segunda-feira, 1 de junho de 2009

9ª BIENAL DO LIVRO DA BAHIA - PRAÇA DE CORDEL E POESIA

O GRANDE ENCONTRO DOS POETAS BAIANOS

Para a Praça de Cordel e Poesia, na 9ª Bienal do Livro da Bahia, que aconteceu do dia 17 a 26 de abril, da qual fui curador e coordenador, convidei 101 poetas, um número bastante significativo. Artistas da palavra, de vários territórios do Estado, desfilaram seus versos durante os dez dias de celebração do livro, da palavra literária, da poesia e da leitura. Confira, abaixo, alguns momentos da Praça de Cordel e Poesia.

17/04 - JIVM e Carlos Moisés

17/04 - José Inácio Vieira de Melo

17/04 - Barná Cardoso, Raiça Bomfim e Gibran Sousa

17/04 - Antônio Barreto e Franklin Maxado

¹7/04 - Edgar Velame e Ivan Maia

18/04 - Leandro Tranquilino e Paraíba da Viola

19/04 - Marcus Vinicius Rodrigues, Martha Galrão e Nívia Maria Vasconcellos

20/04 - Wesley Correia, Sérgio Silva e Emmanuel Mirdad

21/04 - JIVM recitando entre a platéia

21/04 - Gina Alves, Ivana Karoline, Caroline Brito e Matheus Machado (Grupo Concriz - poetas, recitadores e afins, da cidade de Maracás)

21/04 - JIVM e Grupo Concriz (Gina, Ivana, Marcelo Nascimento, Vitor Nascimento Sá, Hermann Henrique, Matheus, Carol e Edmar Vieira)

21/04 - Antônio Barreto e Maria da Conceição Paranhos

23/04 - Thiago Lins, Georgio Rios, JIVM e Paulo André

23/04 - Jotacê Freitas

23/04 - Elizeu Moreira Paranaguá, Vânia Melo e Herculano Neto

24/04 - Kátia Borges e Mayrant Gallo

25/04 - Xangai, Cardan Dantas, Washington Queiroz e Paulo Pedro Pepeu

26/04 - Sapiranga

26/04 - Carla Visi

26/04 - Carla Visi lendo o poema "Jardim das Algarobeiras", do livro "A infância do Centauro", de José Inácio Vieira de Melo

segunda-feira, 25 de maio de 2009

VERÔNICA DE VATE - CARLOS RIBEIRO

foto Ricardo Prado
CARLOS RIBEIRO nasceu em Salvador - Bahia, em 19 de agosto de 1958. Jornalista, ficcionista, ensaísta, mestre e doutorando em literatura pela Universidade Federal da Bahia, é autor dos livros Já vai Longe o Tempo das Baleias (contos. Salvador: Fundação Cultural da Bahia, 1982), O Homem e o Labirinto (contos. Salvador: BDA Bahia, 1995), O Chamado da Noite (romance. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1997), O Visitante Noturno (contos. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2000), Caçador de Ventos e Melancolias: um estudo da lírica nas crônicas de Rubem Braga (ensaio. Salvador: Edufba, 2001), Abismo (romance. São Paulo: Geração Editorial, 2004), Lunaris (EPP/Banco Capital, 2007) e À luz das narrativas: escritos sobre obras e autores (Edufba, 2009). Participa das antologias e coletâneas Oitenta, Geração 90: Manuscritos de computador (São Paulo: Boitempo, 2001), Chico Buarque do Brasil (Rio de Janeiro: Garamond,2004), Antologia de contos e crônicas de autores baianos contemporâneos (Salvador, 2004), Contos cruéis (São Paulo: Geração Editorial, 2006), Antologia panorâmica do conto baiano - século XX (Ilhéus: Editus, 2006), Quartas histórias (Rio de Janeiro: Garamond, 2006), Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte (São Paulo: Geração Editorial, 2008) e Travessias singulares: Pais e filhos (Rio de Janeiro: Casarão do verbo, 2008). Tem trabalhos publicados em suplementos culturais e revistas literárias, a exemplo de A Tarde Cultural, Revista da Academia de Letras da Bahia, Revista da Bahia, Exu, Qvinto Império e Rascunho. Em 1988 venceu o concurso de contos promovido pela Academia de Letras da Bahia e, desde 1998, co-edita a revista de arte, crítica e literatura Iararana. Dedicou-se durante muitos anos à divulgação científica, tendo participado de expedições à Antártida, Amazonas e diversas reservas naturais brasileiras. É membro da Academia de Letras da Bahia e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB/Cachoeira.
*
Carlos Ribeiro vai apresentar-se, no próximo dia 30 de maio, no projeto Travessia das Palavras, na cidade de Jequié, Bahia, coordenado por Leonam Oliveira e José Inácio Vieira de Melo. O evento vai contar com a participação especial do cantor e compositor Nuno Menezes.


