terça-feira, 14 de junho de 2011

JIVM - FUGA



FUGA


As crianças galopam goiabeiras,
sentem o gosto da paisagem de êxtase.
As crianças são deuses, mas não trazem
o germe do sofrimento, só brilham.

Quando o homem chega dentro da criança,
o infinito cai e a casa começa
a ter entranhas, a criar paredes.
Quem mais sofre com isso são as pedras:

sem sangue, sem respiração, sem ritmo,
seus escombros preenchem toda terra;
seus sonhos – fuzilados no horizonte.

Eu ainda saio dessa ciranda,
entro no primeiro buraco negro
e vou me inventar em outra galáxia.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

22 comentários:

  1. Poeta, belíssimo poema, como sempre.
    Parabéns do velho amigo, jt

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  2. Olá José Inácio,

    Amei o poema! Do seu ritmo, profundidade e da imagem também.
    Posso publicá-lo em blogs e na rede do IMEL?
    A vida é uma ciranda mesmo...


    Bjs,


    --
    Brenda Marques Pena
    Presidente do Instituto Imersão Latina (IMEL)

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  3. Lindo poema,Inacío! Muito obrigado! "Os homens nascem originais e morrem cópias" (Yung). Resta-nos lutar contra essa tendência,sem esmorecer um dia sequer...Cercados de belos reflexivos poemas,a gente consegue!

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  4. por vezes já me sinto noutra galáxia...muito obrigada. Bji♥

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  5. Sua poesia José Inácio é intuitiva, mágica e por isso nos identificamos tanto com ela. Quantas vezes eu quis " sair dessa ciranda, entrar no primeiro buraco negro e me reinventar em outra galáxia"...muitas vezes. Obrigada meu querido poeta. Abraços!

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  6. Belíssimo poema!
    Tocante, profundo, sensível... mágico!

    Lane Quinto

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  7. sempre um belo e significativo poema! grande poeta!

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  8. QUE COISA LINDA, JOSÉ INÁCIO ! ! !

    QUE DEUS CONSERVE SUA ÍNDOLE E ESSE ELÃ QUE MOVE OS DEMIURGOS A FAZEREM DESSE PLANETA ALGO MELHOR.

    BJCS, UM LINDO DIA E ÓTIMA SEMANA,

    LÉA LIMA

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  9. A criança que existe em mim,fica feliz e agradece....

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  10. Que forte, Parabéns amigo, adoro teus poemas!

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  11. Adorooo... muitas vezes sonhei com isto, digo, cair num buraco negro e profundo e descobrir um novo mundo... como a Alice no País das Maravilhas!!! Lindo poema...

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  12. Sejamos então crianças! Escutemos apenas nossos pensamentos inocentes. Ignoremos então essa bruta realidade que nos cerca. Muitas vezes é preciso se esconder para não sofrer com a verdade. Mas a criança não tem culpa, ela cresce! E a cada dia cresce consigo o sofrimento.

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  13. Como se diz no meu País: "Crianças flores que nunca murcham". Grande poema como sempre José Inácio Vieira de Melo.

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  14. caramba!! que êxtase verbal!!!!! precioso olhar sobre a monotonia humana. salve!!!!

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  15. Martha Gonzaga Cohen A cada vez que leio um poema teu, José Inácio, eu me reinvento. Parabéns por este soneto singular. Beijos.

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  16. Opa! O radar detectou!
    Poesia boa num raio de 5 MB
    de distância!!

    P.S.: Adorei o estilo.
    Depois continuo com a sondagem

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  17. quando o homem conserva o menino de dentro, não há infiltração nas paredes.

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  18. Poema maravilhoso! Que bela tradução da beleza e do encanto simples de viver.

    Parabéns Inácio

    André Guerra

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  19. Eu fui (sou) criança assim, Zé! Até botei fogo na propriedade do meu avô! Comi goiaba bichada! E fiz enfieira de jenipapo, um após o outro, à maneira de piabas! kkk Abraços!

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  20. Gostei da inversão da idéia da criança dentro do homem por homem dentro da criança... Mas são os últimos versos "Eu ainda saio dessa ciranda/entro no primeiro buraco negro/e vou me inventar em outra galáxia" que me tiram do chão, do lugar comum, e, por alguns instantes, sou capturada pela luz e pela escuridão... ao mesmo tempo que ecoa em minha memória os versos da fuga de Bandeira "Vou-me embora para Passárgada..."

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