PEDRAS AMOLADAS, FACAS ATIRADAS
Para João Cabral de Melo Neto
Vai, poeta
pega a xara
e amola as tuas facas
e de uma só cutelada
desata a sangria
O olhar já é pétreo:
Vai, tira o couro da poesia
– não temas a carne trêmula –
e inerva os teus versos
Vai, poeta
com tuas facas
destrincha a carne
e nela passa o sal
e estende-a ao sol
Então não é dessa
carne seca que é feito
o teu ritmo?
Vai, magarefe
das palavras
Ah poeta
apesar de tuas lâminas
serem as mais afiadas
é a pedra do rim
que é
pois com tuas pedradas
descubro e descubro
Vai, poeta doido
de pedra.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
gostei realmente da forma como o poema se destrinchou. muito bom
ResponderExcluirPoeta...que poema maravilhoso. Parabéns.Bjos
ResponderExcluirLindo... cortante como a lâmina afiada!
ResponderExcluirBELÍSSIMA CARNEAÇÃO POÉTICA .
ResponderExcluirFicou profundamente lindo poeta. Vc retalhou a poesia e tirou do seu âmago toda sua essência. Parabéns... Grata por seu carinho... Bjsssss
ResponderExcluirMeu ritmo é feito por esses poemas que vc escreve.
ResponderExcluirVai poeta escreve sem medo, as pedras são as mais difíceis de serem amoladas! Excelente poesia, fantástica! Meus aplausos!
ResponderExcluiruma aula de anatomia poética, inflama o punhal de prata dentro da alma, oooh magarefe poeta!
ResponderExcluirJIVM encontra JCMN e é essa lindeza toda em estado de poesia...
ResponderExcluir"VAI, TIRA O COURO DA POESIA E INERVA OS TEUS VERSOS" É DO CARALHO
ResponderExcluirDe fato, não é todo mundo que digere com facilidade um pedaço de carne seca.
ResponderExcluirBela homenagem!