NOITE


A noite hoje veio mais cedo. Nem as galinhas recolhiam-se aos poleiros, nem os sapos coaxavam na floresta, nem os pássaros repousavam do vôo diurno e o mundo cobriu-se de sombras.

No meu quarto sumiram, como por encanto, as derradeiras réstias de luz. Não sei se perceberam-nas os lavradores no campo, as lavadeiras do rio Paraguaçu, as inocentes criancinhas a tocarem burricos nesta terra sem fim e sem começo. A noite é como lembranças de amigos que não voltam mais.

A noite veio mais cedo hoje, e antes mesmo que viesse já a antecipara num crepúsculo de cores derramadas no vasto céu, fonte de tudo que há. O gado pastava no campo, indiferente. Nem o cavaleiro freava o cavalo, nem as luzes se acendiam nas cidades, nenhuma porta se abria ao viajante.

Assim, rapidamente, como num assalto, apossaram-se as sombras do mundo, e ante a indiferença dos demais, uniram-se numa só, gigantesca, a projetar-se na imensidão.

Desde então, recolhido em sombra, laboro em sonho formas singelas de luz.

CARLOS RIBEIRO

CARLOS RIBEIRO - VENTO MENINO

Menino: Ian Vinícius

VENTO MENINO

Chove. Pela janela o menino vê as árvores dançando nas tormentas, e no campo as folhas giram em redemoinhos vigorosos. E enquanto o vento a todos suscita terrores, ao menino oferta o fascínio.

Que medo faz essa dança de elementos indomáveis? Que medo traz o zumbido do vento, quando o coração do menino é o vento e a terra em seu contínuo devir?

O menino não está onde os olhos claros refletem os raios, mas lá mesmo, flanando, explodindo, bramindo, gritando, sentindo. Vento menino que colhe o tempo e o carrega para além das almas. Menino vento que toca o sino da igreja, na torre mais alta da sua alegria.

E enquanto for vento ninguém lhe dirá: fique quieto, menino! E ninguém poderá detê-lo: nem as ordens do rei, nem decretos-lei, nem as normas do bom viver. Que bom viver sem normas, vento-rei de tudo, que além de tudo é menino e voa feliz sobre a face do rio.

CARLOS RIBEIRO

quinta-feira, 21 de maio de 2009

9ª BIENAL DO LIVRO DA BAHIA - CAFÉ LITERÁRIO

Antonio Calloni e José Inácio Vieira de Melo
Tema: Atualmente, a internet é o lugar da poesia?

Coordenado por Guiomar de Grammont, o Café Literário da 9ª Bienal do Livro, do dia 19 de abril de 2009, apresentou, às 20 horas, os poetas Antonio Calloni e José Inácio Vieira de Melo, que além de discutirem sobre o tema proposto, discorreram também sobre o fazer poético e sobre a recepção da poesia nos dias atuais. Os poetas leram poemas de seus livros mais recentes: Paisagem vista do trem (Antonio Calloni) e A infância do Centauro (José Inácio Vieira de Melo). Parte da família de JIVM veio das Alagoas para assistir o evento. A noite de poesia foi encerrada com JIVM soltando um aboio de Vavá Machado e Marcolino, os Bridões de Ouro do país das Alagoas, mesclado por versos de João do Vale, compositor maranhense de valor singular. O registro deste encontro poético ficou por conta do grande fotógrafo Ricardo Prado.
fotos Ricardo Prado











quarta-feira, 20 de maio de 2009

JIVM - GRÃO DE AREIA

foto Ricardo Prado

Antonio Calloni lendo o poema Grão de areia, de José Inácio Vieira de Melo


GRÃO DE AREIA

Para Carlos Moisés Soglia de Melo


Meu filho, vês aquele grão de areia?
É o teu pai nascendo para os mistérios.
E o que está agora a compor teus pensamentos
é a poeira cósmica dos intergalácticos sertões
pelos quais percorreu o grão de areia
até chegar aqui e nascer para este mundo.

Meu filho, aquele gigante que nos espreita?
É a sombra do grão de areia de onde vieste,
é o grito de teu pai mirando o Cosmo
e te invocando para o sacrifício da vida.

