadelha

Foto: Alice Santos José Geraldo Neres recitando o poema No dorso do enigma em homenagem a José Inácio Vieira de Melo

Foto: Alice Santos José Inácio Vieira de Melo

Foto: Alice Santos Mariana Ianelli

Foto: Carmen Barreto Cláudio Portella, JIVM, Mariana Ianelli e Raimundo Gadelha

Foto: Alice Santos José Inácio Vieira de Melo, Mariana Ianelli e José Geraldo Neres

Foto: Alice Santos Mariana Ianelli e José Inácio Vieira de Melo

segunda-feira, 28 de março de 2011

JIVM NO QUINTA POÉTICA, NA CASA DAS ROSAS (SP)

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Escrituras Editora e Casa das Rosas convidam para a QUINTA POÉTICA, 31 de março de 2011, a partir das 19h (evento gratuito) com os poetas convidados:

Cláudio Portella (Fortaleza – CE), José Inácio Vieira de Melo (Dois Riachos, Alagoas, radicado em Jequié – BA), Mariana Ianelli (São Paulo - SP) e Raimundo Gadelha (Patos - PB, radicado em São Paulo), com apresentação especial de Percutindo Mundos (Música Contemporânea Caiçara de São Vicente – Litoral Santista – SP). Curador: José Geraldo Neres.

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos Av. Paulista, 37 - São Paulo/SP Próximo ao metrô Brigadeiro. Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74, Informações: (11) 5904-4499

Saiba mais sobre o evento e os convidados:

Quinta Poética - Mensalmente, a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura abre suas portas para a Quinta Poética, um grande encontro dos amantes da boa poesia, com a presença de poetas consagrados e novos talentos, que têm a oportunidade de apresentar seu trabalho. Intervenções artísticas das mais diferentes expressões, como dança, música, artes plásticas, cultura popular, envolvem a leitura dos poemas. Grandes nomes da poesia, como Álvaro Alves de Faria, Beth Brait Alvim, Carlos Felipe Moisés, Celso de Alencar, Claudio Willer, Contador Borges, Eunice Arruda, Floriano Martins, Hamilton Faria, Helena Armond, João Melo (Angola), José Geraldo Neres, Raimundo Gadelha, Raquel Naveira, Renata Pallottini, Renato Gonda, Roberto Bicelli, entre outros, já estiveram presentes nesses encontros, que são promovidos pela Escrituras Editora e a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

OS POETAS:

Cláudio Portella é escritor, poeta e resenhista literário. Autor dos livros Bingo! (2003), Crack (2009), fodaleza.com (2009) e As Vísceras (2010). É o antologista de Melhores Poemas Patativa do Assaré (2006). Também é autor de Cego Aderaldo (2010).

José Inácio Vieira de Melo (1968), alagoano radicado na Bahia, é poeta e jornalista. Publicou os livros Códigos do silêncio (2000), Decifração de abismos (2002), A terceira romaria (2005), A infância do Centauro (2007) e Roseiral (2010). Organizou Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia (2004) e a agenda Brasil Retratos Poéticos do Brasil 2010 (2009). Publicou também o livrete Luzeiro (2003) e o CD de poemas A casa dos meus quarenta anos (2008). Participa das antologias Pórtico Antologia Poética I(2003), Sete Cantares de Amigos (2003), Voix croisées: Brésil-France (2006) e Roteiro da poesia brasileira – Anos 2000 (2009). Coordenador e curador de vários eventos literários, como o Porto da Poesia, na VII Bienal do Livro da Bahia (2005) e a Praça de Cordel e Poesia, na 9ª Bienal do Livro da Bahia (2009). Foi coeditor da revista de arte, crítica e literatura Iararana, de 2004 a 2008. Edita o blogCavaleiro de Fogo (http://www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com/).

