sábado, 1 de agosto de 2009

TRÊS POEMAS DE GEORGIO RIOS




















VENTO



Ainda não aprendi a inventar o vento
sei voar em silêncio
as asas me crescem
quando menos preciso

Sei ser este pássaro secreto
que rasga os ares

E olhar o chão sem desprezo
sem o medo

Sei
apenas correr como o tempo
que não pára, nem pretendeparar...



SOBRE O OUTONO E AS ÁRVORES


Não são os olhos das árvores
que vergam os galhos.

As folhas, e sua rebeldia,
deitam no chão,
o preço da pequena liberdade.

Nasce o outono,

o tom gris e a forma
invadem a casa e entram nos olhos

fazendo dormir ombros cansados.



MATUTANDO SOBRE O SERTÃO


Pois
o Sertão é isso:
uma vasta estrada que sai cá de dentro
e arruma num sem fim de veredas
um não sei quanto de caminhos

E é nada e tudo
saltando dos olhos
de dentro do dentro

Pra sumir e aparecer de novo
em todo lugar

Suspeito que o Sertão seja
eu e todo mundo junto
dentro das linhas desta mesma história...

7 comentários:

  1. Muito que bem, tessitura fina e comovedora. Aquele abraço.

    T

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  2. Belos poemas. Destaque para o último. Bem roseano. Bem JIVM. Mas com sotaque pessoal.

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  3. "
    as asas me crescem
    quando menos preciso
    "

    E quando precisamos, as asas enraizam em pernas, pregadas ao chão.

    Maldito querer q a lógica não acompanha.

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  4. Bons poemas, um livro que pretendo ler. BJ

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  5. Excelentes poemas, Inácio. Esse rapaz é um achado. É uma poesia de alma, mas também de uma estrutura bastante particular. Aguardemos ansiosos a publicação dos livros.

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  6. belos poemas, desses que atingem o silencio das coisas.

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