Meu filho, aquele seixo é o teu começo.
Tu o conduzirás às alturas das tuas possibilidades
em um sonho de aventuras e esperanças
que quando finda começa, e é assim mesmo.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

ANTONIO CALLONI - VERMELHO

foto Ricardo Prado
José Inácio Vieira de Melo lendo o poema Vermelho, de Antonio Calloni


VERMELHO


Vermelho espelho
espelha o seio
o seio rosado
de canto sereia

No seio segredo
de leite eterno
de seio espelhado
no espelho vermelho

E o barco do homem
no espelho alado
avista o seio
no espaço rasgado

Mares e seio
na unidade matéria
descendem do Deus
homens, grutas, artéria

Eterno e contínuo
o espelho espelha
seios, barcos, homens
além do olhar
da cona
do falo
além do suar
espelha a mulher
a cantar a beijar
o homem do barco
ferido de ar
pelo fogo da língua
sereia e luar

O espelho vermelho
espelha o corpo lunar
corpos lua
corpos luar
e o barco do homem
viaja no ar
do canto sereia
corpos
lua
luar


ANTONIO CALLONI

segunda-feira, 11 de maio de 2009

HAI-KAIS AOS MESTRES

José Inácio Vieira de Melo


O FATALISTA

Nos olhos do cão:
Alberto da Cunha Melo
– vate e furacão.


A MÍSTICA

Conceição Paranhos:
Maria – santa em delírio,
seus versos me banham.


O SEMEADOR

José Chagas planta
sementes no sentimento:
silêncios que cantam.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

VERÔNICA DE VATE - ÂNGELA TOLEDO

Ângela Toledo pintando os muros do Morro de São Paulo

ÂNGELA TOLEDO POR ÂNGELA TOLEDO
De Miracema (RJ), onde nasci em 10 de outubro de 1963, mudei-me para Salvador, em janeiro de 1986, onde trabalhei em agências de publicidades como a Publivendas (Fernando Carvalho) e DM-9 (Duda Mendonça). Em Salvador comecei a publicar meus poemas em folhetos, influenciada na época pelos "Poetas da Praça" e pelos intelectuais e escritores que frequentavam o "Quintal - Raso da Catarina" no Campo Grande.
Desde 1991, moro em Morro de São Paulo (município de Cairu-BA), povoado turístico da ilha de Tinharé, na Costa do Dendê. Lá, ao lado de Beto Bahia e Fernanda ViaCava, fundei o Grupo Ensaio, o primeiro do gênero em Morro.
Depois de quatro "folhetins", lancei 40 modelos de poemas postais em série de 8, ilustrados por artistas diferentes. Lancei um poema cartaz com foto de Claude Santos e no total foram sete livros alternativos sendo que o primeiro, Azul (1995), teve apresentação de Jorge Mautner e o último, Vaga Lume, foi publicado em 2004. São livros muito simples e afora os dois mencionados os outros foram feitos por mim mesma. Faço também camisas e bolsas com poesias minhas, em pintura e silckreen. Pinto os muros com poemas, que viraram atração turística aqui no Morro.
Apresento performances ou recitais de Poesia no Teatro do Morro (toda quarta-feira), e onde sou convidada. Organizei durante onze anos a "Semana da Poesia do Morro de São Paulo" de 11 á 14 de março, mantive um projeto de educação sócio-ambiental (voluntariado) e a criação do Grupo Poema Doido com as crianças do projeto.
Este ano retomei meus estudos para concluir o 2º grau. Trabalhei muitos anos como babá, doméstica, balconista, enfermeira, fotógrafa e garçonete. E tenho amigos excepcionais que me enchem de orgulho e alegria já por serem meus amigos.
*
Ângela Toledo vai apresentar-se, no próximo dia 9 de maio, no projeto Uma Prosa Sobre Versos, na cidade de Maracás, Bahia, coordenado por Edmar Vieira. O projeto conta com a participação especial do Grupo Concriz, que vai apresentar um recital com poemas de Ângela.

Mural de Ângela Toledo

SILÊNCIO

Tem silêncio em mim,
que não me deixa nem
silenciosamente escrever.
Tem um silêncio em mim,
que ninguém consegue ver
que se perde em si próprio
de tanto se saber.
Tem um silêncio em mim, que
se guarda e se separa,
que se acalma, mas não pára,
que se esconde mas não se cala.
Tem um silêncio em mim,
que nem sei de onde vem:
talvez venha de alguém
e se guarde não sei prá quem.