Mariana Ianelli é autora de Passagens (2003), Fazer silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva alvorada (2010), entre outros livros, todos publicados pela editora Iluminuras. Mestre em Literatura e Crítica Literária, colabora como resenhista para os jornais O Globo - Prosa&Verso (RJ) e Rascunho (PR). Escreve crônicas todos os sábados para o site Vida Breve. Tem participações em várias antologias e revistas literárias. Em 2008 venceu o Prêmio Fundação Bunge de Literatura (antigo Moinho Santista), na categoria Juventude. Site oficial: http://www.uol.com.br/marianaianelli

Raimundo Gadelha é poeta e fotógrafo, formado em Publicidade e em Jornalismo pela Universidade Federal da Pará, com especialização na Universidade de Sophia, em Tóquio, Japão, onde residiu por três anos, depois de ter estudado em Nova York. Sua obra percorre o romance, o conto e a poesia, tendo 15 livros publicados, entre eles Vida útil do tempo (poesia, 2004) e Em algum lugar do horizonte (romance, 2000), editado na Grécia e no México. Atuou durante três anos como editor da Alian&cc edil;a Cultural Brasil-Japão e, em 1994, fundou a Escrituras Editora (www.escrituras.com.br), que comanda até hoje. Em 2007, assumiu a direção da editora e livraria virtual Arte Paubrasil (www.artepaubrasil.com.br) e em 2009 adquiriu os selos A Girafa e Girafinha, dando continuidade às suas publicações. Participação especial de

Percutindo Mundos - O grupo experimental de "música contemporânea caiçara" tem sua criação voltada a ressignificação de identidades culturais, unindo o ancestral caiçara ao contemporâneo através da literatura, filosofia, dança e artes visuais. Suas paisagens sonoras remetem à influência das culturas indígena brasileira, portuguesa e africana misturadas à urbanidade e ao cosmopolitismo. Sua música é caracterizada pela harmonia dos timbres, o minimalismo, a aleatoriedade e a melodia percussiva. Márcio Barreto (composição, voz, rabeca, clarinete, flauta, acordeão, violão, escaleta e percussão), Célia Faustino (voz, percussão, dança), Jean Ferreira (percussão, dança), Fernanda Carvalho (percussão, dança) - Márcio Barreto lança o livro "O Novo em Folha".

Curador da Quinta Poética: José Geraldo Neres nasceu em Garça, SP, em 1966. Poeta, roteirista, dramaturgo (com formação em oficinas e cursos de criação textual) e produtor cultural. Publicou o livro de poesia Outros Silêncios, Prêmio ProAC da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo 2008, (Escrituras Editora, 2009) realizado por meio do programa “Bolsa para autores com obra em fase de conclusão” da Fundação Biblioteca Nacional em 2007/2008; e Pássaros de papel (Dulcinéia Catadora, edição artesanal, SP, 2007). É cofundador do Palavreiros. Integrante do Conselho Gestor & Editorial do Ponto de Cultura Laboratório de Poéticas (Programa Cultu ra Viva, do MinC). Gestor Cultural e Curador da Sala Permanente de Vídeo/Doc da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará (2008). Jurado da etapa inicial do Prêmio Portugal Telecom de Literatura (2009). Ministra oficinas literárias, com ênfase em criação literária e estímulo à leitura. Seu livro Olhos de Barro recebeu menção especial na 3a edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (ficção - 2010). Blog: http://neres-outrossilencios.blogspot.com/

Escrituras Editora: Rua Maestro Callia, 123 - Vila Mariana, CEP: 04012-100, São Paulo - SP - Brasil, Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx), Site: http://www.escrituras.com.br

terça-feira, 15 de março de 2011

PROJETO UMA PROSA SOBRE VERSOS COM O POETA SALGADO MARANHÃO



Na próxima sexta-feira, 18 de março, o projeto Uma Prosa Sobre Versos receberá o poeta maranhense Salgado Maranhão, autor de A cor da palavra, dentre outros.
Exemplo de iniciativa de sucesso na Bahia, o projeto está no quarto ano de atividades, na cidade de Maracás. Em 2011 serão mais sete escritores, somando 29 desde a edição 2008.Observando os resultados positivos, outros municípios, a exemplo de Planaltino, Iramaia e Nova Itarana estão desenvolvendo projetos similares. No dia seguinte, 19 de março, Salgado Maranhão participará do projeto Fala de Poeta, na cidade de Planaltino.
Em Maracás, o evento contará, como sempre, com um belo recital poético apresentado pelo Grupo Concriz, um momento musical com Léo Guita (da Tribo do Rock) e amigos. O poeta José Inácio Vieira de Melo, curador do projeto, apresentará o poeta, com quem fará um bate papo sobre literatura e assuntos afins. Aberto à comunidade maracaense e cidades vizinhas, o evento é gratuito. É só aparecer no Auditório Municipal de Marácas, às 19 hs 30 min.