ÂNGELA TOLEDO

terça-feira, 5 de maio de 2009

BRASIL O EL UNIVERSO SUMERGIDO DE JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

Carlos Andrés Almeyda Gómez

Fotógrafo: Ricardo Prado

Bien podría decirse del poeta brasileño José Inácio Vieira de Melo (Dois Riachos, Alagoas, Olho d’Água do Pai Mané, 1968) que, en él, la fuerza de una nueva poesía no sólo se junta -en reflexiva y elevada alquimia- con el decir ‘pial’ o primitivo de buena parte de las letras anteriores, hermanadas más con la idiosincrasia del mito que con las rupturas habituales de las generaciones que le siguen, sino que además logra conciliar varios discursos en un tono mediático, existencial. Y es que, la verdad sea dicha, desde fenómenos como la antropofagia y los cantares pastoriles que suplantaron en el Brasil aquellos ataques modernistas que padecía el resto de nuestro continente, la poética imperante subrayó una suerte de primitivismo en el que lo lírico sometía algunas nociones subjetivas al terreno de la ruralidad, de ahí que en Vieira de Melo -cercano en todo caso a una poesía de raíces populares, ejemplo de ello es su primer libro Códigos do Silêncio, y posteriormente decantada tras la adopción de nuevos y poliformes guiños- el poema conlleve a un diálogo tangible entre lo geográfico, lo ancestral y una voz foránea a la retórica de esos acontecimientos que marcaron a poetas alagoanos como Jorge de Lima.
En este, su tercero libro, A Terceira Romaria, se hace claro el porqué de su título, dado que hay una multitud en compleja conversación, hay una turba de voces que revelan, como lo afirmara el poeta Lêdo Ivo, un “lirismo cortante como el filo de una navaja, una poesía que, antes árida, esconde y guarda una lluvia secreta”. De una voz en mutación, de la suma de vicisitudes y el personal universo en expansión que le lleva a terrenos metafísicos puede citarse Ciço Cerqueiro, uno de los poemas más representativos en A terceira Romaria y del cual Hidelberto Barbosa Filho nos informa con acierto en su prólogo: “la precisa transmutación de ese yo-poético asimila la singularidad de una mirada e idiosincrasia particular, por medio de una empata perceptiva, bien cercana a poetas en fase de maduración”.
Esa “simbología cultural” es el guiño más visitado en la poesía de Vieira de Melo. Salta a la vista, además, su clara disposición al juego interdisciplinario, digamos que esa norma de transito que hace de un poeta joven, una especie de pequeño santuario de afectos. La alusión a sus autores, la estructura profunda que delata lo suyo y que a la vez crea lazos con esos amores ‘foráneos’: El sesgo, o más bien la influencia, de aquellos autores que asoman en el intertexto. Federico García Lorca por ejemplo, de quien Vieira de Melo ha sacado no sólo el título de su poema Bodas de sangre: “¿Qué belleza es esta que tanto me incomoda? (…) ¿O qué anuncian tus inquisidores y translucidos ojos?”. Luego, la cuestión se resuelve, hay formas y lenguajes en un dialogo, una puesta en escena desde el trópico -el verde Brasil- con un frío aire de requiebro gitano, teatro de sincretismos: “Todo en ti es doble, señora del amor brujo. / En tus manos se multiplican los gestos y las bendiciones / y con tus manos dices más que cien mil bocas juntas…”.
Con Paraíso perdido, como Milton, el texto poético toma fuerza, sin tener que romper la simplicidad para demostrar que alude a una compleja maquina, la alquimia del verso es su fuerza para expresarse desde un universo tan pequeño, sin nada que le delate como artificial o esquivo:

Quizá no te acuerdes de la flor
ni mucho menos del rocío,
pero si miras hacia dentro
descubrirás el jardín y la fuente.

De los poemas del libro, Construcción, es uno de esos raros o apológicos textos que hablan del Vieira de Melo anterior al autor que aflora de otros poemas en el libro, es decir, es algo más experimental en cuanto a su decir, como un ars poetica del joven que permanece tras el laboratorio de imágenes de A terceira Romaria.
El sentido onírico que parece ocultarse en algunos trechos del libro demuestra hasta que punto Vieira de Melo ha sabido reunir en un solo espécimen poético tal cantidad de imágenes y recuerdos que no sólo la vivencia es la que se aflora, si no que hay un sin número de convidados que dicen lo suyo, otra vez esa ‘romaria’, las pasiones vitales en ebullición y una pluralidad sometida al bien de un universo particular.
Finalmente, véase como la diversificación en significantes y temáticas hace que Vieira de Melo pueda salir airoso al acartonamiento del ‘arte pastoril’ del cual abrevaron sus poemas inaugurales, viene a revitalizar, tras una búsqueda más intuitiva y a la vez más universal, un discurso diletante y reconciliador, ese micromundo que ayuda a la poesía local o continental a salvarse de las taras que otras generaciones la han impuesto. El universo de José Inácio Vieira de Melo es precisamente eso, la mutación de una voz en conflicto con la estética que la cohabita, un asunto de magia literaria.


Carlos Andrés Almeyda Gómez es colombiano. Éditor de la Revista Artificios y director del periódico de libros Lecturas Críticas.

Texto publicado na revista Agulha, em Fortaleza e São Paulo, em janeiro/fevereiro de 2007

quinta-feira, 23 de abril de 2009

VERÔNICA DE VATE - KÁTIA BORGES


KÁTIA BORGES é jornalista, formada em Comunicação Social pela Ufba e especialista em Gestão da Informação em Multimeios (FTC) e Análise do Discurso Audiovisual - Televisão, Cinema e Vídeo(Ufba). Desde 1995, trabalha no jornal A TARDE, onde atualmente é uma das editoras da revista semanal "Muito". Poeta, lançou o primeiro livro, "De volta à caixa de abelhas", em 2002, pelo selo As Letras da Bahia. Tem poemas publicados em duas coletâneas, "Sete Cantares de Amigos" e "Concerto Lírico para 15 vozes", e incluídos no projeto "Mídia Poesia", parceria entre TVE e Rede Bahia. Foi selecionada, ainda, para integrar a coleção "Roteiros da Poesia Brasileira", no livro dedicado aos poetas dos anos 2000, a ser lançado pela Editora Global. Tem poemas publicados em revistas eletrônicas, como "Sibila", "Panaroma da Palavra", "Rascunho", "Máquina da Palavra" e "Jornal da Poesia". Já participou de diversos projetos de recitais e encontros com leitores, como "Malungos", "Poesia na Boca da Noite", "Travessia das Palavras" e "Semana de Letras da Ufba". Edita o blog "Madame K" (http://www.mmeka.wordpress.com/) e escreve também para teatro, tendo participado no ano passado da peça "Batata!", do grupo baiano Dimenti, com o texto "O escorpião amarelo".


AO SOL


Sair ao sol,
encarar o dia,
sem medo das sombras
que insistem.

Sim, sair de dentro
e ver a rua e o mundo,
com ruídos, entre dentes,
buzinas, rangidos, vômitos,
sob a luz que escorre
na cidade quente.

No meio fio,
sentar e apreciar a paisagem,
com seu tanto de Guernica, de guerra civil
mascarada por rostos
sorridentes.

Sair ao sol,
enquanto chove
intermitantemente.


KÁTIA BORGES

KÁTIA BORGES - DESASSOSSEGO



DESASSOSSEGO


Na porta da mercearia
de bairro, fumo um cigarro,
o primeiro do dia, após
um acontecimento que
não é de amor ou de poesia.

Na porta da mercearia,
sonhos antigos passam,
acenam, pedem adeus.
Ah, Deus, se vão,
“com o mistério das coisas,
por baixo das pedras e dos seres”.

Três moedas tilintam no bolso
da bermuda xadrez, ouço
uma canção distante.
Peço que tirem os chapéu
sem respeito aos meus sonhos
mortos, um momento solene
no café, algo que celebre
esta melancolia ou a dilacere de vez.

(E, como este “fumo leve
que foge entre meus dedos”,
segue o segredo de viver sem culpas
que desconheço)

Na porta da mercearia de bairro,
pouco importam os astros,
e a água da Lua. Na Terra, só
esta secura envolta em bruma.
Na Terra, só este desassossego…


KÁTIA BORGES

segunda-feira, 20 de abril de 2009

GABRIEL INÁCIO SOGLIA DE MELO - DOIS ANOS

“Clareia manhã, clareia! Abre as janelas manhã
E deixa esta casa cheia com teu cheiro de romã"


O dia começa. Hoje, meu filho caçula, Gabriel Inácio Soglia de Melo, está completando dois anos de idade. Neste momento, estou em Salvador. Gabriel, em Jequié. Sei que está acordando, sei que seus cabelos anelados trazem notícias dos sonhos dos querubins. Gabriel galopa no vento, Gabriel traz os segredos da poeira em suas mãos. Gabriel é o sopro da esperança a movimentar meus dias. É o ânimo, o brilho que chega em minha alma e a faz delirar. Gabriel Inácio é a poesia que existe neste momento e eu posso sentir sua presença em cada movimento do meu ser, do meu espírito, do meu intelecto.
Gabriel, meu filho, sopro ao vento esta oração e louvo tua presença, e te digo daqui, de todos os lugares do meu ser, anda sempre pelo caminho do bem e busca sempre a felicidade. Parabéns, meu filho querido.
JIVM