segunda-feira, 14 de março de 2011

VERÔNICA DE VATE - SALGADO MARANHÃO



Poeta. Letrista. Jornalista. SALGADO MARANHÃO nasceu no povoado de Cana Brava das Moças, na cidade de Caxias, interior do Maranhão, onde morou trabalhando na roça.
Aos 15 anos, ainda adolescente, mudou-se com os irmãos e a mãe para Teresina, Piauí, onde foi alfabetizado.
Escreveu artigos sobre música para um jornal local e conheceu Torquato Neto, que o incentivou a ir para o Rio de Janeiro, o que fez no ano de 1972. Torquato Neto também sugeriu que criasse um pseudônimo, segundo este, o nome José Salgado Santos parecia nome de arquivista e não de poeta.
Estudou Comunicação na Pontifícia Universidade Católica (PUC).
Terapeuta corporal, foi professor de tai chi chuan e mestre em shiatsu.
A partir de 1976 colaborou em várias publicações com artigos e poemas, como a revista "Música do Planeta Terra", a convite de Júlio Barroso, então editor da revista, na qual também colaboravam Sergio Natureza, Caetano Veloso, Ronaldo Bastos, Jorge Mautner e Jorge Salomão, entre outros.
Em 1978 foi um dos organizadores, com Sergio Natureza e Moacyr Félix,do livro "Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis" (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ), coletânea que reuniu diversos poetas, como Sergio Natureza (assinando Sérgio Varela), Antônio Carlos Miguel (sob o pseudônimo de Antônio Caos), Éle Semog, Mário Atayde, Tetê Catalão, entre outros.
Publicou poemas e artigos na revista "Encontro com a Civilização Brasileira" (1978). Nos anos seguintes, publicou "Aboio" (cordel/ Ed. Corisco -Teresina - 1984), "Punhos da serpente" (poesia/ Ed. Achiamé, RJ, 1989), "Palávora" (poesia - Ed. Sette Letras, RJ, 1995), "O beijo da fera" (poesia - Ed. Sette Letras, RJ, 1996) e "Mural de ventos" (poesia - Ed. José Olympio, RJ, 1998).
Em 1998, ganhou o prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro "O beijo da fera". No ano seguinte, com o livro "Mural de ventos", foi o vencedor do "Prêmio Jabuti", da Câmara Brasileira do Livro, dividido com Haroldo de Campos e Gerardo Mello Mourão.
Em 2007 sua poesia foi estudada na Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, nos Estados Unidos.
Tem poemas traduzidos para o inglês, holandês, francês, alemão e espanhol.
Sobre ele, declarou seu conterrâneo Ferreira Gullar: "Salgado é um dos mais brilhantes poetas de sua geração e possui um trabalho de linguagem muito especial".


ABOIO
Para Alcione e para João do Vale (in memoriam)


Quem olha na minha cara
já sabe de onde eu vim
pela moldura do rosto
e a pele de amendoim
só não conhece os verões
que eu trago dentro de mim.

A vida desde pequeno
sempre cavei no meu chão
da raiz da planta ao fruto
fazendo calos na mão
eu aprendi matemática
descaroçando algodão.

Carcarás, aboios, lendas,
são minha história e destino
tudo que a vida me deu
é tudo que agora ensino
na quebrada do tambor
eu sou velho e sou menino.



AMOR ANÔNIMO


Amarrei o meu destino
na calda de um furacão
e me vejo do retrovisor de um sonho
a devastar telhados,
a decretar meu próprio apocalipse.

Amarrei meu coração
no rabo de um vulcão de saias
e sigo qual lunático
num pântano de fogo
sem bússola, sem corda, sem escolta
e sem saber sequer se existe volta.