Fotos: Ricardo Prado

"Gabriel traz os segredos da poeira em suas mãos"

" A mim ensinou-me tudo/ Ensinou-me a olhar para as coisas"

"A Criança Eterna acompanha-me sempre."

quinta-feira, 16 de abril de 2009

41

Fotógrafo: Ricardo Prado

“Não existe um só homem que algum dia já não tenha pegado uma navalha em suas mãos e que ao mesmo tempo não tenha pensado em como seria fácil cortar o fio prateado da vida”Lord Byron
Ufa! Escapei dos quarenta!
Agora que cheguei aos 41, posso confessar que fazer 40 anos foi um dos momentos mais difíceis e terríveis da minha vida. Senti um desespero tão grande... Uma dor no peito, uma tristeza. É que descobri que não era imortal. E aí percebi que já não tinha mais aquele corpo vigoroso, que não tinha chegado a lugar nenhum e que todos me olhavam desapontados. Na verdade, eu é que estava desapontado com tudo. E comigo.
Mas aí o mal já estava consumado, o dia 16 de abril de 2008 passou. E as dores na coluna foram ficando mais fortes. E eu só pensava em sumir. E o pior que não era sumir no mundo não. Eu sentia vontade de sumir do mundo. Mas aí vinha a lembrança de meus filhos e, em algum cantinho, esboçava-se um sorriso dentro de mim. Ah! estes filhos maravilhosos! Mas aí vinha o pensamento: “eu sou um irresponsável! Como é que fui colocar filhos neste mundo miserável! Para viver uma existência mesquinha, limitada e sem sentido”. Cheguei mesmo a desejar não estar vivo.
Mas me agarrei com meus poetas – os santos culpados – e fui tocando em frente. Um dia depois do outro mergulhado em profunda tristeza. Até que um dia comecei a ler um livro de um japonês chamado Akutagawa, um sujeito que se suicidou aos 35 anos com uma dose de Veronal. Antes, escreveu um conto chamado A vida de um idiota. Quando o li, percebi quanto daquela maneira de ser estava dentro da minha, o quanto éramos parecidos, irmanados. Ao final do conto, o personagem – ele próprio – pedia desculpas à mulher e aos filhos por suas limitações, lamentava mesmo a infelicidade deles em o terem como pai, e por aí seguia.
Foi então que percebi que o caminho seguido por Akutagawa não era o meu. Lembrei-me de minhas origens sertanejas, lembrei-me de meus delírios de poeta. Senti vontade de dar um passo e depois outro e outro e outro. Senti necessidade de caminhar, caminhar apenas por caminhar. E as coisas começaram a vicejar de novo, os versos voltaram a brotar no meu ser.
Aí, eu saí daquela depressão, abandonei a tristeza e fui cuidar em viver. Viver cada momento. Viver por viver. Viver até a hora que der certo. Viver até morrer de tanto viver.
E, agora, cá estou com 41 anos. Cheio de vontades. Meus filhos e minha mulher dormem. Estão com saúde. Eu também com saúde. Muitos livros para ler. Um livro para publicar. Muitos projetos. Amanhã começa a Bienal do Livro. Estarei lá com meus companheiros, levando a palavra poética ao sentimento das pessoas. Agora, posso dizer: este é um momento de felicidade.
JIVM
Quero celebrar este momento com poesia – música que toca em minha alma:

Um Poeta é um rouxinol
que se senta na escuridão
e canta para se confortar
da própria solidão com belos sons;
seus ouvintes são como homens arrebatados
pela melodia de um músico invisível,
que se sentem comovidos e em paz,
ainda que não saibam como nem porquê.

PERCY BYSSHE SHELLEY

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PRAÇA DE CORDEL E POESIA – O GRANDE ENCONTRO DOS POETAS BAIANOS

Por José Inácio Vieira de Melo


Para a Praça de Cordel e Poesia, na 9ª Bienal do Livro da Bahia, foram convidados 101 poetas, um número bastante animador. Artistas da palavra, de vários territórios do estado, desfilarão seus versos durante os 10 dez dias de celebração do livro.
São poetas das mais diversas vertentes. Alguns, célebres, como Maria da Conceição Paranhos, Antonio Brasileiro e Ruy Espinheira Filho. Outros, estreantes, dando seus primeiros passos, como os editores da revista Entre Aspas: Georgio Rios, Paulo André e Thiago Lins ou os editores da revista Na borda da xícara: Fabrício de Queiroz e Max da Fonseca. Vários deles, ainda inéditos, postando seus poemas em blogs criativos e sonhando com a publicação do primeiro livro, como é o caso de Martha Galrão, Raiça Bonfim, Emanuel Mirdad e Priscila Fernandes.
Os cordelistas vão dar um colorido especial para a Praça, apresentando seus tipos extraordinários, ou ainda, descrevendo as personagens de destaque de sua comunidade com traços bem engraçados. Antonio Barreto, Franklin Maxado e Jotacê Freitas são alguns dos nomes representativos da literatura de cordel que estarão presentes, assim como um expressivo grupo de novos cordelistas da Bahia, sendo Tarcísio Mota um dos mais jovens, com 18 anos. As mulheres também marcarão presença. Maysa Miranda, Creusa Meira e Gilmara Cláudia mostrarão que a força feminina também vigora no cordel.
Além dos cordelistas, a Praça de Cordel e Poesia vai contar com a participação das duplas de repentistas: Paraíba da Viola & Tranquilino e Caboquinho & João Ramos, e da dupla de emboladores Palito & Braz.
Como já foi dito, poetas de vários territórios da Bahia participarão do evento, o que reflete uma das prioridades da Secretaria de Cultura do Estado, que é descentralizar a cultura, ou seja, desconcentrar a atenção dos territórios do Recôncavo e da Região Metropolitana de Salvador, e valorizar também os outros 24 territórios de identidade da Bahia. Desta maneira, desde poetas dos territórios do Baixo Sul e do Litoral Sul até poetas dos territórios do Portal do Sertão e do Piemonte Norte do Itapicuru estarão presentes mostrando para o público a força artística proveniente do seu lugar de origem.
E de todos os rincões da Bahia afloraram poetas para participar da Praça: o cordelista José Olívio, do Agreste de Alagoinhas; os poetas Georgio Rios e Inaê Sodré, da Bacia do Jacuípe; Leonam Oliveira e Jussara Midlej, do Médio Rio de Contas; Júlio Lucas, cosmopolita do território de Itaparica; e Edmar Vieira, Vitor Nascimento Sá e Marcelo Nascimento, integrantes do Grupo Concriz, do Vale do Jiquiriçá. O grupo Concriz, proveniente da cidade de Maracás, é um dos destaques da Praça de Cordel e Poesia. Sua força jogralesca e o aprimoramento técnico de seus recitais têm rendido elogios de grandes nomes da literatura baiana, como Florisvaldo Mattos, Roberval Pereyr e Ruy Espinheira Filho.
E mais: Moacir Eduão, do território de Irecê; José Walter Pires, do Sertão Produtivo; Herculano Neto, do Recôncavo; Nívia Maria Vasconcellos, do Portal do Sertão; Antonio Naud Junior, do Litoral Sul; Vânia Melo e vários outros da Região Metropolitana de Salvador. Para completar o time, Walter César, poeta beat da Aldeia de Arembepe. E muitos, muitos outros grandes talentos.
A Bahia, berço da poesia brasileira, é acolhedora por natureza. Poetas nascidos em outros Estados e em outras Regiões encontraram alento no seio da terra de Gregório de Mattos. E aqui aportaram Ivan Maia e Héber Sales, oriundos do estado de Pernambuco; Mônica Menezes, de Sergipe; Eliana Mara Chiossi, de São Paulo; Fabrícia Miranda, do Rio de Janeiro; Thiago Lins e Nuno Gonçalves, do Ceará. Nomes certos na Praça.
Outro grupo representativo que vai marcar presença no evento é o Poetrix. Criado pelo poeta Goulart Gomes, o movimento espalhou-se pelo mundo afora, tendo hoje mais de 200 mil adeptos. A Praça vai ter onze integrantes do Poetrix, uma verdadeira seleção. Seis dos poetrixtas são de outros Estados: Regina Lyra (PB), Lílian Maial (RJ), Marilda Confortin (PR), Hércio Afonso, Pedro Cardoso e Reneu Berni (DF).
Além desta pluralidade de poetas, representantes de praticamente todos os territórios de identidade do Estado, o projeto vai contar com a força cênica do ator Jackson Costa, com a interpretação suave e sensível da bela cantora Carla Visi e com a presença marcante do cantador Sapiranga. Jackson vai recitar poemas de Castro Alves e de Patativa do Assaré. Carla vai interpretar poemas de Cecília Meireles que foram musicados por Raimundo Fagner. Sapiranga vai mostrar o telurismo de suas composições.
A Praça prestará homenagem aos poetas Patativa do Assaré e Antônio Vieira. Patativa, pelo seu centenário de nascimento, e Antônio, artista singular da Bahia, pelo seu falecimento em 10 de junho de 2007. Os dois poetas terão seus poemas recitados ao longo da Bienal. Albert e Alexandre Vieira, filhos do poeta baiano, declamarão cordéis de seu pai.
Antônio Vieira apregoava que “os nomes dos poetas populares/ deveriam estar na boca do povo”. No grande encontro dos poetas da Bahia, na Praça de Cordel e Poesia, eles serão proferidos em alto e bom som, ecoando por dez dias para mais de 250 mil pessoas ouvirem.

José Inácio Vieira de Melo é poeta, jornalista e produtor cultural. Curador e coordenador da Praça de Cordel e Poesia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

9ª BIENAL DO LIVRO DA BAHIA - PRAÇA DE CORDEL E POESIA



9ª BIENAL DO LIVRO DA BAHIA
PRAÇA DE CORDEL E POESIA
COORDENAÇÃO E CURADORIA:
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO


Dia 17 (sexta-feira)

18h - POESIA
Inaê Sodré
Raiça Bomfim
Gibran Sousa
&
Barná Cardoso

19h 10min - CORDEL
Antonio Barreto
Franklin Maxado

20h 20min - POESIA
Edgar Velame
Ivan Maia
Jackson Costa


Dia 18 (sábado)

18h - POESIA
Fabrícia Miranda
Júlio Lucas
Leonam Oliveira

19h 10min - CORDEL
Paraíba da Viola
&
Leandro Tranquilino

20h 20min - POESIA
Antonio Brasileiro
Ruy Espinheira Filho


Dia 19 (domingo)

18h - POESIA
Antonio Naud Júnior
Rita Santana
Idmar Boaventura

19h 10min - CORDEL
NOVOS CORDELISTAS DA BAHIA:
Carlos Neves
Creusa Meira
José Olívio
Rogério Snatus
Tarcísio Mota
Osmar Machado Jr.
&
Igor Reis

20h 20min - POESIA
Martha Galrão
Marcus Vinícius Rodrigues
Nívia Maria Vasconcellos


Dia 20 (segunda-feira)

18h - POESIA
Emanuel Mirdad
Sérgio Silva
Wesley Correia

19h 10min - CORDEL
Carlos Alberto
Davi Nunes
Pardal do Jaguaribe
Lucas de Oliveira

20h 20min - POESIA
Adriano Eysen
Eliana Mara Chiossi
Walter César


Dia 21 (terça-feira)

18h - POESIA
MOVIMENTO POETRIX:
Goulart Gomes
Hércio Afonso
Jussara Midlej
Lílian Maial
Marco Bastos
Marilda Confortin
Oswaldo Martins
Pedro Cardoso
Regina Lyra
Reneu Berni
Sandra Mamede

19h 10min - CORDEL
GRUPO CONCRIZ:
Caroline Brito
Edmar Vieira
Gina Alves
Hermann Henrique
Ivana Karoline Machado
Marcelo Nascimento
Mateus Machado
Pablo Sá
Vitor Nascimento Sá

20h 20min - POESIA
Maria da Conceição Paranhos
Luis Antonio Cajazeira Ramos


Dia 22 (quarta-feira)

18h - POESIA
Bernardo Almeida
Fabrício de Queiroz
Max da Fonseca

19h 10min - CORDEL
Palito
&
Braz

20h 20min - POESIA
Damário Dacruz
Lita Passos
Wladimir Cazé


Dia 23 (quinta-feira)

18h - POESIA
Georgio Rios
Paulo André
Thiago Lins

19h 10min - CORDEL
Jotacê Freitas
Sergio Bahialista
&
Gutemberg

20h 20min - POESIA
Elizeu Moreira Paranaguá
Vânia Melo
Herculano Neto


Dia 24 (sexta-feira)

18h - POESIA
João de Moraes Filho
Nuno Gonçalves
José Ricardo Vidal

19h 10min - CORDEL
Crispiniano Neto
Albert Vieira
Alexandre Vieira

20h 20min - POESIA
Kátia Borges
Mayrant Gallo


Dia 25 (sábado)

18h - POESIA
André Galvão
Mônica Menezes
André Guerra

19h 10min - CORDEL
Caboquinho
&
João Ramos

20h 20min - POESIA
Cardan Dantas
Paulo Pedro Pepeu
Xangai


Dia 26 (domingo)

18h - POESIA
Heber Sales
Priscila Fernandes
Moacir Eduão

19h 10min - CORDEL
NOVOS CORDELISTAS DA BAHIA:
Gilmara Cláudia
Maysa Miranda
João Augusto
José Walter Pires
Alemão do Ceará
Zezão Castro

20h 20min - POESIA
Carla Visi
Sapiranga